quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Exposição de Fotografia aérea


Inaugura na próxima segunda feira na Loja do Instituto Português da Juventude de Évora e estará patente ao público até ao final do mês.

Esta exposição, promovida pelo IPJ de Beja, conta ainda com o apoio do Município de Beja - Casa da Cultura.





















Mais informação aqui

Algarve Classic Festival 2014

O maior evento de Automóveis Clássicos da Península Ibérica regressa a Portimão entre 17 e 19 de Outubro de 2014

Procurando constar entre os 5 maiores “Historic Festivals” do Mundo, e após uma reestruturação, o Algarve Classic Festival será organizado nos próximos anos por Diogo Ferrão, a quem cabe a responsabilidade de dar “sangue novo” ao evento, em conjunto com o Autódromo Internacional do Algarve.


A edição de 2014 do Algarve Classic Festival (ACF) contará com 11 Campeonatos Europeus de Clássicos, trazendo ao Algarve os melhores carros e pilotos da especialidade. O sábado e o domingo serão totalmente dedicados às 18 corridas do multidisciplinar programa.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Diário do Alentejo Edição 1657

Editorial
Tuaregues
Paulo Barriga

De entre todas as doenças
que acometem os territórios
do interior, a centralização
do aparelho, das economias
e dos serviços do Estado
é aquela que mais ferozmente lhe
debilita a saúde. Numa palavra só
se resume a visão monocéfala de
um País: Desertificação. E para
lá, para o deserto, caminhamos
a passos largos, mansamente, cabisbaixos.
O maior avanço que as
areias tomaram nos últimos tempos
foi soprado pelo vento da reorganização
do mapa nacional. A
fusão de freguesias e a própria extinção
de algumas, como foi o caso
de Bicos, não foi a única nem a última,
mas foi mais uma valente
duna que se criou entre Lisboa e
a província. Em breve chegará a
tempestade de areia que cobrirá
os concelhos com menor densidade
populacional. Entretanto,
excluindo um ou outro oásis, vão
sendo alegremente soterrados
postos da GNR, estações de correios,
escolas primárias, tribunais
de proximidade, estradas e linhas
férreas, repartições de finanças.
A par da aridez burocrática e demagógica
que asfixia e torna inabitável
o interior, o sultanato lisboeta
decidiu racionar as porções
de água aos tuaregues. Secura
que se revela nos cortes sistemáticos
nas transferências da administração
central para os municípios.
Em 2014, comparativamente
com o ano já de si doido de 2013,
as câmaras do Baixo Alentejo perdem
mais de 36 milhões de euros.
Isto, a somar à inexistência generalizada
de receitas próprias e ao
endividamento excessivo leva,
pois claro, ao delírio. É verdade
que Beja, há 30 anos a esta parte,
vive sob o estigma da perda. Há
até quem se contorça de riso com
tamanha alucinação coletiva. Mas
o desmantelamento da estrutura
do Estado na capital do Baixo
Alentejo tem sido tempestuoso
e nada ridente. A imagem decrépita
do antigo edifício do Banco
de Portugal é apenas o ramo seco
de onde observa pacientemente
o bando de abutres. Todavia, há
mais necrófagos à espreita. O desmantelamento
impiedoso de camas
e de serviços no Hospital
José Joaquim Fernandes, a somar
à encapuçada privatização do
Hospital de São Paulo, em Serpa,
é apenas um dos muitos pronúncios
da morte que se anuncia. O
mesmo se dirá do desprezo que o
ministro da Educação demonstra
para com o Instituto Politécnico
de Beja. Ainda que existam no
Governo pessoas, inclusivamente
cá da terra, que auguram um
grande futuro para o Alentejo.
Ou a secura também lhes anda a
toldar as ideias. Ou têm andado
a ler desalmadamente Fernando
Pessoa: Grandes são os desertos.
Desertos e grandes.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Baile na Boavista - 25 de Janeiro 2014


Porque é Livre a Lua...?

Oh, como o Sol amava a Lua! Tão pálida e tão adorável.

 O Sol morria por se casar com ela.

— És mais bela do que as nuvens e com mais encanto ainda do que a rosa mais fresca. Quero-te só para mim — disse-lhe o Sol.
A Lua estava habituada a brilhar sozinha todas as noites e gostava disso. Sempre que se sentia só, tinha milhões de estrelas com quem conversar, meteoros para disputar corridas e planetas que a faziam rir.
Por isso a Lua respondeu ao Sol:
— Caso contigo, mas com uma condição. Tens de me dar uma prenda linda. Gosto de camisas bordadas. De blusas brancas aos folhos. Gosto de grandes saias a flutuar ao vento da noite. Pode ser qualquer coisa, mas tem de me assentar bem. E ser exatamente do meu tamanho!
O Sol, embora estivesse cansado de aquecer a Terra e de iluminar o Céu todo o dia, passou a noite inteira acordado observando a Lua, na tentativa de escolher o presente certo. Mas não se decidia.
— Tens de ficar mais bonita ainda, quando fores minha esposa — disse o Sol. — Eu posso arranjar-te o que quiseres. Por favor, diz-me o que te agradaria mais, meu amor!
Mas decidiu-se finalmente por uma saia tecida com fio de ouro e finas tiras de luz estelar.
— Oh, todas as estrelas vão invejar a minha noiva —pensou o Sol.
Mas depois, quando o Sol viu de novo a Lua, ficou admirado: ela não era mais do que uma vaga forma, quase uma sombra do que anteriormente fora.
—Oh, minha querida! — gritou. — O amor tirou-te o apetite. Como estás magra!
Correndo, o Sol atravessou o Céu e foi ter com o seu alfaiate para que apertasse a saia de modo a que ficasse bem à nova lua nova, comprida e esbelta. Mas quando regressou, a Lua, que já engordara um pouco, não pôde fazer passar a saia pelas ancas.
— Ai! — exclamou.
E até ficou azul de tanto se esforçar, para meter o seu corpo lunar na apertada saia…
— Não é este o tamanho. Esta saia sufoca-me e tira-me a luz.
— Ai, meu amor. O que acontece é que agora estás um pouco mais gordinha, mas vais ver. Quando eu voltar, a saia vai-te assentar bem! — disse o Sol.
E apressou-se a atravessar as montanhas e a pedir ao Relâmpago que acrescentasse à saia umas riscas da sua luz resplandecente para que os quadris mais largos da Lua passassem sem problemas.
Mas entretanto, passados que foram dois dias, a Lua já estava mais gorda. Por isso, teve de conter de novo a respiração e de apertar a barriga o mais que pôde.
— Achas que eu sou tão redonda como uma panqueca? — gemeu. E ao soltar-se, o esforço que fez gelou a cara ardente do Sol.
— Como pudeste pensar que esta saia me ia ficar bem?
Durante trinta dias, o Sol tentou de novo uma e outra vez, sem nunca conseguir acertar com as medidas exatas da Lua. Sempre a mudar! Tirava-as com cuidado para que a roupa lhe assentasse na perfeição. Mas, qualquer que fosse o presente — outra saia, um chapéu diferente ou um novo casaco, era sempre muito pequeno, apertado ou largo de mais!
Por esta razão, o Sol nunca pôde casar com a Lua. Agora, todos os dias, pouco antes de ir dormir ao Céu do ocidente, o Sol observa a Lua, que às vezes está delgada, outras vezes mais redonda, com frequência num meio-termo, mas sempre a brilhar com aquela luz prateada e cintilante. E a única coisa que lhe resta é contemplá-la do outro lado do Céu quando a noite vem….
E todas as noites, antes de se deitar, o Sol suspira — longa e tristemente — pelo seu amor rejeitado.
E, em cada noite, enquanto caminha pelo Céu, a Lua ri-se de prazer e de alívio.
Mary-Joan Gerson
Fiesta femenina
Cambridge, Barefoot Books, 2003
(Tradução e adaptação)

Baile em São Matias 25 de Janeiro de 2014


segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Matiné Dançante 26|Jan|14 - Capricho Bejense


Espetáculo Solidário 25|Jan|14 - Pax Julia


Desfile - Reciclar é Fashion - CPCB - 23|Jan|14




O Centro de Paralisia Cerebral de Beja pretende com a organização desde evento angariar fundos para os equipamentos do Lar Residencial.


Assim vem pedir a colaboração de todos com a vossa participação no desfile de "Moda Reciclada", que conta como modelos os nossos jovens.

O evento realiza-se na Casa da Força Aérea (antigo Clube de Sargentos no Bairro da BA11).



Participar é ajudar!

De Beja Para o Mundo " L´ amour infini que j'ai por toi" - de Paulo Monteiro

O livro de banda desenhada  O amor infinito amor que tenho e outras histórias, da autoria de Paulo Monteiro,  venceu o Prix Sheriff D´or 2013, em França.
 


Recorde-se que o livro, já premiado em Portugal, foi lançado em junho passado em França pela editora Six Pieds Sous Terre com o título L´ amour infini que j'ai por toi, tendo recebido, na altura, críticas favoráveis por parte de vários media especializados e de alguns jornais.


O prémio foi atribuído pela livraria Esprit BD (de Clermont- Ferrand).

Paulo Monteiro é diretor da Bedeteca de Beja e do Festival Internacional de BD da cidade. 


In DA online


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Diário do Alentejo Edição 1656

Editorial
Cristiano
Paulo Barriga

Rei morto, rei posto. Em
apenas uma semana,
como manda aliás o protocolo
régio, a populaça enterrou
com lágrimas e palmas o rei velho
e com lágrimas e urras aclamou
o rei novo. Em matéria de sucessões,
o povo costuma ser impaciente
e apressados os monarcas
herdeiros. Tanta sofreguidão
junta, normalmente, leva ao precipício.
E o precipício, nos tempos
que correm, é o fim da própria
história. Eusébio e Cristiano.
À falta de melhores alternativas,
a nação reconheceu e proclamou
como seus verdadeiros
soberanos absolutos dois jogadores
de futebol. Coisa engraçada,
num país que sempre se autoproclamou
de poetas. Mas enfim…
Eusébio e Cristiano, o seu bom
tino para jogar à bola, levaram
e levam às diferentes partidas
do mundo o nome de Portugal
e levantaram e levantam a moral
global dos sujeitos residentes
ou nascidos nesta terra. Isso é
inegável. O povo necessita desse
alento como de pão para a boca.
E agradece. No fundo, apesar das
décadas que os separam, Eusébio
e Cristiano partilham em matéria
de espiritualismo popular um
céu de semelhanças. Foram e são
uma espécie de salvação dos aflitos.
Aliás, os seus próprios nomes
estão bentamente irmanados.
Eusébio é um nome que vem
do grego antigo e que quer dizer
qualquer coisa como “piedoso”.
Cristiano vem igualmente do
grego e significa “ungido”, nickname
do próprio Jesus de Nazaré.
Enterrámos, então, um devoto
caridoso. E aclamámos, pois sim,
“o escolhido”. Mas também são
grandes as diferenças que separam
os nossos santos de ontem
e de hoje. E a maior discrepância
entre eles tem precisamente a ver
com o tal precipício. Com o tal
fim da história. A beatificação
plebeia de Eusébio, com honras
de Panteão, advém de um processo
de “direito natural”. Fez o
que fez, viveu o que viveu, penou
o que penou e pronto. Já a canonização
de Cristiano nada deve
a penadoiros, nem a vivências.
Respeita apenas ao fazer. Ao que
faz. Ao tempo atual. Sendo que
as sociedades de agora, ultraliberais,
umbilicais, fulanizadas,
têm como premissa fundamental
a coroação do tempo presente.
Como se um feito de hoje, exaustivamente
celebrado, fosse irrepetível
ou inatingível num qualquer
futuro. Como se tudo o que
ficou para trás de hoje, a memória,
a experimentação, fosse uma
insignificância incomparável
com as dádivas do presente. E é
nisto que a história de Eusébio, o
piedoso, difere da ainda não-história
de Cristiano, o ungido. Por
muito que se queiram massajar
as semelhanças entre ambos.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Diário do Alentejo Edição 1655



Editorial

Eusébio

Paulo Barriga

O que chorámos nós

quando chorámos a

morte de Eusébio? O desaparecimento

do maior futebolista

português de todos os tempos?

O falecimento do desportista

tolerante e brilhante e consensual

e incomparavelmente modesto? A

memória das correrias fulgurantes

com a bola colada aos pés e os

disparos letais da negra pantera?

Sim, chorámos tudo isso e chorámos

muito mais do que isso tudo.

Chorámos uma glória que nunca

foi propriamente nossa. Não a

glória dos golos impossíveis, sequer

a glória da vitória desportiva

e dos aplausos. O que chorámos

com a morte de Eusébio, o que

sempre chorámos com a morte

dos nossos Eusébios, das nossas

Amálias, dos nossos Sebastiões,

é a glória adiada de Portugal. É o

vazio, a falta de rumo, a ausência

de herdeiros valentes e imortais, a

deriva e a expetativa da salvação

sucessivamente delongada desde

Alcácer-Quibir. O que chorámos

com a morte de Eusébio não foram

apenas as botas de ouro ou os

triunfos inigualáveis. O que chorámos

com a morte de Eusébio,

tal como nos avisaram há tantos

séculos o sapateiro Bandarra ou o

Padre Vieira, foi a incerteza. Essa

doença que nos atinge bem no

coração da nossa existência. Da

nossa maneira de ser. Esse embruxamento

que nos deixa sem rumo

nem tino sempre que nos morre

um Eusébio, à beira da falésia, à

espera da ressurreição numa messiânica

manhã de nevoeiro. À espera

de milagre justo e libertador.

É a esta caldeirada que leva crença

e leva desesperança como temperos

que os velhos do Alentejo

costumam chamar cisma. E que

Fernando Pessoa chamava apenas

Portugal. Esse penhasco de

rocha pendente sobre um mar

cuja salga são as próprias lágrimas

portuguesas. Sim, Portugal

sente a falta de Eusébio, dos seus

certeiros petardos de cautchu, dos

saltos de mãos no ar sempre que

arrebentava balizas. Mas do que

Portugal verdadeiramente sente

falta não é apenas deste, é de outros

Eusébios. Que é uma das muitas

maneiras de dizer esperança.

Muitas pessoas se perguntaram

nos últimos dias se valia a pena

tanto alarido por causa de um jogador

da bola. Ainda Fernando

Pessoa: Tudo vale a pena se a alma

não é pequena.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

IV Passeio TT Odivelas 11|Jan|14


Comemorar Michel Giacometti


GENGIS KHAN




Aí está ele, passando revista às tropas
 
Com a sua armadura reluzente.
 
Os seus pés levantam ondas de poeira
 
E ninguém ousa fitá-lo de frente.
 
 
Na sua couraça quebram-se as lanças inimigas
 
E um gesto seu põe em fuga um exército inteiro
 
… Mas não pode dobrar-se para apanhar uma flor
 
Nem coçar as costas, o poderoso cavaleiro.
 
 
 
 
Álvaro Magalhães
O reino perdido, 2000