sexta-feira, 22 de agosto de 2014
quinta-feira, 21 de agosto de 2014
quarta-feira, 20 de agosto de 2014
sexta-feira, 15 de agosto de 2014
Diário do Alentejo Edição 1686
Editorial
Demência
Paulo Barriga
Até ao final do mês está em
discussão pública o relatório
que um grupo de trabalho
na área da psiquiatria preparou
para o Ministério da Saúde. Não
entendo muito bem o que se pretende
quando se diz “discussão pública”.
Mas os governos de Portugal
gostam muito de discutir publicamente.
Principalmente os estudos,
as avaliações, as propostas, as encomendas
bem remuneradas que fazem
aos amigos, nas mais diversas
áreas. A questão é que apenas se promove
discussão pública em matérias
onde alegadamente se pretende
que tudo mude, para que tudo torne
a ficar igual. É este o caso. Ora o que
traz o grupo de trabalho para discussão
pública? Nada que não saibamos
há muito, que não denunciemos
há muito, que não lamentemos
há muito. O Alentejo é a região do
País com o maior número de suicídios
e com os mais vastos e graves
problemas na área da saúde mental.
O Alentejo é a parcela do território
nacional onde existem menos psiquiatras
por habitante (um médico
para cada 50 mil pessoas, em Lisboa
existem cinco clínicos para o mesmo
universo populacional). E, mais inquietante,
no campo da psiquiatria
da infância e da adolescência apenas
há um especialista para cada 80 mil
habitantes. A mesma míngua acontece
com os enfermeiros especialistas,
com os técnicos de serviço social
e com os terapeutas ocupacionais.
As conclusões deste relatório nacional
dão conta, afinal, da lástima a que
chegaram os cuidados de saúde mental
no Alentejo e também no Algarve.
“Preocupante”, é o termo utilizado
pelos relatores. Importa saber, então,
o que se pretende agora discutir publicamente.
A doença? Ou a cura? A
doença está bem identificada, para
mal dos nossos pecados. O Alentejo
tem uma população envelhecida, empobrecida,
sem qualquer tipo de assistência,
isolada. Cujos sintomas, naturalmente,
se manifestam sobre a
forma de depressão ou de outras patologias
do foro psiquiátrico que, em
casos extremos de desespero, levam
a dependurar o pescoço numa corda.
Já a cura tem que se lhe diga. O mais
eficaz dos remédios carece de ser ministrado
a longo prazo: Inverter por
completo as políticas que levam à desertificação
humana no território e às
assimetrias regionais. É caro, em dinheiro,
este tratamento, mas nada
caro, em inclinação, para o poder central.
Já a curto prazo, e se a conclusão
do estudo é tão óbvia, o curativo que
tem de ser ministrado tem a ver com
a vinda de médicos, destas e de outras
áreas, para o Alentejo. Urgentemente.
O Hospital de Beja tem uma unidade
de psiquiatria novinha em folha que
não consegue inaugurar há anos por
carência de pessoal especializado.
Enquanto em Lisboa andam médicos
às cavalitas uns dos outros a brincar
aos relatórios. Afinal quem é que padece
de demência
quarta-feira, 13 de agosto de 2014
domingo, 10 de agosto de 2014
Noites de Guadalupe - 15 a 23 agosto 1014 - Vila de Frades
Vila de Frades volta a receber mais uma iniciativa, "Noites de Guadalupe". Concertos, música ao vivo, exposições, biblioteca e museu aberto marcam mais um evento organizado pela Junta de Freguesia, numa clara demonstração de que trabalhar em parceria permite oferecer à comunidade local momentos culturais diferentes.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Diário do Alentejo Edição 1685
Editorial
Mãe
Paulo Barriga
A minha mãe faz hoje
80 anos. Nasceu a 8
de agosto de 1934,
na Horta dos Barretos, perto de
Serpa. Também foi em Serpa, na
igreja de Santa Maria, que o meu
avô a fez batizar. Logo depois vieram
morar para Baleizão, para
a Horta do Paço do Estejo. E daí
para muitas outras hortas quando
ainda as havia com fartura de verdura
e de água no Alentejo. Não
me admira que ao meu avô lhe tenham
dado a alcunha de Manuel
da Horta, cognome que também
foi herdado pelo seu filho mais velho.
Foi a minha mãe, como tantas
mães e pais desta terra, criada no
campo, com os bichos, as ervas e
as pedras, a vida toda, sem ver escola
nem livros. Foi no campo que
desde pequenina trabalhou. Nas
mondas, nas ceifas, na azeitona,
em todas as necessidades urgentes
da terra. Aos 20 e poucos casou. E
veio para Beja. Primeiro para uma
horta, naturalmente, as Terras
Frias, e depois para a cidade. Onde
cuidou dos afazeres da casa, criou
os filhos e arranjou doenças que a
fizeram andar internada de hospital
em hospital quase por duas
décadas. É de estatura pequena,
a minha mãe, mas grande como
poucas em força e em ânimo e em
alento. Coisa que ganhou nas hortas,
por certo. E que ainda hoje,
que faz 80 anos, lhe vale. E sempre
lhe valeu para ultrapassar as
adversidades da vida, tantas, que
o estimado leitor pode muito facilmente
imaginar, sem se socorrer
de qualquer ajuda narrativa
da minha parte. Ainda para mais,
tratando-se, indubitavelmente, da
melhor mãe do mundo. Dá-se o
caso que a melhor mãe do mundo,
afinal, vale muito pouco ou quase
nada. Depois de todas as provações,
depois de tanta persistência,
depois de tanta luta e de tantos
rasgos heroicos, o Governo desta
nação calculou que a minha mãe
valia 300 euros por mês. Apenas e
só. Qualquer político Batman, tão
veloz a passar por algum cargo
público como um cão passa numa
vinha vindimada, vale 10, 20, 30
vezes mais do que a melhor mãe
do mundo. Esses mesmos políticos
que agora consideraram que
a melhor mãe do mundo até valia
demasiado. E subtraíram-lhe
mais 500 e tal euros ao abrigo de
um imposto imoral e desumano
que se escreve com três letrinhas
apenas, como a palavra mãe também
se escreve: IRS. Um Governo
que trata desta forma indigna os
seus velhos, onde se inclui a melhor
mãe do mundo, não é merecedor
de respeito, nem de qualquer
tipo de deferência. Esses, o
respeito e a deferência, vão para
quem labutou uma vida inteira
para, no final, ser usurpado e humilhado.
Como é o caso da melhor
mãe do mundo, a minha, que
hoje faz 80 anos.
quarta-feira, 6 de agosto de 2014
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Diário do Alentejo Edição 1684
Editorial
Sucata
Paulo Barriga
Sucata não é bem a mesma
coisa que lixo. Embora
uma e outro possam ir
parar ao mesmo balde. Embora
uma e outro se enquadrem na
desagradável definição filosófica
de “esterqueira”. Cujo enunciado
começa com a seguinte
premissa: “ninguém os quer à
porta de casa”. Mas, de facto, sucata
não é bem a mesma coisa
que lixo. Lixo são mais os despejos
e as imundices definitivamente
e para todo o sempre descartáveis.
A que costumamos
virar as costas sem dizer adeus
e sem um pingo de remorsos. Já
a sucata é uma espécie de lixo
adiado. São coisas que já não
prestam, na verdade, mas que
ainda podem desenrascar. A sucata
é o limbo do lixo. É o cais
das barcas do lixo. Estudando
Gil Vicente saberemos que alguma
sucata terá a sua glória. A
maioria da sucata, nem por isso.
O presidente da Aeroportos de
Portugal deu uma entrevista à
SIC onde provou que o lixo também
pode ser mental. Disse ele
que o futuro de Beja poderá passar
não por um aeroporto, mas
por um contentor. Que é uma
das muitas maneiras de definir
“unidade de desmantelamento
de aeronaves”. Para além
de contentor, também se pode
substituir o termo por… parque
de sucata. Ou seja, o futuro económico
jubiloso do aeroporto
do Alentejo, com atividades ligadas
ao turismo e ao transporte
de passageiros, à logística
e às cargas com o florescimento
da agricultura e da agroindústria,
ao fabrico de componentes
aeronáuticos e à investigação,
esse futuro foi considerado
não reciclável. Foi para o lixo,
por conseguinte. Em seu lugar
virá algo duradouro, rentável e
apetecível. A sucata. “Um negócio
florescente” capaz de viabilizar
um equipamento que “ainda
apresenta resultados negativos”
(as imundícias entre aspas
são dele). Mas se transformar
um aeroporto novinho em folha
num cemitério de aviões velhos
é uma coisa assim tão boa, por
que raio veio parar a Beja? Seria
a primeira vez, desde o tempo da
serpente e do toiro, que tal aconteceria.
Pelo que é melhor desconfiar
um nadinha destas empresas
que se fixam para lucrar
o mais que podem e o mais rapidamente
possível. E que depois
dão à sola deixando para traz as
carcaças inaproveitáveis dos aviões
e os componentes poluentes,
perigosos e caros de acondicionar
e de reciclar. Ou seja, deixando
aos pacóvios o lixo da sucata.
Sim, porque sucata não é
bem a mesma coisa que lixo.
Sucata
Paulo Barriga
Sucata não é bem a mesma
coisa que lixo. Embora
uma e outro possam ir
parar ao mesmo balde. Embora
uma e outro se enquadrem na
desagradável definição filosófica
de “esterqueira”. Cujo enunciado
começa com a seguinte
premissa: “ninguém os quer à
porta de casa”. Mas, de facto, sucata
não é bem a mesma coisa
que lixo. Lixo são mais os despejos
e as imundices definitivamente
e para todo o sempre descartáveis.
A que costumamos
virar as costas sem dizer adeus
e sem um pingo de remorsos. Já
a sucata é uma espécie de lixo
adiado. São coisas que já não
prestam, na verdade, mas que
ainda podem desenrascar. A sucata
é o limbo do lixo. É o cais
das barcas do lixo. Estudando
Gil Vicente saberemos que alguma
sucata terá a sua glória. A
maioria da sucata, nem por isso.
O presidente da Aeroportos de
Portugal deu uma entrevista à
SIC onde provou que o lixo também
pode ser mental. Disse ele
que o futuro de Beja poderá passar
não por um aeroporto, mas
por um contentor. Que é uma
das muitas maneiras de definir
“unidade de desmantelamento
de aeronaves”. Para além
de contentor, também se pode
substituir o termo por… parque
de sucata. Ou seja, o futuro económico
jubiloso do aeroporto
do Alentejo, com atividades ligadas
ao turismo e ao transporte
de passageiros, à logística
e às cargas com o florescimento
da agricultura e da agroindústria,
ao fabrico de componentes
aeronáuticos e à investigação,
esse futuro foi considerado
não reciclável. Foi para o lixo,
por conseguinte. Em seu lugar
virá algo duradouro, rentável e
apetecível. A sucata. “Um negócio
florescente” capaz de viabilizar
um equipamento que “ainda
apresenta resultados negativos”
(as imundícias entre aspas
são dele). Mas se transformar
um aeroporto novinho em folha
num cemitério de aviões velhos
é uma coisa assim tão boa, por
que raio veio parar a Beja? Seria
a primeira vez, desde o tempo da
serpente e do toiro, que tal aconteceria.
Pelo que é melhor desconfiar
um nadinha destas empresas
que se fixam para lucrar
o mais que podem e o mais rapidamente
possível. E que depois
dão à sola deixando para traz as
carcaças inaproveitáveis dos aviões
e os componentes poluentes,
perigosos e caros de acondicionar
e de reciclar. Ou seja, deixando
aos pacóvios o lixo da sucata.
Sim, porque sucata não é
bem a mesma coisa que lixo.
terça-feira, 29 de julho de 2014
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