terça-feira, 11 de março de 2014

Moços d'uma cana - "Foste, foste"


segunda-feira, 10 de março de 2014

O homem que ficou sem sono

Era uma vez um homem que um dia ficou sem sono. Queria dormir, mas não conseguia, apesar de sempre ter dormido bem. Quando fechava os olhos, não lhe saía da cabeça a tristeza que havia no olhar das crianças que se apinhavam junto da porta da casa onde morava e trabalhava. Era um homem bom que gostava do que fazia e que fora educado para obedecer às ordens dos seus superiores, estivesse onde estivesse. Nunca lhe passara sequer pela cabeça a possibilidade de um dia vir a infringir essa regra.
Esta história é verdadeira e aconteceu poucos dias antes de começar o Verão do ano de 1940. Ainda há muita gente viva que se lembra bem desse homem e daquilo que ele fez, deixando de pensar em si e pensando nos outros e na sua salvação. O homem era diplomata e nascera no norte de Portugal. Chamava-se Aristides de Sousa Mendes, era casado e tinha vários filhos. A sua carreira como cônsul levou-o até à cidade francesa de Bordéus, onde lhe chegaram as primeiras notícias do começo da Segunda Guerra Mundial quando as tropas alemãs atacaram a Polónia e a Inglaterra se opôs a essa agressão, em defesa da liberdade e da democracia, declarando que faria frente, pelas armas, aos agressores.
 

Por um par de meias solas - "Moda Faca"


Super Especial e Passeio de Clássicos . 22|Mar|2014 - Beja


The Ukulele Orchestra of Great Britain - The Good, The Bad and The Ugly

António Zambujo - Embaixador dos “Sabores no Barro”

O músico bejense António Zambujo aceitou o convite da Junta de Freguesia 
de Beringel para ser o Embaixador da primeira edição dos "Sabores no Barro". 



António Zambujo, artista de renome mundial, não esquece a sua região e
ajudará na promoção do evento que se realizará nos próximos dias 29 e 30 de
março, em Beringel.

Esta iniciativa, com entrada livre, pretende promover o território, associando
a tradição da olaria, à gastronomia e ao cante alentejano. Será também neste
último capítulo que António Zambujo colaborará, definindo a programação
para os dois dias do certame, e onde terá parte ativa ao acompanhar o
“Rancho de Cantadores de Aldeia Nova de São Bento” no dia 29 e a “Moda
Mãe” no dia 30 de Março.

O Povo de Beringel agradece a António Zambujo a sua disponibilidade e a
participação ativa que terá nesta primeira edição dos "Sabores no Barro".
A organização disponibilizará um espaço expositivo para os artesãos e
comerciantes dos artigos relacionados com o barro, a olaria e os seus
derivados.
Ao longo do fim de semana, estará em funcionamento uma tenda dedicada à
gastronomia, com diversas tasquinhas para refeições e petiscos, valorizando
os “comeres do barro”.

Em breve, divulgaremos o programa definitivo.

Ovibeja abre Cartaz de Espectáculos com Gabriel o Pensador

Sem Crise, no Ritmo, no Tempo, Tudo Certo, Correr pro Abraço é o que se perspectiva para a primeira noite da Ovibeja com a actuação de Gabriel o Pensador.

Do Brasil para os palcos da Ovibeja, Gabriel o Pensador abre o cartaz de espectáculos da feira mais animada do País na noite de 30 de Abril. Gabriel Contino, mais conhecido pelo nome artístico de Gabriel, o Pensador, é um rapper, compositor, escritor e empresário. Iniciou sua carreira musical ao lançar uma fita demo com a música "Tô Feliz", sendo logo contratado pela Sony Music.

Feliz é a sua actuação em palco, caracterizada por uma grande interacção com o público que, sendo maioritariamente jovem, abrange todas as faixas etárias que se identificam com a sua irreverência e alguma sátira em relação aos grandes males da sociedade.

Ao atrair milhares de pessoas aos seus concertos, Gabriel o Pensador poderá tocar na Ovibeja músicas que o público português se recorda tão bem como 2345meia78, Até Quando, Astronauta, além de Sem CriseNo Ritmo, no tempo, Correr pro Abraço, entre outros êxitos.

Gabriel o Pensador é apenas o primeiro nome do Cartaz Ovibeja 2014 que promete muita energia em palco, muitassurpresas e inesquecíveis Ovinoites.

A 31ª Ovibeja que vai acontecer entre 30 de Abril e 04 de Maio é organizada pela ACOS – Agricultores do Sul.

sexta-feira, 7 de março de 2014

Diário do Alentejo Edição 1663

Editorial
Mulher
Paulo Barriga

Amanhã, que é sábado, celebra-
se o Dia Internacional
da Mulher. Com o século
XXI avançado na idade, como
começa a estar, esta parece ser
das efemérides mais anacrónicas
e embaraçosas do programa
das festas da Organização das
Nações Unidas. Dia Internacional
da Mulher. Mas por que carga de
água deverá a mulher ter um dia
seu e só seu? Por que raio haveremos
de marcar a palavra “mulher”
num quadrado do calendário?
Isso faz algum sentido? Hoje?
Infelizmente, sim, faz! Faz todo o
sentido. Ainda na última semana
foi publicado um estudo que revela
que as mulheres portuguesas,
no trabalho, são pior remuneradas
que os homens. Há empresas,
muito honradas e muito bem cotadas
na bolsa de valores, que solidificam
receitas rejeitando emprego
a mulheres, nomeadamente
àquelas que estão em idade reprodutiva.
Naquela idade ótima
para certos patrões exercerem o
ainda tão sorridentemente aceitável
e compreensível assédio sexual.
Fora de casa, a mulher continua
a contar muito menos que o
homem. E dentro de casa? Na suposta
segurança do lar? Ainda
pior! Os relatórios das instituições
de proteção à vítima são unanimes
quando apontam para um
aumento desenfreado dos casos
de violência doméstica. Nesta
matéria, as estatísticas são ultrajantes.
Existem mulheres que,
durante anos a fio, foram e são
sistematicamente ameaçadas pelos
seus parceiros, humilhadas,
agredidas, violentadas, assassinadas.
Tudo isto debaixo de uma
cândida cumplicidade social, num
País onde a passionalidade rima
com permissividade. E na política?
E nos cargos de chefia? Onde
está a tão famigerada e badalada
paridade? Nas segundas linhas,
salvo raras exceções. Muito raras,
aliás. E é por tudo o que se disse e
por tudo o mais que ficou por dizer
que é embaraçoso e anacrónico
celebrar o Dia Internacional
da Mulher em pleno século XXI.
A melhor homenagem que podemos
prestar à mulher acontecerá
quando nos esquecermos dela a 8
de março. Sinal que, de facto, alguma
coisa mudou. Para melhor.
Para muito melhor.

quarta-feira, 5 de março de 2014

O Campo em Festa 15|mar|2014


Ciclismo em Cuba -9|mar|2014

A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cuba, em colaboração com o Clube Cuba Aventura e com o apoio da Câmara Municipal de Cuba, irá realizar o 1.º Grandfondo de Cuba. A prova terá lugar no dia 9 de março e conta com um percurso que lhe confere características ímpares ao nível da envolvência natural que a nossa região lhe confere.
A Vila de Cuba será o ponto de partida e chegada da prova, que levará os participantes a percorrer as bonitas estradas do concelho de Cuba, Vidigueira e Portel e a passar por locais de uma beleza inesquecível.

Link para inscrições -> http://goo.gl/hIinA8
Link do Regulamento da Prova -> http://goo.gl/9Wvx36
Lista de Inscritos -> http://www.bvcuba.pt/
Página do evento:

terça-feira, 4 de março de 2014

Exposição de Fotografia no IPBeja


Workshop de Macrofotografia. 8|mar|2014 - Beja


Aprender a utilizar as varias técnicas para a fotografia Macro. As lentes close-up, tubos de extensão e lente invertida e muito mais com apoio de um manual explicativo das varias técnicas.
Formador Pedro Jordão.

As rosas dos meus tapetes

Para um jovem refugiado que vive com recordações de perda e de terror, o tempo é medido em termos do próximo balde de água, do próximo pedaço de pão, e da próxima chamada para a oração. Aqui, onde tudo — paredes, chão, pátio — é feito de lama, o coração de um rapazinho ainda consegue ansiar por liberdade, independência e segurança. E aqui, onde a vida é extremamente frágil, é a necessidade que cria a força para resistir. Mas a força para sonhar vem do interior.
 
 É sempre o mesmo. Os jatos já me viram. Estou a correr demasiado devagar, porque tenho de puxar pela minha mãe e pela minha irmã. O terreno é traiçoeiro, cheio de crateras de bombas, e a minha mãe e a minha irmã impedem-me de avançar. Fui atingido em cheio. Quando estou prestes a morrer, ou pouco depois de ter morrido, acordo....

segunda-feira, 3 de março de 2014

1º Raid Clássicas - 09|mar|2014 - Cabeça Gorda

Inserido no 1º Festival da Silarca - Cabeça Gorda.

Prémios Para:

1º, 2º e 3º Classificados;

Inscrições - 5 Rodas

9º Maratona BTT ODEMIRA 9|mar|2014

O percurso da maratona passará pelo ponto mais alto do Concelho de Odemira (Serra de Algares), para chegar o topo os participantes vão se debater com uma subida de grande dificuldade física e técnica, por esse motivo o Clube BTT Odemira decidiu
premiar o primeiro atleta a passar o ponto mais alto (Torre de vigia florestal) da Serra de Algares, com a atribuição de um voucher de uma noite na Casa da Eira em Vila Nova de Milfontes e um voucher de uma refeição na Tasca do Celso igualmente
em Vila Nova de Milfontes, desde já o nosso agradecimentos à Casa da Eira e à
Tasca do Celso pela oferta. Emwww.clubebttidemira.com poderás inscrever-te e encontrar as informações do evento.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Diário do Alentejo Edição 1662

Editorial
Inverno
Paulo Barriga

Quando na rua vejo o
Inverno, não é o inverno
que avisto. Mesmo agora
que está esta morrinha parva e
frio e vento e lamaçal, quando o
Inverno aparece é a primavera
que dispara em todos os sentidos.
Não é o inverno que predomina.
Nunca é o inverno que prevalece,
quando se aproxima o Inverno. É
antes um raro tempero à base de
sol e de azul e de pássaros acabados
de chegar. Tão tranquilo
e empolgante, o Inverno, como
as ribeiras cheias de peixe o são.
Ou a sombra larga e rija de uma
azinheira o é. António é o outro
nome que por cá costumamos dar
ao Inverno. António Inverno. Um
alentejano de Monsaraz que foi
ainda rapaz para Lisboa aprender
os esconderijos e os preceitos
das belas-artes. Fez-se pintor.
Um belíssimo pintor, dizem os especialistas
do óleo e do pastel. E
fez-se gravador. Um incomparável
gravador, asseguram os peritos
de todas as oficinas. António
Inverno regressou ao Alentejo há
mais de uma década. Tem deambulado
entre Serpa e Beja. Por vezes,
os grandes mestres da pintura
visitam-no. Requisitam-no.
Querem-no. Por vezes, o Estado
atribui-lhe honrarias, menções,
comendas. Por vezes, penduram-
-lhe os quadros nas paredes de galerias,
de museus, de coleções privadas.
Por vezes, a maioria das
vezes, ninguém vê aproximar-se
o Inverno, ainda que a sua existência
infantil e meiga faça lembrar
a primavera. Sempre. Não
prestar atenção ao Inverno, principalmente
por parte daqueles
que habitam onde o Inverno também
escolheu habitar o ano inteiro,
é uma pena. Sim, pena é a
palavra certa para quem não sente
o Inverno. Fica mais pobre, que
disso não restem dúvidas, quem
tem à soleira da porta o Inverno e
nele não repara. E isso é uma pena.
Como faz pena que um dos mais
conceituados artistas-plásticos do
País ande aos repelões por uma cidade
como Beja sem que alguém
para ele abra os olhos. Com olhos
de sentir. Com olhos do coração.
É um crime de lesa-cultura não
estender uma mão ao Inverno, às
suas obras, ao seu génio, simplesmente
ao seu sorriso. É que todos
sabemos que os invernos, mesmo
os que não costumam ser,
não duram sempre.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

A Ponte Salazar sobre o rio Tejo em Lisboa - 1966



Filme documentário, realizado por Leitão de Barros, sobre a construção da ponte sobre o Tejo em Lisboa e sua inauguração a 6 de Agosto de 1966.
Para a ponte suspensa, toda a monumental fabricação metálica de 22.000 toneladas das peças de aço, destinado à viga de rigidez e tabuleiro, foi executada em Portugal nas oficinas da SOREFAME. Bem assim como a grelha metálica rodoviária. Para além de outras estruturas referidas pelo narrador fabricadas nos estaleiros norte.
Tempos em que a mão-de-obra caseira tinha uma incorporação muito significativa nas grandes obras nacionais.
Reparem que muitos dos trabalhos se realizavam a cerca de 70 metros acima do nível médio das águas do rio Tejo e, pelo que se vê, nenhum trabalhador utilizava qualquer sistema de segurança.
É bem evidente o à vontade como alguns trabalhadores se deslocavam naquelas vigas como se num corredor de um escritório se movimentassem, para não falar em registos de arrepiar quando estão a martelar em posições, aparentemente, de equilíbrio instável.

Este filme é um registo muito singular de uma obra que marcou o país naqueles anos.
Chamo a vossa atenção para a margem sul em que se veem apenas campos, longe de se adivinhar que um conglomerado habitacional iria emergir como cogumelos.

Nos Ares de Beja - Exposição de Fotografia


Território

Território. Não há palavra que esteja mais na moda. Principalmente em regiões como esta que as fotografias mostram. Terras despidas de gente. Gente entrada na idade. Idade que não perdoa. Como difícil perdão terão os escrivães que têm tecido as leis que obrigam as estas terras ficarem cada vez mais despidas de gente. Com gente cada vez mais entrada na idade. Na tal idade que começa a não ter perdão. Alentejano. É o mais sábio dos homens, o homem que habita o Alentejo. É um ser austero e astral, ao mesmo tempo. Isso vê-se, ou melhor sente-se, na relação cuidada que mantêm com o meio. Que é aquilo a que hoje, por estarmos na moda, chamamos território. O alentejano não ocupa um determinado território, neste caso o concelho de Beja. O alentejano é o próprio território. É parte integrante e indivisível da paisagem e da matéria. É, aliás, o elemento vertical da paisagem. Tudo o resto é horizontal nestas paragens: as sementeiras, as árvores, os rebanhos, as casas, as aldeias. Tudo menos ele. Mesmo quando tem necessidade de intervir na paisagem, o alentejano é religiosamente escrupuloso. E é precisamente do céu que se reconhece melhor essa sua religiosidade. As casas que habita, cobre-as com telhas do mesmo barro que pisa e cava e semeia. Pelo que as aldeias e as vilas e até as cidades que tece em emaranhados de ruas que escorrem para um largo, vistas de cima, não são localidades. São terra como toda a terra em volta. Cá em baixo é diferente. Cá em baixo unta as paredes de barro com pinceladas de cal. Com pinceladas de luz. Que é, afinal, tudo aquilo que nos traz a esta exposição: a luz, a terra, o homem, as aldeias… O território.


Paulo Barriga