segunda-feira, 14 de julho de 2014

Vila de Frades em Festa de 25 a 27|Jul|14 - Festas S. Cucufate


sábado, 12 de julho de 2014

Diário do Alentejo Edição 1681

Editorial
Ciganos
Paulo Barriga

Há um purismo instalado
nos media e nos meios do
Estado em geral que impede
a utilização do termo cigano.
Assim. Sem mais nem menos. A
abolição da palavra “cigano”, de
forma isolada, está relacionada
(mal relacionada) com uma certa
militância ativa contra a estandardização
do termo e a segregação
desta “raça”. Dizer “raça
cigana”, como aqui se disse, acarreta
uma emenda ainda pior que
o soneto. Para lá de ser um conceito
politicamente incorreto, a
noção de “raça”, utilizada para referir
diferentes “populações” da
mesma espécie biológica e com as
mesmas características genéticas,
há muito que cientificamente deixou
de se aplicar à Humanidade.
Poderíamos então aludir à existência
de uma “população cigana”.
A Biologia diz que sim. Que
“população” é um grupo de indivíduos
que acasalam uns com os
outros. Mas aí os problemas éticos
seriam os mesmos que encontraríamos
para “raça”. Já a Sociologia
propõe que uma “comunidade”
seja o conjunto de pessoas que
vive num certo espaço, por um
determinado período de tempo. O
que, sabemos bem, não se aplica a
esta “etnia”. “Etnia cigana” é a designação
que mais agrada aos puristas.
Mal, já que “etnia” define
uma ideia externa. A visão que
terceiros têm sobre um grupo de
pessoas com semelhanças biológicas
ou “culturais”. É uma espécie
de rótulo imposto pela “raça”,
“população” ou “etnia” dominante.
Resta, talvez, a “cultura cigana”.
Será? Numa acessão muito
aberta, “cultura” é o intricado somatório
dos costumes, das crenças,
da arte, das leis, nas normas
que faz de um determinado homem
elemento de uma certa sociedade.
E só quem não conhece
a história dos “ciganos”, a sua origem,
as migrações intermináveis
a que foram sujeitos, as deportações
coercivas a que foram sujeitos,
a dispersão e as perseguições
a que foram sujeitos é que pode
encontrar tal uniformidade cultural
mesmo entre as diferentes
famílias. Por muito próximas que
elas sejam. Veja-se o que aconteceu
há dias em Vidigueira. Uma
desavença entre famílias acabou
aos tiros. E a autarquia acabou
com as desavenças arrasando por
completo o local onde viviam. É a
Lei de Talião no seu estado mais
puro. Que é aplicável porque se
trata de ciganos. Que, como vimos,
é “gente” sem raça, sem população,
sem comunidade, sem
etnia, sem cultura. Mas será que
em certos locais do País “gente”
é um termo aplicável a “cigano”?
Já agora, “gente” é apenas um dos
diferentes sinónimos de “pessoa

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Diário do Alentejo Edição 1680

Editorial
Polícia
Paulo Barriga

Beja tem desde há um mês a
esta parte um novo comandante
distrital da Polícia de
Segurança Pública. Chama-se Paulo
Quinteiro e vem da Escola Prática
de Polícia, onde foi diretor-adjunto
desde 2008. Quinteiro vai chefiar
um comando cujos limites são as geografias
urbanas das cidades de Beja
e de Moura. As demais sedes de concelho
do distrito, assim como todo
o território rural, pertencem ao patrulhamento
da Guarda Nacional
Republicana. Em termos de criminalidade
geral participada às polícias, o
Baixo Alentejo tem um dos mais baixos
índices nacionais. E no que respeita
à criminalidade grave e violenta
é mesmo a região mais pacífica
de Portugal. Apesar de as estatísticas
não serem nada desconfortáveis,
Paulo Quinteiro refere que o seu objetivo
primeiro é fazer diminuir ainda
mais o número de ocorrências, nomeadamente
através de uma “maior ação
preventiva”. Mais polícias na rua, portanto.
A ideia primordial do novo comandante
é boa. Louvável, até. Quem
de bem não concordará com ele? Até
os sindicatos do setor assinam por
baixo, embora, ao contrário de Paulo
Quinteiro, considerem que os meios
humanos ao dispor do comando não
são suficientes. Aliás, com índices de
criminalidade tão baixos, onde algum
temor público advém, na grande
maioria das vezes, da guetização perfeitamente
mal engendrada e socialmente
questionável das comunidades
ciganas da capital de distrito, o
grande problema da Polícia de Beja
parece ser a própria Polícia de Beja. É
notório, de alguns anos a esta parte, a
melhoria individual e tática dos agentes
de polícia, nomeadamente das esquadras
de intervenção rápida e da
investigação criminal. Mas não deixa
de ser igualmente evidente, para não
dizer gritante, o estado a que chegaram
os meios de apoio a estes operacionais.
Nomeadamente ao nível
das viaturas, equipamentos e instalações.
Chega a ser caricato, para não
dizer penoso, assistir à chegada da
polícia em missão, conduzida em veículos
que qualquer cidadão teria dificuldade
em fazê-los passar na inspeção
automóvel. A esquadra de
atendimento é de uma frieza e desconforto
que congela a vontade de
qualquer um lá voltar. Ainda que pelo
bem. Tanto mais que, há vários anos,
a PSP paga renda de um edifício, a antiga
Escola Primária do Salvador, que
serve para muito pouco. Ou quase
nada. Fala-se, aliás, da passagem para
aquele espaço, por falta de uso, de algumas
pendências do Tribunal de
Beja. O discurso do novo comandante
da PSP é bom e tranquilizador para a
população. É um discurso para fora.
Mas, neste momento, quem mais precisa
de ajuda parece mesmo ser a própria
polícia. A melhor maneira de nos
ajudar a nós, de diminuir ainda mais
a criminalidade, é dando uma mãozinha
à corporação. Internamente. Ela
bem necessita. E nós também dela
bem necessitamos.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Diário do Alentejo Edição 1679

Editorial
66
Paulo Barriga

Esta semana, os 66 diretores
clínicos e não clínicos e os
responsáveis pelas unidades
intermédias de gestão do Hospital
de São João, no Porto, demitiram-
-se em bloco. Uma tomada de posição
dura, firme, e que, veja-se,
obteve a solidariedade do próprio
conselho de administração daquele
centro hospitalar. Os técnicos demissionários
alegam que, nas atuais
condições e circunstâncias, não
podem prestar um serviço de qualidade
aos doentes. Isto porque o São
João está subfinanciado, os equipamentos
estão obsoletos, faltam
materiais e medicamentos e a “asfixia
burocrática” imposta pela tutela
impede a contratação de pessoal
em falta no grande hospital
do Porto. Vai daí, segue uma cartinha
para o Governo. E nem foi preciso
redigir uma resposta em papel
timbrado, para o ministro Paulo
Macedo acenar com um acordo de
“natureza imediata” onde se propõe
resolver os problemas de recursos
humanos do Hospital de São
João, criar uma maior flexibilidade
nos investimentos e uma maior autonomia
daquela unidade hospitalar.
É evidente que os 66 do Porto
não retiraram os seus pedidos de
demissão. Apenas deram ao ministro
um prazo de 15 dias para resolver
os problemas, de facto. E depois
se verá. Os problemas do Hospital
de São João são os mesmos do hospital
de Beja. Corrijo, são os mesmos,
aos quais se acrescentam todos
os outros que têm a ver com a
interioridade, com o rácio populacional
e com a qualidade da gestão.
E, mais recentemente, com a requalificação,
por portaria governamental
de 10 de abril, das unidades locais
de saúde, ao abrigo da qual a
do Baixo Alentejo foi desqualificada.
Ficando em risco a existência
em Beja de especialidades como ginecologia/
obstetrícia (o que poderá
levar ao encerramento da maternidade),
oncologia, urologia, pneumologia,
cardiologia, otorrinolaringologia,
hematologia, reumatologia
e oftalmologia. Isto para já nem
falar do mais que certo encerramento
ou alienação do Hospital de
São Paulo, em Serpa. Parecem-me
“ias” em demasia para que se mantenha
este silêncio fúnebre ao nível
do conselho de administração
da Ulsba e, inclusivamente, ao nível
dos diretores clínicos e de gestão do
hospital de Beja. Um silêncio contrastante
com o ruído vitorioso dos
seus colegas portuenses. Um silêncio
que cheira a medo ou a alinhamento
cego e seguidista com as políticas
governamentais para a saúde.
Ou as duas coisas ao mesmo tempo.
Políticas governamentais, aliás, que
o próprio ministro reconhece serem
restritivas para a boa saúde dos hospitais.
Ou será que Paulo Macedo
reagiu à insubmissão coletiva do
Hospital de São João, como diriam
as nossas avós, ao jeito do “quem
não chora não mama”?

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Os Livros

Os livros. A sua cálida
Terna, serena pele. Amorosa
Companhia. Dispostos sempre
A partilhar o sol
Das suas águas. Tão dóceis
Tão calados, tão leais.
Tão luminosos na sua branca e vegetal cerrada
Melancolia.
Amados
Como nenhuns outros companheiros
Da alma. Tão musicais
No fluvial e transbordante
Ardor de cada dia.
Eugénio de Andrade

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Diário do Alentejo Edição 1678

Editorial
Pacto
Paulo Barriga

Esta semana, 17 entidades
da região assinaram um
pacto para o desenvolvimento
do Baixo Alentejo. Um
acordo abrangente que visa, no
essencial, uma coordenação de
vontades e de ideias para agir durante
e perante o próximo quadro
de apoios comunitários. Assinar
ou estabelecer um pacto é sempre
algo considerável. O pacto,
qualquer que seja, advêm do coletivo,
da concordância, da combinação
conjunta de estratégias.
E isso é algo que, infelizmente,
não se tem visto em abundância
neste território, para mal dos
pecados das populações. É certo
que Bruxelas alterou as regras do
jogo. Agora, para aceder ao principal
do bolo comunitário, é necessário
estabelecer parcerias,
desenvolver projetos com maior
amplitude e abrangência, colocar
a cabeça a funcionar, por conseguinte.
Estamos, mais coisa menos
coisa, na fase do enterro da
política de financiamento das rotundas.
Que é, mais coisa menos
coisa, o luto do individualismo
institucional, do protagonismo
eleitoralista, do atomismo saloio.
Bruxelas, ao exigir união, está finalmente
a ser nossa amiga. De
verdade. É certo que algumas rúbricas
do novo quadro comunitário
são demasiado restritivas
e até lesivas para as autarquias,
autonomamente. Mas, no essencial,
está a insuflar-nos um arzinho
daquilo que deve ser a região
agora e no futuro: uma
entidade coesa, solidária e agregada.
Há muito tempo que se
percebeu que no jogo do cada
um por si nunca ninguém ganha.
Para abrir a narrativa do romance
fundamental Por Quem
os Sinos Dobram?, Emingway
escolheu uma breve citação de
John Donne: “Nenhum homem
é uma ilha inteira de si mesmo”.
Um pensamento que se adapta na
perfeição a este pacto e a todos os
pactos futuros que a região exige.
É que muito do nosso isolamento,
muita da nossa irrelevância junto
do poder central, muito do nosso
imobilismo se deve precisamente
à inexistência de congregação de
vontades. Os ingleses têm uma
boa palavra para isto mesmo: lobby.
O Baixo Alentejo necessita
com urgência de criar um lobby
forte, atuante, abrangente, legítimo
e eticamente irrepreensível.
E este parece ser o momento
ideal para avançar com esse ajuntamento
de vontades. É importantíssimo
(e louvável) que o presente
pacto tenha sido emanado
da Comunidade Intermunicipal
do Baixo Alentejo. Que é, agora,
o único local onde as populações
da região têm voz. E quanto
maior for a sua voz, a voz de todos,
mais ela se fará escutar com
firmeza. Certamente.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

ARABICFEST - 20 A 22\junho|2014 - Beja







Mercado Livre 21 de junho 2014 - Beja


MARATONA DE FUTSAL - BEJA 21 E 22|


V FESTIVAL DA JUVENTUDE DE AMARELEJA 20 A 22|JUNHO14


FESTAS DA VILA - MÉRTOLA - 20 A 23|JUNHO|2014



I Encontro Nacional de Bandas Filarmónicas de Beja



Foto Reportagem (imagens não editadas)

Alpha Jet in GAF Service (Jabog 49 1993/94)