sábado, 29 de novembro de 2014
sexta-feira, 28 de novembro de 2014
Diário do Alentejo Edição n.º 1701
Sócrates
Paulo Barriga
Existem duas coisas que derrubam
uma nação. Há duas
coisas, aliás, que derrubam
qualquer um. E por isso também
derrubam uma nação que, numa
definição ligeira, é apenas um conjunto
de muitos, que habitam um
mesmo local, falam a mesma língua
e que não têm tiques culturais
tão diferenciadores quanto isso. As
duas coisas que derrubam uma nação,
esse conjunto de muitos num
mesmo local, que no caso concreto
são os portugueses de Portugal:
a barriga e a cabeça. Cabendo à
barriga, em primeira instância, e
quem o diz é o povo, alentar a cabeça:
“barriga cheia, cara alegre”.
Ou, para quem goste de olhar antes
pelo ângulo negativo, “barriga vazia,
não tem alegria”. Neste ponto
pouco há dizer. Vai para quatro
anos que o pouco que apenas entrava
na barriga da Nação passou
a quase nada. Para nem falar que
“o quase”, em tantas barrigas deste
covil, deixou de acompanhar “o
nada”. Ausentando-se “do nada”,
no tal ponto de miséria onde a alegria
não entra, como reza o ditado.
Mas o habitante da Nação portuguesa
é portador de um gene raríssimo
e extraordinariamente resistente
à desgraça. Deve ser daí que
vem a tal locução popular do “fazer
das tripas coração”. “Para pior
antes assim”, dizem as mulheres
quando pedem fiado nas mercearias
ou quando, em nome da barriga,
humilham a cabeça nas filas
da caridade. Mas se é dado ao nativo
da nação esse dom invulgar
de silenciar os murmúrios da barriga,
mesmo quando eles, os murmúrios,
geram sinfonia, o mesmo
já não acontece quando é a cabeça
diretamente atingida. Como hoje
acontece com voraz persistência. O
estado de imoralidade, de devassidão,
de depravação a que chegaram
as instituições da Nação não deixa
alternativa ao nativo. O delírio, originado
pela sequência de escândalos
políticos e financeiros ao mais
alto nível, é o primeiro sintoma da
depressão que acomete coletivamente
a Nação. Em cada cavadela,
minhoca. Quando por escassos
instantes se enchem os pulmões de
ar, julgando que a coisa caiu bem
no fundo, eis que se abre no imediato
novo alçapão. Mais fundo e
mais negro que o antecedente. Não
há cabeça que aguente isto. Não há
nação que resista ao duplo estado
aviltante da barriga vazia e da cabeça
perdida. A justiça bem pode
encher os calabouços com os farrapos
da depravação, da ganância
e da corrupção imaginando, no
seu íntimo, que nada ficará como
dantes. Crendo que “uma cabeça
perdida deita muitas a perder”.
Embora me pareça que isto possa
acabar com uma tirada à antiga,
à grande e à grega: eles só saberão
que nada sabem.
quinta-feira, 27 de novembro de 2014
Cante alentejano já é Património Cultural Imaterial da Humanidade
A candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade foi apreciada esta quinta-feira pela Unesco que decidiu integrá-lo na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade.
De Paris, da 9.ª sessão do Comité Intergovernamental da Unesco para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Humanidade, chega hoje uma boa notícia para Portugal.
O cante alentejano, uma das 46 candidaturas, submetidas por vários países, à inscrição na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade, foi apreciada e aceite pela UNESCO, tal como sucedeu em 2011 .
FOTOS DAS COMEMORAÇÕES EM BEJA
FOTOS DAS COMEMORAÇÕES EM BEJA
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Cante Alentejano - Contagem decrescente para o Grande Dia
7Câmara Municipal de Vidigueira vai organizar, no próximo dia 26 de novembro, a iniciativa “Vidigueira apoia o Cante Alentejano”, a partir das 18 horas, no Mercado Municipal, com a atuação de grupos corais e instrumentais do concelho, magusto e prova de vinho novo.
Diário do Alentejo Edição 1700
Editorial
Coisas
Paulo Barriga
Ele há coisas que não lembram
ao demónio. Lembrar,
às vezes lembram. Mas ele
há coisas que a gente nem se quer
lembrar de se lembrar. Quem se
atreveria de lembrar, se não o vermelhuço,
que parte substancial da
torre alta do castelo de Beja iria
tombar? Lagarto, lagarto, lagarto!
Quem ousaria lembra-se de mandar
17 pessoas para o hospital por
causa de um inseticida marado
qualquer e, dois dias depois, repetir
a gracinha? Nem o demo! Quem,
de bom senso, nos dias que correm,
teria a lembrança de meter um hospital
nas mãos de privados, ainda
para mais argumentando poupanças
e melhoramentos, ao mesmo
tempo? Nem o chifrudo! Mas tudo
isto aconteceu numa das semanas
mais enxofradas de que há memória
nesta terra maninha. Pelo fim:
O Ministério da Saúde andou-andou
e lá passou para as mãos da
Santa Casa da Misericórdia de
Serpa o Hospital de São Paulo. O argumento
é dois em um: O Estado
poupa 25 por cento com a transferência
e, do outro lado, a Santa
Casa aumenta e melhora os serviços
de saúde a prestar à população.
Fantástico! Baseado, por certo, nos
bons exemplos de gestão das parcerias
público-privadas e nas exemplares
administrações das antigas
empresas públicas, o Governo encontrou
em Serpa a solução para os
seus desvarios orçamentais. Caiu
na tentação. Fazer mais, melhor,
com menos dinheiro, sem redução
de pessoal e sem que sejam os doentes
a pagar a brincadeira? Esta
é mesmo dos diabos! Pelo meio: O
belo e edificativo modelo de gestão
privada que é a PT, e que o Estado
passou igualmente à pressa para as
milagrosas mãos de privados, tem
em Beja um centro de atendimento
telefónico. Ao que se diz, trabalham
lá dentro para cima de trezentas almas.
Ao que se diz, trabalhar não é
bem o verbo aplicável aos trabalhadores
sub-sub-subcontratados da
PT. Talvez, esfolar. Ao que se disse
no sábado passado, andaram para
lá a matar os piolhos dos pombos e
quase matavam 17 trabalhadores.
Ao que se disse na segunda-feira,
andaram para lá a matar os piolhos
dos pombos e quase matavam 40
trabalhadores. Ao que se costuma
dizer em Portugal nestas situações,
vai-se abrir um inquérito. Ao que
se sabe como acontece nestas situações:
A culpa vai morrer solteira.
Pelo início: Como solteira morrerá
a culpa sobre o estado de deterioração
a que chegou o castelo de Beja.
Aliás, culpa é um valor demasiadamente
católico para a pira demoníaca
onde Portugal arde. Um Estado
que não cuida do que é comum,
como em Serpa, que deixa maltratar
cidadãos, como na PT, e que
deixa desmoronar a sua história,
como no castelo, não é um Estado,
é uma divina comédia. Cruzes, canhoto!
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
VIN&Cultura 2014 - Ervidel 22 e 23 novembro
Mostra de Artesanato, Produtos Regionais, Gastronomia, Rotas das Adegas, Animação de Rua, Poesia, Música Tradicional e Popular e “Somos Portugal” da TVI.
Noites Jovens Cabeça Gorda 29|nov|14
Aqui está, mais uma grande noite na companhia de grandes artistas, muitas surpresas durante toda a noite, na continuação do festejo do nosso 10º aniversário aqui vai mais um festão para toda a população e todas as faixas etárias. Venham divertir-se, nesta noite magnifica.
Parabéns Carlos do Carmo
No dia em que recebe o Grammy "Lifetime Achievement Award", Carlos do Carmo recebe a homenagem da Rádio Comercial
35 artistas cantam “Lisboa Menina e Moça”, um poema de José Carlos Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e Fernando Tordo com música de Paulo de Carvalho, que se tornou um tema emblemático de Lisboa, do Fado e da carreira de Carlos do Carmo.
Parabéns Carlos do Carmo
No dia em que recebe o Grammy "Lifetime Achievement Award", Carlos do Carmo recebe a homenagem da Rádio Comercial
35 artistas cantam “Lisboa Menina e Moça”, um poema de José Carlos Ary dos Santos, Joaquim Pessoa e Fernando Tordo com música de Paulo de Carvalho, que se tornou um tema emblemático de Lisboa, do Fado e da carreira de Carlos do Carmo.
segunda-feira, 17 de novembro de 2014
Escoteiros - Grupo 234 de Beja - Organiza "Jantar com Música" 21|nov|14
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
Diário do Alentejo Edição 1699
Editorial
Condicional
Paulo Barriga
O atual Governo, teso e
com uma boa dose de
má vontade à mistura,
está-se borrifando para o desenvolvimento
do Alentejo. Ou melhor,
ao tomar Alqueva como peça
única e isolada e suficiente para o
progresso da região está, no final
de contas, a condená-la a um fracasso
estrutural sem precedentes.
É evidente que a agricultura é um
dos pilares capitais, se não o sustento
fundamental, para o crescimento
económico deste vasto território
interior. Mas, de uma vez
por todas, alguém tem de dizer a
estes tipos que a água nas plantações
não basta. Não é fator suficiente
para gerar riqueza e muito
menos para distribuir riqueza,
criar empregos, melhorar a qualidade
de vida das populações. A
agricultura regada no Alentejo,
que perigosamente está a afunilar
na monocultura do olival, apenas
será um Eldorado se as culturas
forem diversificadas, amigas
do ambiente e, acima de tudo, se à
produção se juntar a transformação.
Mas que empresário doido se
atreverá a erguer uma fabriqueta
que seja numa região criminosamente
isolada, sem vias de comunicação,
perdida no fundo do
mapa? Nenhum, por certo! Não
é muito difícil perceber que o
Alentejo ainda não deu o tão reclamado
“salto” porque as suas
duas vias rodoviárias estruturantes
estão num estado pós-bélico.
E porque o seu principal eixo ferroviário
foi transformado numa
anedota sobre carris. E, já agora,
porque o aeroporto de Beja está às
moscas precisamente devido ao
impasse no melhoramento das estradas
(IP8 e IP2) e da ferrovia que
são “fatores que condicionam o
negócio”. As palavras que ficaram
entre aspas podiam ser, mas não
são, de algum político mais assanhado
proveniente dos partidos
da oposição. São da própria administração
da empresa que gere os
aeroportos de Portugal. É que, ao
contrário do forrobodó piadesco
que a propaganda governamental
promove através dos canais
mais insuspeitos, o aeroporto de
Beja não é um elefante branco. “É
um investimento estratégico”, é a
ANA que o diz, com “um grande
potencial”. Nomeadamente para o
incremento do setor turístico que,
a par da agricultura inteligente, é
(será) o segundo sustentáculo da
economia local. Embora ambos, a
lavoura e o turismo, estejam “condicionados”
pelo abandono propositado
e perverso e imoral das
principais estradas da região e da
linha de comboios que atravessa
o interior sul do País. Há quem
continue a articular o Alentejo no
tempo condicional. Quando nós
sempre tivemos um fraquinho
pelo gerúndio. E isso já vai fartando.
Condicional
Paulo Barriga
O atual Governo, teso e
com uma boa dose de
má vontade à mistura,
está-se borrifando para o desenvolvimento
do Alentejo. Ou melhor,
ao tomar Alqueva como peça
única e isolada e suficiente para o
progresso da região está, no final
de contas, a condená-la a um fracasso
estrutural sem precedentes.
É evidente que a agricultura é um
dos pilares capitais, se não o sustento
fundamental, para o crescimento
económico deste vasto território
interior. Mas, de uma vez
por todas, alguém tem de dizer a
estes tipos que a água nas plantações
não basta. Não é fator suficiente
para gerar riqueza e muito
menos para distribuir riqueza,
criar empregos, melhorar a qualidade
de vida das populações. A
agricultura regada no Alentejo,
que perigosamente está a afunilar
na monocultura do olival, apenas
será um Eldorado se as culturas
forem diversificadas, amigas
do ambiente e, acima de tudo, se à
produção se juntar a transformação.
Mas que empresário doido se
atreverá a erguer uma fabriqueta
que seja numa região criminosamente
isolada, sem vias de comunicação,
perdida no fundo do
mapa? Nenhum, por certo! Não
é muito difícil perceber que o
Alentejo ainda não deu o tão reclamado
“salto” porque as suas
duas vias rodoviárias estruturantes
estão num estado pós-bélico.
E porque o seu principal eixo ferroviário
foi transformado numa
anedota sobre carris. E, já agora,
porque o aeroporto de Beja está às
moscas precisamente devido ao
impasse no melhoramento das estradas
(IP8 e IP2) e da ferrovia que
são “fatores que condicionam o
negócio”. As palavras que ficaram
entre aspas podiam ser, mas não
são, de algum político mais assanhado
proveniente dos partidos
da oposição. São da própria administração
da empresa que gere os
aeroportos de Portugal. É que, ao
contrário do forrobodó piadesco
que a propaganda governamental
promove através dos canais
mais insuspeitos, o aeroporto de
Beja não é um elefante branco. “É
um investimento estratégico”, é a
ANA que o diz, com “um grande
potencial”. Nomeadamente para o
incremento do setor turístico que,
a par da agricultura inteligente, é
(será) o segundo sustentáculo da
economia local. Embora ambos, a
lavoura e o turismo, estejam “condicionados”
pelo abandono propositado
e perverso e imoral das
principais estradas da região e da
linha de comboios que atravessa
o interior sul do País. Há quem
continue a articular o Alentejo no
tempo condicional. Quando nós
sempre tivemos um fraquinho
pelo gerúndio. E isso já vai fartando.
quinta-feira, 13 de novembro de 2014
quarta-feira, 12 de novembro de 2014
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