"São cenas" é o nome do tema de apresentação d' O COISO, artista vadio que gosta de apreciar o mundo e curte bué fazer canções sobre cenas. Esta canção fê-la para oferecer aos amigos na esperança que estes a ofereçam à pessoa certa e, com sorte, a cena se dê... :-)
Afinal de contas para que serve a vida senão para ser gozada?
Ficha técnica:
Gravações, letra e música: O COISO
Mistura: NELSON CARVALHO
Video: ANIMAVÍDEO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014
O COISO - SÃO CENAS
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MÚSICA
A América fica longe?
Vivia-se bem na nossa aldeia até àquela noite de outubro em que os soldados vieram. A minha mãe escondeu-nos, à minha irmã e a mim, debaixo da cama. Quando espreitei para ver o que se passava, apenas vi os pés da minha mãe enfiados nos chinelos pretos e as botas grandes e lamacentas dos soldados.
Depois de saírem, o meu pai disse:
— Temos de partir já.
— Porquê? — perguntei.
O meu pai não nos deixava levar nada à excepção de uma muda de roupa. A minha mãe indignou-se:
— Vou ter de deixar todas as minhas coisas? A cadeira onde embalei os nossos filhos, a coberta que a minha mãe fez, ponto por ponto?
— Não levamos nada — tornou o meu pai. — Apenas o dinheiro para comprar a passagem para a América.
A palavra “América” não me era desconhecida, pois tinha ouvido os meus pais murmurá-la em noites inquietas. Seria esse, então, o nosso destino?
Nessa noite, vi pessoas a caminhar em silêncio pelas ruas recônditas e barcos junto ao cais, a balançar na água escura, enquanto homens falavam em segredo e o ouro passava de bolso em bolso.
— Preciso da tua aliança — disse o meu pai à minha mãe. — E das tuas granadas.
Sem dizer palavra, a minha mãe tirou o anel do dedo e o colar de granadas da bolsinha onde o guardava, depositada no fundo da trouxa que fizera.
O meu pai disse que partiríamos de noite.
— Quantos dias faltam para chegar à América? — perguntou a minha irmã.
— Não muitos — respondeu o meu pai. — Não tenhas medo! — sossegou-a.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
Silarca - Festival do Cogumelo 7, 8 e 9|mar|14 - Cabeça Gorda
A Junta de Freguesia apresenta...O Silarca - Festival do Cogumelo está inserido na Semana Gastronómica do Cogumelo e da Túbera que a Cabeça Gorda integra desde 2013 e pela 1º vez este ano organiza um festival micológico. Pretendemos que seja um evento concretizado com as associações da nossa terra e que tenha como alvo da sua actuação a cultura e a defesa dos recursos naturais em torno de elementos que caracterizam a nossa identidade criando um sentimento de pertença e desta forma a dinamização da economia à escala local.
Pretende-se que este importante acontecimento para a nossa Freguesia e concelho tenha o sucesso e a dignidade que todos desejamos e pelo qual sempre temos pugnado em outros acontecimentos, transformando estes três dias destinados aos recursos micológicos e sua importância numa grande jornada de vitalidade, convívio, fraternidade e ao mesmo tempo de defesa e preservação do melhor que temos em termos locais tão característico da nossa terra.
Desde já endereçamos o convite para que visite um dos restaurantes aderentes a de 3 a 9 de Março e a 7,8 e 9 de Março venha ao Silarca - Festival do Cogumelo.
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FEIRAS TEMÁTICAS
PASSEIO DE BTT - BERINGEL - 06|abr|14
| A Associação de Cicloturísmo de Beringel vai organizar, no próximo dia 06 de Abril, o seu tradicional Passeio de BTT. PROGRAMA 08:00 - Concentração Praça Dr. Carlos Moreira (Rossio) 09:00 - Partida
Inscrições até dia 04 de Abril de 2014 através dos telefones:
968 261 496
967 038 442
967 832 011
A inscrição inclui oferta de lembranças a todos os inscritos (Colgate - Palmolive.
Os participantes poderão ainda fazer a inscrição com ou sem almoço convívio.
2 Níveis de andamento: 25 Km Livres 50 Km Livres Prémios para os 3 melhores de cada percurso Beringel espera por ti, não faltes! |
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DESPORTO - AVENTURA
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Carpe Diem comemora 10º Aniversário
A Associação de Jovens Carpe Diem promove, na Cabeça Gorda/Beja, no próximo dia 15 de Fevereiro um espectáculo de comemoração dos 10 anos de atividades.
Carpe Diem 10 anos, uma década de centenas de atividades, milhares de horas a pensar, discutir e agir.
Ao longo destes 10 anos a Carpe Diem orientou o seu trabalho nas áreas educativa, desportiva, social e cultural e para iniciar as comemorações deste décimo aniversário voltamos à primeira iniciativa, com presença de Jorge Serafim e Virgem Suta.
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ASSOCIATIVISMO,
CULTURA,
MÚSICA
domingo, 9 de fevereiro de 2014
Há Amor no Ar - Alvito 14|fev|14
Toda a informação Aqui
sábado, 8 de fevereiro de 2014
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Diário do Alentejo Edição 1659
Editorial
15 000
Paulo Barriga
Com a omnipresença, com
o uso e com a relevância
que se lhe dá, até parece
que vem do confim dos tempos.
Mas não. A rede social Facebook
fez na passada terça-feira 10
anos. Apenas. Há precisamente
uma década que a profecia da
aldeia global, avançada pelo
pensador canadiano Marshall
McLuhan, começou realmente
a ganhar contornos. Com alguma
assertividade, pode hoje
dizer-se que há um mundo antes
e outro depois do Facebook.
A rede começou numa universidade
americana, por iniciativa
de um aluno, para se ajudar a si
e aos seus amigos a escolherem
cadeiras em comum. Hoje, galga
continentes, derruba fronteiras
linguísticas, arrasa ditaduras,
gera primaveras. Em dezembro
de 2013 estavam registados no
Facebook mais de mil milhões
de utilizadores. Os grandes delatores
desta gigantesca comunidade
virtual não lhe auguram
um futuro tão contagiante
e promissor e eufórico como o
presente faz crer. No entanto,
agora mesmo, é difícil imaginar
o bicho humano sem essa
ferramenta fundamental para a
sua sociabilização. O Facebook,
para o bem e para o mal, é uma
reconstituição perfeita, embora
virtual, do velho largo da aldeia.
É lá que as pessoas se encontram,
sabem das novidades,
matam saudades, contam palermices,
choram os mortos, fazem
amizades. Há coisa de dois anos,
o “Diário do Alentejo” também
começou a frequentar o largo
com uma espécie de banca de
notícias. A intenção primeira
passava pela partilha das nossas
velhas fotos de arquivo, de
anúncios antigos e de alguma
informação relevante. Depois
iniciamos a produção de conteúdos
televisivos. Hoje, tudo o que
é para nós valioso está na nossa
página de Facebook. Pelo que foi
com redobrada alegria que no
preciso dia em que a rede completou
10 anos de existência, a
página do “DA” chegou aos 15
mil seguidores. Um universo
pequeno se comparado com as
hordas que seguem os Cristianos
Ronaldos deste mundo. Mas de
tal forma importante que, presentemente,
o nosso perfil reúne
mais seguidores que os restantes
órgãos de comunicação social
da região em conjunto. É a pagina
do Alentejo com produção
própria mais frequentada. E, entre
os jornais regionais do País,
é uma das mais vistas, chegando
a atingir 500 mil cliques em publicações
numa só semana. Hoje
apenas me apetece agradecer a
todos cerrando o punho e espetando
o dedo polegar. Gosto!
15 000
Paulo Barriga
Com a omnipresença, com
o uso e com a relevância
que se lhe dá, até parece
que vem do confim dos tempos.
Mas não. A rede social Facebook
fez na passada terça-feira 10
anos. Apenas. Há precisamente
uma década que a profecia da
aldeia global, avançada pelo
pensador canadiano Marshall
McLuhan, começou realmente
a ganhar contornos. Com alguma
assertividade, pode hoje
dizer-se que há um mundo antes
e outro depois do Facebook.
A rede começou numa universidade
americana, por iniciativa
de um aluno, para se ajudar a si
e aos seus amigos a escolherem
cadeiras em comum. Hoje, galga
continentes, derruba fronteiras
linguísticas, arrasa ditaduras,
gera primaveras. Em dezembro
de 2013 estavam registados no
Facebook mais de mil milhões
de utilizadores. Os grandes delatores
desta gigantesca comunidade
virtual não lhe auguram
um futuro tão contagiante
e promissor e eufórico como o
presente faz crer. No entanto,
agora mesmo, é difícil imaginar
o bicho humano sem essa
ferramenta fundamental para a
sua sociabilização. O Facebook,
para o bem e para o mal, é uma
reconstituição perfeita, embora
virtual, do velho largo da aldeia.
É lá que as pessoas se encontram,
sabem das novidades,
matam saudades, contam palermices,
choram os mortos, fazem
amizades. Há coisa de dois anos,
o “Diário do Alentejo” também
começou a frequentar o largo
com uma espécie de banca de
notícias. A intenção primeira
passava pela partilha das nossas
velhas fotos de arquivo, de
anúncios antigos e de alguma
informação relevante. Depois
iniciamos a produção de conteúdos
televisivos. Hoje, tudo o que
é para nós valioso está na nossa
página de Facebook. Pelo que foi
com redobrada alegria que no
preciso dia em que a rede completou
10 anos de existência, a
página do “DA” chegou aos 15
mil seguidores. Um universo
pequeno se comparado com as
hordas que seguem os Cristianos
Ronaldos deste mundo. Mas de
tal forma importante que, presentemente,
o nosso perfil reúne
mais seguidores que os restantes
órgãos de comunicação social
da região em conjunto. É a pagina
do Alentejo com produção
própria mais frequentada. E, entre
os jornais regionais do País,
é uma das mais vistas, chegando
a atingir 500 mil cliques em publicações
numa só semana. Hoje
apenas me apetece agradecer a
todos cerrando o punho e espetando
o dedo polegar. Gosto!
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Notícias
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
Fim de Semana Taurino em Beringel
A Junta de Freguesia de Beringel, no concelho de Beja, promove durante os dias 22 e 23 de Fevereiro de2014, o I Fim-de-semana Taurino de Beringel. No sábado, 22 será realizado um passeio de campo, até à Herdade dos Outeiros, em Vila Nova de S. Bento, onde pasta a ganadaria Varela Crujo, e onde após a visita será realizado um almoço/convívio no local.
Esta visita está dependente de uma inscrição prévia, até 18 de Fevereiro, na Junta de Freguesia, e mediante o pagamento de 15€ com almoço e transporte incluídos. E como os fadistas vão aos toiros e os toureiros vão ouvir fado, o dia termina com uma Noite de Fados, que terão lugar nos Casões da Junta. No domingo, a Escola de Toureio da Moita do Ribatejo, orientada pelo maestro Luís Vital “Procuna”, fará pela manhã uma demonstração de toureio apeado. Pela tarde, os grupos de forcados amadores de Cascais e Beja, farão uma demonstração de pegas. Os lucros obtidos no I Fim-de-semana Taurino de Beringel reverterão para a aquisição de uma viatura de nove lugares para esta Junta.
Para qualquer esclarecimento adicional contactar executivo.jfberingel@gmail.com
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Festas e Romarias,
Notícias
ASAE no Alentejo...
Um agente da ASAE vai a uma propriedade e diz ao dono, um velho agricultor:
- "Preciso inspeccionar a sua propriedade. Há uma denúncia de plantação ilegal."
O agricultor diz:
-"Ok, inspeccione o que quiser, mas não vá àquele campo ali."
E aponta para uma determinada área.
O agente da ASAE diz indignado:
- "O senhor sabe que tenho o poder da autoridade comigo?" E tira do bolso um crachá mostrando ao agricultor:
- "Este crachá dá-me a autoridade de ir onde quero.... e entrar em qualquer propriedade. Não preciso pedir ou responder a nenhuma pergunta. Está claro? Fiz-me entender?"
O agricultor, muito educado, pede desculpa e volta para o que estava a fazer.
Poucos minutos depois, ouve uma gritaria e vê o agente de autoridade a correr para salvar a sua própria vida, perseguido pelo Asdrúbal, o maior touro da quinta.
A cada passo o touro vai chegando mais perto do agente, que parece que será apanhado antes de conseguir alcançar um lugar seguro. O agente está apavorado.
O agricultor larga as ferramentas, corre para a cerca e grita com todas as forças de seus pulmões:
- "O Crachá, mostre-lhe o CRACHÁ!"
- "Preciso inspeccionar a sua propriedade. Há uma denúncia de plantação ilegal."
O agricultor diz:
-"Ok, inspeccione o que quiser, mas não vá àquele campo ali."
E aponta para uma determinada área.
O agente da ASAE diz indignado:
- "O senhor sabe que tenho o poder da autoridade comigo?" E tira do bolso um crachá mostrando ao agricultor:
- "Este crachá dá-me a autoridade de ir onde quero.... e entrar em qualquer propriedade. Não preciso pedir ou responder a nenhuma pergunta. Está claro? Fiz-me entender?"
O agricultor, muito educado, pede desculpa e volta para o que estava a fazer.
Poucos minutos depois, ouve uma gritaria e vê o agente de autoridade a correr para salvar a sua própria vida, perseguido pelo Asdrúbal, o maior touro da quinta.
A cada passo o touro vai chegando mais perto do agente, que parece que será apanhado antes de conseguir alcançar um lugar seguro. O agente está apavorado.
O agricultor larga as ferramentas, corre para a cerca e grita com todas as forças de seus pulmões:
- "O Crachá, mostre-lhe o CRACHÁ!"
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HISTÓRIAS CONTOS E LENDAS
Less Talk About Work
A
Cooperativa Autonomia e Descoberta CRL, entidade sem fins lucrativos, tem como
objecto a realização de actividades nacionais e internacionais, baseando a sua
actuação nos princípios da aprendizagem não formal e da cidadania
participativa, assim como promover a tolerância, o diálogo intergeracional e o
desenvolvimento rural e urbano.
Entre
os dias 15 e 23 de Fevereiro de 2014, vamos realizar em Beja uma ação de
Formação Internacional com a participação de 30 técnicos de juventude,
desporto, ação social entre outras, tema empreendedorismo, oriundos da Polónia,
Espanha, Irlanda do Norte, Grécia, Turquia, Bulgária, República Checa e
Portugal, com o Titulo de Projecto “Less Talk About Work”.
Este
projecto tem como objectivo, promover a cidadania e coesão europeia, através de
uma metodologia de debate, visitas de estudo, reuniões com as forças vivas da
região, associações, autarquias, empresas e outras entidades.
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ASSOCIATIVISMO,
Cidadania
Flores esmagadas - Porque hoje é o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina
Nascida na cidade de Cartum, no meio do deserto, Leila
compreende desde cedo que não faz parte da sociedade sudanesa. Na escola, ela e
a sua melhor amiga, Amal, são apelidadas de “filhas do pecado”. O mais próximo
que tem de um lar é um orfanato severo, onde partilha a sua solidão com outras
crianças abandonadas. A sua irmã mais velha, Zulima, está casada com um homem
muito mais velho, o que é por todos considerado uma sorte, uma vez que uma
rapariga abandonada raramente consegue quebrar o ciclo de miséria. Quando fazem
dez anos, Leila e Amal não têm direito a celebrar. São, antes, submetidas à
mutilação genital.
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Cidadania,
Escrita e Poesia
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
Ainda há espaço para a alegria?
O ano que agora começa não vai ser propriamente um tempo festivo. Por isso, poderá parecer ao leitor que este tema é uma dolorosa provocação. Mas não é: falo muito a sério.
A alegria é um sentimento sem o qual os humanos não podem viver. Mesmo na noite mais escura, em que a dor, o sofrimento e o choro encharcam a nossa alma, se não encontrarmos um espaçozinho para a verdadeira alegria, dificilmente suportaremos tal situação.
É claro que há várias formas de alegria e nem todas produzem esse efeito libertador.
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HISTÓRIAS CONTOS E LENDAS
Convívio TT - 09|Fev|14 - Beja
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DESPORTO - AVENTURA
sábado, 1 de fevereiro de 2014
Diário do Alentejo Edição 1658
Editorial
Praxe
Paulo Barriga
Chamava-se Cristina
Ratinho. Tinha 26 anos.
E um filho de quatro. Era
aluna de Gestão de Empresas na
Escola Superior de Tecnologias e
Gestão. Em Beja. Faleceu em setembro
último vítima de problemas
cardiorrespiratórios.
Precisamente 11 meses após se ter
sentido mal no decurso de um ritual
de praxe académica. Depois
do qual nunca mais recuperou a
saúde. Nem os colegas, nem a instituição
de ensino alguma vez reconheceram
qualquer relação de
causa efeito entre a praxe e a doença
grave que acometeu a aluna.
Anos antes, na Universidade
Lusíada de Famalicão, um aluno
que decidiu abandonar a tuna
académica foi praxado com tal carinho
que acabou por falecer vítima
de lesões cérebro-medulares.
Até chegar à praia do Meco,
no passado dia 15 de dezembro,
os chamados rituais de integração
de estudantes deixaram um tapete
de violência, de humilhação
e de vexame tão absurdo e tão antigo,
como velha e amanteigada é
a nossa tolerância para com os autoritarismos
e a arbitrariedade.
As praxes académicas são a mais
aberrante exibição pública do animal
fascista que persiste na sociedade
portuguesa. Até hoje, nunca
ouvi um único argumento racional
que valide esta verdadeira fábrica
de seres autómatos e submissos.
O mais grave é que as
vítimas de hoje se transformam
alegremente nos carrascos de
amanhã. Como se essa fosse a lei
da vida. A ordem natural das coisas.
A questão é que para alguns,
como é o caso da Cristina ou dos
seis náufragos do Meco, não haverá
amanhã. E o problema é que
para a maioria ululante o amanhã
passa pela natural aceitação
da submissão pura e simples, da
vassalagem, da obediência cega.
Sem critérios. Sem vontade própria.
Sem questionar. Sem pensar.
Afinal, talvez a praxe tenha
alguma razão de ser e de existir.
Talvez sirva para justificar o estado
amorfo, apático, obediente e
manipulável a que chegou a sociedade
portuguesa.
Praxe
Paulo Barriga
Chamava-se Cristina
Ratinho. Tinha 26 anos.
E um filho de quatro. Era
aluna de Gestão de Empresas na
Escola Superior de Tecnologias e
Gestão. Em Beja. Faleceu em setembro
último vítima de problemas
cardiorrespiratórios.
Precisamente 11 meses após se ter
sentido mal no decurso de um ritual
de praxe académica. Depois
do qual nunca mais recuperou a
saúde. Nem os colegas, nem a instituição
de ensino alguma vez reconheceram
qualquer relação de
causa efeito entre a praxe e a doença
grave que acometeu a aluna.
Anos antes, na Universidade
Lusíada de Famalicão, um aluno
que decidiu abandonar a tuna
académica foi praxado com tal carinho
que acabou por falecer vítima
de lesões cérebro-medulares.
Até chegar à praia do Meco,
no passado dia 15 de dezembro,
os chamados rituais de integração
de estudantes deixaram um tapete
de violência, de humilhação
e de vexame tão absurdo e tão antigo,
como velha e amanteigada é
a nossa tolerância para com os autoritarismos
e a arbitrariedade.
As praxes académicas são a mais
aberrante exibição pública do animal
fascista que persiste na sociedade
portuguesa. Até hoje, nunca
ouvi um único argumento racional
que valide esta verdadeira fábrica
de seres autómatos e submissos.
O mais grave é que as
vítimas de hoje se transformam
alegremente nos carrascos de
amanhã. Como se essa fosse a lei
da vida. A ordem natural das coisas.
A questão é que para alguns,
como é o caso da Cristina ou dos
seis náufragos do Meco, não haverá
amanhã. E o problema é que
para a maioria ululante o amanhã
passa pela natural aceitação
da submissão pura e simples, da
vassalagem, da obediência cega.
Sem critérios. Sem vontade própria.
Sem questionar. Sem pensar.
Afinal, talvez a praxe tenha
alguma razão de ser e de existir.
Talvez sirva para justificar o estado
amorfo, apático, obediente e
manipulável a que chegou a sociedade
portuguesa.
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