Editorial
Quase
Paulo Barriga
Esta quarta-feira quase tive
uma reunião com Pedro
Passos Coelho. É verdade!
Não foi o primeiro-ministro que
me fez o convite, é bom que se
diga, mas quase. Foi o presidente
do Partido Social Democrata, o
que é quase a mesma coisa, com
exceção do pin que um e outro
usam na lapela. Mas pronto, na
ideia de Passos Coelho, aproveitando
as visitas políticas ao
Alqueva e à Ovibeja, seria importante
falar com alguns diretores
de jornais da região. A reunião
esteve marcada para Évora,
que é quase aqui ao lado, mas foi
cancelada à última da hora por
motivos de força maior: a realização
do Conselho Nacional do
PSD, em Lisboa. Foi pena! A iniciativa
de convidar jornalistas
para uma conversa, à porta fechada
e sem direito a recolha de
som, quase teve a sua piada. De
mau gosto, mas quase teve a sua
piada, numa altura em que a parvoíce
e as piadas de mau gosto
quase tomaram por completo
a política nacional. O próprio
PSD, atrelado ao PS e ao CDS, na
passada semana, em vésperas da
comemoração do 25 de Abril, saboreou
a gracinha de tecer uma
iniciativa legislativa no campo
dos media que quase roçou o escarro.
A coisa é hilariante, inacreditavelmente
hilariante, embora
apenas dê para chorar. Três
deputados da República, representando
cada um dos partidos
do atrelanço, andaram durante
semanas a congeminar a criação
de uma comissão de exame prévio
com autoridade para obrigar
os órgãos de comunicação social
a apresentar os respetivos
planos de cobertura das campanhas
eleitorais que se avizinham.
São válidas e boas e apenas
pecarão por defeito todas as
comparações que se façam com
outros tempos. Pelo que não me
deterei em afocinhar ainda mais
na lama da sua idiotice os três
tristes palermas que, só pela rica
ideia, já deviam ter sido pontapeados
Parlamento a fora. O
que quase estive por perguntar
a Passos Coelho sobre o assunto
é se ele assinava por baixo
a criação desta nova comissão
de censura. O que quase estive
para dizer a Passos Coelho é que
o “Diário do Alentejo” será desobediente
e resistirá até às últimas
consequências a esta ou a
qualquer outra lei que limite ostensivamente
a liberdade de imprensa
e que seja intrusiva em
relação à linha, à organização e à
orientação editorial deste jornal.
É isto que quase estive para comunicar
a Passos Coelho na reunião
que quase esteve para acontecer
na última quarta-feira.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
quarta-feira, 29 de abril de 2015
CAMINHADA DO 1º. DE MAIO EM BEJA "DIA DO TRABALHADOR"
É já na próxima sexta feira que se realiza a 6ª. Caminhada ambiental, organizada pela Casa do Benfica em Beja, comparece e traz um amigo.
INSCRIÇÕES
Telemóvel 918184425 – (Eusébio)
E-mail: jeuzebio@gmail.com
Taça/troféu para o participante mais jovem e mais idoso
Fornecimento de águas e fruta
Aconselha-se: que cada participante deverá munir-se de: boné roupa e calçado confortável, Garrafa de água.
08H30 Concentração às junto à Rotunda do Pastor
09:00 Inicio da Caminhada
Percurso com cerca de 9 km de baixa dificuldade acessível a qualquer pessoa que esteja minimamente preparado fisicamente.
Quem sentir dificuldades em completar o trajecto pode optar aquando do reabastecimento pelo percurso mais curto alternativo.
A caminhada realiza se nos arredores da cidade onde se pode contemplar as magnificas paisagens alentejanas.
INSCRIÇÕES
Telemóvel 918184425 – (Eusébio)
E-mail: jeuzebio@gmail.com
Taça/troféu para o participante mais jovem e mais idoso
Fornecimento de águas e fruta
Aconselha-se: que cada participante deverá munir-se de: boné roupa e calçado confortável, Garrafa de água.
08H30 Concentração às junto à Rotunda do Pastor
09:00 Inicio da Caminhada
Percurso com cerca de 9 km de baixa dificuldade acessível a qualquer pessoa que esteja minimamente preparado fisicamente.
Quem sentir dificuldades em completar o trajecto pode optar aquando do reabastecimento pelo percurso mais curto alternativo.
A caminhada realiza se nos arredores da cidade onde se pode contemplar as magnificas paisagens alentejanas.
VIII PASSEIO DE CICLOTURISMO 32ª. OVIBEJA 2015 PEDALAR POR UMA CAUSA
A Secção de Desporto e Lazer da Casa do Benfica em Beja, informa que já estão abertas as inscrições para o 8º. Passeio de Cicloturismo a realizar no dia 03-05-2015, integrado no programa desportivo da 32ª. Ovibeja 2015 a maior feira agropecuária do sul do País.
O verdadeiro objetivo desta iniciativa é a angariação de fundos para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Beja, para ajudar a minorar as inúmeras carências que apresentam, para que possam continuar, no dia-a-dia, a prestar o melhor apoio e socorro as populações.
O verdadeiro objetivo desta iniciativa é a angariação de fundos para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Beja, para ajudar a minorar as inúmeras carências que apresentam, para que possam continuar, no dia-a-dia, a prestar o melhor apoio e socorro as populações.
7º BTT - Trilhos do Pisão - 03mai15 -Trigaches
O Clube de BTT Sempre A´Brir - Trigaches, informa que no dia 03 de Maio de 2015 , se realiza em Trigaches/Beja o 7.º BTT Pelos Trilhos do Pisão.
Podes participar a partir de 6,00 pedais.
Contamos com a tua presença.
Resumo:
Meia Maratona: 50 km - livre
Iniciados: 30 km - livre
BTT Familia: 15 km guiado
· Inscrições low cost: desde 6,00€ (participação s/seguro)
Pequeno almoço
Abastecimento de sólidos e líquidos (+/- 15, 25 e 40 km)
Provas cronometradas
Banhos
Lavagem de bikes
Sorteio de brindes
Troféus para os 3 primeiros classificados
Seguro de responsabilidade civil
· Almoço (6,00 €)
· Saco com lembranças (2,50 €)
· Seguro de acidentes pessoais (1,50 €) *
* O Seguro de Acidentes Pessoais é OBRIGATÓRIO.
segunda-feira, 27 de abril de 2015
Primeiro-Ministro e Ministra da Agricultura inauguram 32ª Ovibeja
A 32ª Ovibeja abre portas esta quarta-feira, 29 de Abril, com inauguração marcada para as 11h30, pelo Primeiro-Ministro, Pedro Passos Coelho e a Ministra da Agricultura, Assunção Cristas.
Esta edição da Ovibeja apresenta um programa muito diversificado de actividades que vão ao encontro dos diferentes públicos-alvo que todos os anos visitam a feira. Um dos pontos de interesse incide nos colóquios apresentados por expositores e organizadores. Entre os temas de grande actualidade que vão ser colocados em cima da mesa pela entidade organizadora da Ovibeja – a ACOS – Associação de Agricultores do Sul – é a “Sustentabilidade do Regadio na Península Ibérica”. A Mesa Redonda está agendada para o dia 30 de Abril (quinta-feira), às 14h30. Outro tema inscrito pela ACOS é “Olival e Azeites” programado para o dia 2 (sábado), às 11h00. Este colóquio antecede a cerimónia de entrega dos prémios aos vencedores do 5º Concurso Internacional de Azeites Virgem Extra – Prémio Ovibeja, agendada para as 12h30, no Pavilhão Sabor Alentejo.
Muitos outros são os temas em debate, tal como a apresentação de empresas e de projectos que integram um dos temas principais desta edição da Ovibeja: “Terra Fértil” que se apresenta em toda a feira mas também numa exposição em que são destacados pontos fortes do Alentejo no que respeita à Inovação agrícola e Agribusiness. O Campo da Feira é um dos espaços de inovação preenchido com as últimas novidades de maquinaria agrícola, dos serviços e da investigação científica ligada à produção.
Outro dos temas principais da 32ª Ovibeja é a homenagem ao Cante Alentejano com iniciativas diárias no Pavilhão do Cante onde está patente a Exposição Temática “O Nosso Cante” e que tem como auge o dia 2 de Maio (sábado) em que vão cantar em conjunto mais de duas mil pessoas de 106 grupos corais.
Animação é o que não falta na Ovibeja tanto mais que as “Ovinoites” prometem este ano grandes enchentes. Para o primeiro dia o palco está reservado, a partir das 22h30, para Mickael Carreira. No dia 30 é Pedro Abrunhosa & Comité Caviar a fazer as honras da casa, sendo que, no feriado, 1 de Maio, os protagonistas das “Ovinoites” é Richie Campbell & The 911 Band. Anselmo Ralph enche o Pavilhão Multiusos no dia 2, sábado.
“Todo o Alentejo deste Mundo” na Ovibeja de 29 de Abril a 3 de Maio.
Consulte toda a informação e não perca nada do que vai acontecer!!
domingo, 26 de abril de 2015
Diário do Alentejo Edição 1722
Editorial
Ideais
Paulo Barriga
O “Diário do Alentejo”, na sua
existência, está profundamente
ligado ao 25 de Abril.
Aos seus ideais. À sua génese. Para
além de, ao longo da sua história de
perto de 83 anos, ter sempre mantido
uma linha editorial com um assinalável
distanciamento sanitário
em relação às políticas do espírito impostas
pelo Estado Novo, nos tempos
imediatamente a seguir à Revolução
constitui-se como uma forte cidadela
em torno da defesa das liberdades individuais
e da democracia representativa.
Não deixa de ser curioso que
os anos quentes que se seguiram a
1974 foram precisamente aqueles que
mais dificuldades financeiras trouxeram
a um jornal cuja propriedade,
na ocasião, pertencia a privados. A
euforia noticiosa, efervescente, revelou-
se, afinal, inversamente proporcional
à evolução da saúde financeira
da empresa proprietária. A publicação
chegou mesmo a ser suspensa e
o seu espólio liquidado em hasta pública.
Costuma dizer-se que existem
males que vêm por bem. Este parece
ter sido o caso. Em 1982, os 18 municípios
da antiga província do Baixo
Alentejo juntaram-se em associação
com o propósito primeiro, e então
único, de resgatar o título do mais
emblemático periódico da região. Um
ato inédito não apenas pelo facto de,
em contraciclo com a vaga de privatizações
no setor, o Estado, através de
um conjunto de autarquias locais, se
ter tornado proprietário de um órgão
de comunicação, mas também pelo
inovador empreendimento que essa
ação gerou: a criação da primeira associação
de municípios do País. Mas
se, por um lado, o feito da inauguração
do associativismo intermunicipal
em Portugal ser amplamente celebrado
e reconhecido, já a posse de um
jornal informativo por parte de uma
estrutura composta por eleitos políticos
tem levantado fortes celeumas
ao longo dos anos. A questão é esta e é
recorrente: deverá o Estado, em qualquer
das suas instâncias, possuir órgãos
de comunicação social e garantir
a total independência editorial
dos mesmos? A resposta a esta questão
não gera consensos e a história recente
até nos alerta para profundas e
graves derrapagens éticas entre direções
editoriais, administrações e tutelas.
Dirijo o “DA” vai para quatro
anos e meio. Cheguei ao jornal através
de concurso público. Não nego
que, de quando em vez, sofra pressões
externas. Mas nada que, por
certo, não acontecesse igualmente
na esfera do privado. O que sei é que,
com a crise que se instalou no País e
que ganhou proporções drásticas na
região, o “DA” já não existiria se tivesse
sido reprivatizado. E também
sei que hoje este é um jornal isento e
um inflexível respeitador das regras
éticas e deontológicas da profissão. A
liberdade de expressão e de opinião
passa por aqui. E por isso se disse que
o “Diário do Alentejo” está profundamente
ligado ao 25 de Abril. Aos seus
ideais. À sua génese.
terça-feira, 21 de abril de 2015
“Comboio do Cante” entre Lisboa e a Ovibeja
A 32ª Ovibeja vai ser de homenagem ao Cante Alentejano sendo que, das mais de duas mil pessoas que vêm cantar à feira, mais de 600 vão chegar no “Comboio do Cante”.
Sob o lema “O Nosso Cante” vão ocorrer várias iniciativas durante todos os dias da feira, de 29 de Abril a 3 de Maio. O ponto alto da homenagem ao Cante acontece no dia 2 de Maio, sábado, em que vão entrar na Ovibeja mais de dois mil cantadores, de 105 grupos corais, para ecoarem em uníssono 5 modas. Os cantadores provenientes da zona da grande Lisboa vem no “Comboio do Cante” que vai transportar entre Lisboa e Beja mais de seis centenas de pessoas numa parceria entre a CP – Comboios de Portugal e a Comissão Organizadora da Ovibeja. O Comboio é fretado exclusivamente para o Cante na Ovibeja e parte da primeira estação, Lisboa Oriente, às 07h50, vai parando nas várias estações e tem chegada prevista a Beja por volta das 11h00.
O cante partilhado entre todos os homens e mulheres com raízes no Alentejo acontece às 16h00, no Pavilhão Multiusos, e tem como alinhamento “Alentejo, Alentejo”; “Dá-me uma gotinha de água”, “Ao passar a ribeirinha”, “Castelo de Beja”, e “Alentejo és nossa terra”.
---
A CP informa que os órgãos de comunicação social que queiram fazer a viagem do “Comboio do Cante” devem pedir autorização prévia. A pessoa de contacto é:
Ana Maria de Carvalho dos Santos
CP - Gabinete de Comunicação Institucional
CP - Gabinete de Comunicação Institucional
Telemóvel: 919 990 505
sexta-feira, 17 de abril de 2015
Primavera no Campo Branco de 17 abr a 17 mai 2015
Castro Verde celebra a partir desta sexta-feira, 17 de abril, mais uma Primavera no Campo Branco, uma iniciativa que tem as suas raízes nas oportunidades que abril semeou e que continua a apelar ao acesso à cultura e à educação para todos.
Com um programa diversificado, que abrange várias áreas artísticas, a Primavera no Campo Branco arranca a partir das18h00, no Parque Infantil de Castro Verde, com um conjunto de iniciativas onde se inclui a abertura da exposição de ilustração“Cante”, da autoria de Joaquim Rosa, a apresentação da linha de merchandisingalusiva à temática do Cante, Património Cultural Imaterial da Humanidade, e a atuação dos grupos corais “Os Ganhões” de Castro Verde, “As Ceifeiras” de Entradas e “Os Carapinhas” de Castro Verde.
Nesta edição, o coletivo de artistas, artesãos e afins “A Terra Mexe” associa-se à CPCJ de Castro Verde na operação solidária “Filhos do Coração” e inspira-se na infância como temática para o desenvolver das suas criações, sensibilizando a comunidade para a importância de uma infância feliz. Também a Feira do Livro regressa ao espaço do Parque Infantil, onde permanecerá até dia 26 de abril.
À noite, a partir das 21h30, cabe ao músico Paulo Gonzo (concerto esgotado) fazer as honras de mais uma edição da Primavera no Campo Branco, com um concerto no Cineteatro Municipal de Castro Verde.
A multiplicidade de propostas segue até dia 17 de Maio, numa ação conjunta com o associativismo local, apresentando atividades pensadas para diferentes públicos e que tanto navegam pela tradição como pela contemporaneidade de estilos.
Em destaque nesta programação estão o 41º aniversário da Revolução de Abril e o Aniversário da Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca que, vinte anos depois, continua a desenvolver um importante trabalho em prol em do combate à iliteracia através do acesso à informação, com prioridade para a promoção da leitura e do livro.
Transversal também a esta programação é o Cante Alentejano, traço maior da nossa tradição que sempre esteve bem presente na Primavera no Campo Branco, mas que nesta edição importa sublinhar como forma de celebrar a sua inscrição na lista de Bens Culturais Imateriais da Humanidade pela UNESCO.
O público infantil volta a ser alvo de uma atenção especial, beneficiando de um conjunto de atividades que apelam à criatividade, à brincadeira e à imaginação.
Uma variedade de propostas que pretende dar continuidade à pluralidade cultural que desde sempre caracteriza a Primavera no Campo Branco e cuja dinâmica se quer cada vez mais abrangente e observadora das diferentes sensibilidades.
Informe-se de tudo o que vai acontecer. Viva mais Castro Verde!
(Site CM Castro Verde)
Diário do Alentejo Edição 1721
Editorial
Identidade
Paulo Barriga
A par de “território”, “identidade”
é a palavra de ordem
dos tempos que correm.
Na verdade, território e identidade
são grandezas inseparáveis,
embora nem sempre coincidentes.
Veja-se o caso de Portugal que tem
o território continental consistente
desde a Idade Média, mas que, em
termos identitários, acaba por ser
uma realidade recente, talvez nem
ainda hoje totalmente consolidada.
E essa ausência de um corpo
identitário comum, forte e abrangente,
diferenciador mas não folclórico,
é, talvez, o grande motivador
do atraso congénito de que
o País padece. O grande promotor
das assimetrias regionais insanáveis.
O grande causador da litoralização
das atividades humanas
e da desertificação dos territórios
interiores. Com facilidade se dirá
que Portugal tem língua e gramática
comuns ao seu todo geográfico
e que esse é o maior polo gerador
de identidade de um povo. É verdade!
Mas não basta. A compartilha
das ferramentas linguísticas
possibilita a comunicação. Mas se
a necessidade nos diz que podemos
comunicar, já a prática nos ensina
que o entendimento da mensagem
nem sempre acontece. É o que se
passa, por exemplo, no exercício
centralizado do poder. Os nossos
governantes aparentam saber da
existência de um País. Vemo-los
circular pelas serras e planícies
em tempo de eleições. Ouvimo-
-los prometer coisas sensatas apenas
nessas alturas. Sentimo-los
próximos e compreensivos e sensíveis
em campanha. Mas, na verdade,
toda a comunicação eleitoral
é apenas ruído. O político eleitoral,
para lá da amnésia que o toma de
forma aguda após os escrutínios,
olha mas não vê. Ouve mas não escuta.
Fala mas não diz. Finge conhecer
mas não compreende. E
não compreendendo, não dizendo,
não escutando, não vendo, o governante
pós-eleitoral, como acontece
de forma gritante quando toca ao
Alentejo, esquece. Apenas assim
se compreende o estado de abandono
a que chegou a região. Um
território pouco abonado em votos
nas urnas, é certo. Mas que hoje é
o destino turístico nacional por excelência,
cujos valores identitários
são reconhecidos internacionalmente,
cuja riqueza agrícola é incomparável,
cuja abastança mineral
é inigualável, cujo litoral junta,
harmoniosamente, o paraíso ambiental
e paisagístico com a grande
indústria marítima. O Alentejo,
porque tem uma identidade muito
própria na era do apagão global,
parece que cria urticária a quem
governa do centro para a periferia.
A quem sempre valoriza os números
por oposição à coisa humana. A
quem, em alturas bem específicas,
vem às aldeias, mas não tem capacidade
para ver as casas.
Identidade
Paulo Barriga
A par de “território”, “identidade”
é a palavra de ordem
dos tempos que correm.
Na verdade, território e identidade
são grandezas inseparáveis,
embora nem sempre coincidentes.
Veja-se o caso de Portugal que tem
o território continental consistente
desde a Idade Média, mas que, em
termos identitários, acaba por ser
uma realidade recente, talvez nem
ainda hoje totalmente consolidada.
E essa ausência de um corpo
identitário comum, forte e abrangente,
diferenciador mas não folclórico,
é, talvez, o grande motivador
do atraso congénito de que
o País padece. O grande promotor
das assimetrias regionais insanáveis.
O grande causador da litoralização
das atividades humanas
e da desertificação dos territórios
interiores. Com facilidade se dirá
que Portugal tem língua e gramática
comuns ao seu todo geográfico
e que esse é o maior polo gerador
de identidade de um povo. É verdade!
Mas não basta. A compartilha
das ferramentas linguísticas
possibilita a comunicação. Mas se
a necessidade nos diz que podemos
comunicar, já a prática nos ensina
que o entendimento da mensagem
nem sempre acontece. É o que se
passa, por exemplo, no exercício
centralizado do poder. Os nossos
governantes aparentam saber da
existência de um País. Vemo-los
circular pelas serras e planícies
em tempo de eleições. Ouvimo-
-los prometer coisas sensatas apenas
nessas alturas. Sentimo-los
próximos e compreensivos e sensíveis
em campanha. Mas, na verdade,
toda a comunicação eleitoral
é apenas ruído. O político eleitoral,
para lá da amnésia que o toma de
forma aguda após os escrutínios,
olha mas não vê. Ouve mas não escuta.
Fala mas não diz. Finge conhecer
mas não compreende. E
não compreendendo, não dizendo,
não escutando, não vendo, o governante
pós-eleitoral, como acontece
de forma gritante quando toca ao
Alentejo, esquece. Apenas assim
se compreende o estado de abandono
a que chegou a região. Um
território pouco abonado em votos
nas urnas, é certo. Mas que hoje é
o destino turístico nacional por excelência,
cujos valores identitários
são reconhecidos internacionalmente,
cuja riqueza agrícola é incomparável,
cuja abastança mineral
é inigualável, cujo litoral junta,
harmoniosamente, o paraíso ambiental
e paisagístico com a grande
indústria marítima. O Alentejo,
porque tem uma identidade muito
própria na era do apagão global,
parece que cria urticária a quem
governa do centro para a periferia.
A quem sempre valoriza os números
por oposição à coisa humana. A
quem, em alturas bem específicas,
vem às aldeias, mas não tem capacidade
para ver as casas.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
segunda-feira, 13 de abril de 2015
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Subscrever:
Mensagens (Atom)








.jpg)









