sábado, 3 de outubro de 2015
sexta-feira, 2 de outubro de 2015
Serpa Equestre 2 e 3 Outubro 2015
PROGRAMA
Dias 2 e 3 de Outubro, Herdade da Bemposta
Entrada livre
Programa
Dia 2 (sexta-feira)
09:00 – Início da Poule de Dressage
10:30 – Cerimónia de abertura
11:30 – Palestra "Arte Equestre/Cavalo Lusitano”, proferida pelo Dr. António Brito Paes (auditório da EPDRS)
14:30 – Continuação da Poule de Dressage
14:00 /18:00 – Passeios de charrete, demonstração de cães pastores e de falcoaria e batismo a cavalo (promovido pelos alunos do TGE da EPDRS no âmbito do Centro Hípico)
18:00/20:00 – Apresentação das Coudelarias
21:00 – Apresentação de arte equestre pelos alunos da EPDRS
22:00 – Espetáculos musicais com Grupo Coral da Bemposta e Grupo Rumbo Flamenco
Dia 3 (sábado)
09:00 – Passeio Equestre (programa próprio)
11:30 – Poule de Obstáculos
14:30 – Continuação da Poule de Obstáculos
14:00 /18:00 – Passeios de charrete, demonstração de cães pastores e de falcoaria e batismo a cavalo (promovido pelos alunos do TGE da EPDRS no âmbito do Centro Hípico)
18:00/20:00 – Apresentação das coudelarias
21:00 – Apresentação de arte equestre pelos alunos da EPDRS
22:00 – Gala Equestre Serpa 2015
23:30 – Espetáculo musical com o grupo "A Moda Mãe”
Diário do Alentejo Edição 1745
Odemira
Paulo Barriga
E, num repente, Odemira voltou
a fazer parte do mapa. As
eleições, as necessidades eleitorais,
têm destas coisas fenomenais,
assim ao jeito do milagre de Lázaro.
Já por várias vezes aqui falámos sobre
os sucessivos desmembramentos
do mapa territorial do naco mais
a sul do Alentejo. Da anexação incondicional
de quatro concelhos do
Baixo Alentejo ao distrito de Setúbal.
E, mais tarde, do rasgão que foi feito
ao distrito de Beja com a criação das
comunidades intermunicipais, perdendo-
se então a integralidade territorial
com a cessação do concelho de
Odemira. Diga-se, em abono da verdade,
que a imposta desincorporação
de Odemira ao mapa regional foi feita
sem grandes alaridos, de forma silenciosa,
e, lamentavelmente, isenta de
solidariedade por parte dos restantes
concelhos do interior. O normal, sempre
que há cisões na estrutura de um
território, seja ele qual for, é que estale
protestos, escaramuças, posições extremadas
ou, pelo menos, assobiadelas
e pateadas. Nada disto aconteceu com
o “chega para lá” que o Governo deu às
terras de Odemira. Todos se calaram.
Talvez porque todos, politicamente, tenham
ficado bem, num tempo em que
os números e o imediato contam mais
do que as pessoas e o seu futuro coletivo.
O problema é que os números são
o que são e valem o que valem. Ou melhor,
o valor que têm hoje pode ser exatamente
inverso à grandeza que poderão
representar amanhã. É o que está a
acontecer com Odemira, por estes dias
de eleições. Como o sistema eleitoral
português está organizado em círculos
distritais, Odemira voltou a contar.
E de que maneira. Primeiro, é um dos
concelhos mais populosos do distrito,
com um peso de decisão nas eleições
superior a 17 por cento. E, depois, porque
para aquelas bandas, o eleitorado
costuma “deslocar-se” com alguma
naturalidade. Nas Legislativas de 2011
muito se falou do “efeito Moedas”. Ou
seja, do elã que o candidato do PSD
conseguiu então ungir junto dos votantes
da região. Com Moedas, rapaz
da terra, os sociais-democratas atingiram
um resultado sem precedentes.
O curioso é que boa parte desse upa-
-upa do PSD se ficou a dever aos eleitores
de… Odemira. E os políticos perceberam
isso? Ah pois perceberam! O
PS não só lançou em segundo lugar da
lista o atual presidente da Câmara de
Odemira, como o seu líder nacional,
António Costa, não deixou de lá dar
um saltinho, na única aparição que fez
no distrito ao longo de toda a campanha.
A coligação que está no Governo
não tem deixado de calcorrear aquele
concelho e até organiza dois encerramentos
de campanha: um em Beja e
outro em… Odemira. E a derradeira
ação de campanha do cabeça-de-lista
da CDU, um jantar/comício, está marcado
para… Odemira. Mas será que
Odemira voltou mesmo a fazer parte
do mapa? Ou será apenas mais um daqueles
epifenómenos ao alcance da tão
famosa expressão: “é a política, estúpido”!
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
domingo, 27 de setembro de 2015
sexta-feira, 25 de setembro de 2015
Diário do Alentejo Edição 1744
Editorial
Suão
Paulo Barriga
Há muito que não corria
em Portugal um vento tão
fraturante como este que
agora se faz sentir. A aragem corre
do quadrante Sul. No Alentejo costumamos
apelidar este fenómeno
de “suão”. Coisa abafada e asfixiante
e intolerável, por vezes. O
suão que hoje nos atinge, como
todo e qualquer bom suão, também
é pegajoso. Cola-se à pele. A
questão é que este suão não é propriamente
uma massa de ar. É uma
“massa de pessoas”. De gente que,
como o vento, tenta migrar de regiões
com “altas pressões” para outras
onde a pressão é inferior. São
as dinâmicas normais da natureza.
Embora muitas vez se exclua
o Homem dos processos naturais.
Ou o Homem se exclua da própria
natureza. Não é difícil explicar o
modo como se deslocam as massas
de ar sobre a superfície da terra. Já
o mesmo não se dirá sobre as causas
que levam as massas humanas
a arrastarem-se sobre o mapa. A
guerra, a fome, o clima... Quando
nestes dias as televisões nos atiram
à cara milhares de seres humanos
a galgarem fronteiras apenas
com a roupa que trazem agarrada
ao corpo, o que nos está a mostrar
não é somente o drama dessa
gente, o terror que se esconde para
lá de cada um daqueles rostos, é o
medo. Mas não o medo que levou
essa mole humana a largar as suas
famílias, as suas casas, os seus lugares,
as suas pátrias. É o medo de
quem assiste ao drama de pantufas
calçadas. É o nosso próprio medo.
Um medo animalesco. Primário.
Tão mesquinho e tão repulsivo
como o terror que é imposto aos
migrantes nas suas terras de origem.
Como mesquinhos e imprudentes
são os argumentos daqueles
que se recusam a receber estas
pessoas na sua soleira. Dizem que
é gente de pouca confiança, que
ali pelo meio há terroristas, que
nos vêm islamizar, que não respeitam
nada nem ninguém, que nos
vêm retirar aquilo que é nosso…
Enfim, que é gente bárbara e nada
recomendável. Portugal é historicamente
um país de migrantes.
Ainda nos últimos anos, contas
por baixo, perto de meio milhão
de portugueses zarpou daqui para
fora. Pessoas que foram igualmente
impelidas pela fome e por um formato
de terrorismo mais “requintado”
a que os políticos gostam de
chamar austeridade. Estes portugueses,
estes nossos irmãos, foram
como costuma ir o vento: fugiram
às altas pressões. Para um qualquer
lugar que agora também já
lhes pertence. Julgar que os outros
são inferiores aos nossos é um cálculo
errado e de perfeita negação. É
certo que o suão, quando sopra cálido,
é quase irrespirável. Mas não
foi o povo português que inventou
o provérbio “o sol quando nasce é
para todos”?
Suão
Paulo Barriga
Há muito que não corria
em Portugal um vento tão
fraturante como este que
agora se faz sentir. A aragem corre
do quadrante Sul. No Alentejo costumamos
apelidar este fenómeno
de “suão”. Coisa abafada e asfixiante
e intolerável, por vezes. O
suão que hoje nos atinge, como
todo e qualquer bom suão, também
é pegajoso. Cola-se à pele. A
questão é que este suão não é propriamente
uma massa de ar. É uma
“massa de pessoas”. De gente que,
como o vento, tenta migrar de regiões
com “altas pressões” para outras
onde a pressão é inferior. São
as dinâmicas normais da natureza.
Embora muitas vez se exclua
o Homem dos processos naturais.
Ou o Homem se exclua da própria
natureza. Não é difícil explicar o
modo como se deslocam as massas
de ar sobre a superfície da terra. Já
o mesmo não se dirá sobre as causas
que levam as massas humanas
a arrastarem-se sobre o mapa. A
guerra, a fome, o clima... Quando
nestes dias as televisões nos atiram
à cara milhares de seres humanos
a galgarem fronteiras apenas
com a roupa que trazem agarrada
ao corpo, o que nos está a mostrar
não é somente o drama dessa
gente, o terror que se esconde para
lá de cada um daqueles rostos, é o
medo. Mas não o medo que levou
essa mole humana a largar as suas
famílias, as suas casas, os seus lugares,
as suas pátrias. É o medo de
quem assiste ao drama de pantufas
calçadas. É o nosso próprio medo.
Um medo animalesco. Primário.
Tão mesquinho e tão repulsivo
como o terror que é imposto aos
migrantes nas suas terras de origem.
Como mesquinhos e imprudentes
são os argumentos daqueles
que se recusam a receber estas
pessoas na sua soleira. Dizem que
é gente de pouca confiança, que
ali pelo meio há terroristas, que
nos vêm islamizar, que não respeitam
nada nem ninguém, que nos
vêm retirar aquilo que é nosso…
Enfim, que é gente bárbara e nada
recomendável. Portugal é historicamente
um país de migrantes.
Ainda nos últimos anos, contas
por baixo, perto de meio milhão
de portugueses zarpou daqui para
fora. Pessoas que foram igualmente
impelidas pela fome e por um formato
de terrorismo mais “requintado”
a que os políticos gostam de
chamar austeridade. Estes portugueses,
estes nossos irmãos, foram
como costuma ir o vento: fugiram
às altas pressões. Para um qualquer
lugar que agora também já
lhes pertence. Julgar que os outros
são inferiores aos nossos é um cálculo
errado e de perfeita negação. É
certo que o suão, quando sopra cálido,
é quase irrespirável. Mas não
foi o povo português que inventou
o provérbio “o sol quando nasce é
para todos”?
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
quarta-feira, 23 de setembro de 2015
Feira D’Aires de 25 a 28 de setembro de 2015
ÁTOA, António Zambujo e D.A.M.A. são os cabeças de cartaz de mais uma edição da Feira D’Aires que começa dia 25 setembro, em Viana do Alentejo.
Festas Póvoa de São Miguelde 24 a 29|set|2015
24/09 - Quinta-Feira
08:00h Alvorada de Morteiros
10:00h Abertura do Som de Rua
18:00h Apresentação do Livro da Terra
22:00h Rui Chora
25/09 - Sexta-Feira
08:00h Alvorada de Morteiros
10:00h Abertura do Som de Rua
22:00h Sevilhanas “A Mi Manera”
22:30h M&M
00:30h Largada Tradicional
01:30h Espéctaculo com o artista Miguel Azevedo Musico
26/09 - Sábado
08:00h Alvorada de Morteiros
09:00h Alvorada com a Banda Mouranense
10:00h Abertura do som de Rua
16:15h Corrida de Touros
22:00h Classe Operária
00:00h Fogo de artifício EUSISANTOS - IND DE PRODUTOS PIROTÉCNICOS, LDA.
00:15h Espéctaculo com o artista JOSÉ CID
02:00h GANDA BANDA
05:00h DeeJhy
27/09 - Domingo
08:00h Alvorada de Morteiros
09:00h Alvorada com a Banda Mouranense
10:00h Abertura do som de Rua
16:15h Novilhada (Ver programa próprio)
22:00h Va-de-moda
23:30h Sonido Andaluz
01:30h Estado-Maior
28/09 - Segunda-Feira
08:00h Alvorada de Morteiros
16:00h Vacada na praça de Touros
22:00h Ruben Filipe
29/09 - Terça Feira
08:00h Alvorada de Morteiros
15:30h Missa Solene
16:30h Procissão em Honra do Padroeiro
S.Miguel pelas principais ruas da aldeia
22:00h Jorge Nunes
01:30h Largada no Largo Luís de Camões
08:00h Alvorada de Morteiros
10:00h Abertura do Som de Rua
18:00h Apresentação do Livro da Terra
22:00h Rui Chora
25/09 - Sexta-Feira
08:00h Alvorada de Morteiros
10:00h Abertura do Som de Rua
22:00h Sevilhanas “A Mi Manera”
22:30h M&M
00:30h Largada Tradicional
01:30h Espéctaculo com o artista Miguel Azevedo Musico
26/09 - Sábado
08:00h Alvorada de Morteiros
09:00h Alvorada com a Banda Mouranense
10:00h Abertura do som de Rua
16:15h Corrida de Touros
22:00h Classe Operária
00:00h Fogo de artifício EUSISANTOS - IND DE PRODUTOS PIROTÉCNICOS, LDA.
00:15h Espéctaculo com o artista JOSÉ CID
02:00h GANDA BANDA
05:00h DeeJhy
27/09 - Domingo
08:00h Alvorada de Morteiros
09:00h Alvorada com a Banda Mouranense
10:00h Abertura do som de Rua
16:15h Novilhada (Ver programa próprio)
22:00h Va-de-moda
23:30h Sonido Andaluz
01:30h Estado-Maior
28/09 - Segunda-Feira
08:00h Alvorada de Morteiros
16:00h Vacada na praça de Touros
22:00h Ruben Filipe
29/09 - Terça Feira
08:00h Alvorada de Morteiros
15:30h Missa Solene
16:30h Procissão em Honra do Padroeiro
S.Miguel pelas principais ruas da aldeia
22:00h Jorge Nunes
01:30h Largada no Largo Luís de Camões
terça-feira, 22 de setembro de 2015
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
Diário do Alentejo Edição 1743
Já
Paulo Barriga
Os cientistas vieram dizer
por estes dias aquilo
que o comum dos mortais
há muito tempo sabia. Ou, se
não sabia, pelo menos desconfiava.
Fortemente. A crise económica que
se abateu sobre o País fez disparar
a taxa de suicídio em Portugal de
forma assustadora. Para se ter uma
ideia, na viragem do século o flagelo
estava a sofrer um recuo na ordem
dos cinco por cento. Em 2012,
no zénite da austeridade, essa tendência
inverteu de forma diametral,
situando-se o aumento da incidência
de suicídios em mais de
22 pontos percentuais. A geografia
da calamidade também não é
surpreendente, ainda que carregue
consigo uma novidade: o Alentejo
continua a ser a região de Portugal
onde o suicídio é mais frequente,
embora a “mancha” se esteja a
alastrar a todo o interior centro e
norte. As causas deste “surto”, que
já aparenta feições de “epidemia”,
estão ao nível dos mais elementares
e fundamentais dos direitos
humanos: pobreza material e social,
privação no acesso aos cuidados
de saúde, iliteracia, isolamento
provocado pelo êxodo rural, fracas
condições de habitabilidade… A
incidência de suicídios nas regiões
do interior (46 por cento mais do
que nas grandes cidades) é assustadora
e revela, hoje mais do que
nunca, que já não existe um só País.
O mapa de Portugal está em definitivo
rasgado ao meio. E o rasgão
percorre-o de alto a baixo, longitudinalmente,
numa linha certeira e
cirúrgica. Que separa o litoral, sadio
e vigoroso, desta espécie de tumor
maligno em que os poderes
centrais transformaram o interior
ao longo das diferentes legislaturas.
O suicídio não é um problema
isolado, nem individual. É apenas
o mais dramático dos afloramentos
que o desespero, a falta de esperança
e o abandono social consegue
tomar. Por muitas voltas que
se lhe dê, por muitas maquilhagens
que se lhe façam, as responsabilidades
políticas sobre o estado
a que chegou o Portugal rural tem
rostos. E esses rostos vão a votos
nas eleições que se avizinham. Pelo
que, de uma vez por todas, em vez
de bailaricos e abracinhos, era importante
que os partidos com aspirações
a governar este País, rasgado
em dois, demonstrassem de
facto ao que vêm e ao que andam.
Que soluções imediatas, concretas,
urgentes, têm para esta gente que
não teme dependurar-se numa oliveira
ou que simplesmente apanha
a carreira daqui para fora. Sem
olhar para trás. Em tempo de eleições
o futuro é sempre muito risonho,
promissor, auspicioso. Mas
para o território interior, com todas
as doenças terminais que o
acomete, mal nutrido de esperança,
à beira do deserto, o futuro
é inadiável. É hoje mesmo. É agora.
É já! Percebem?
quinta-feira, 17 de setembro de 2015
Torneio de Futsal Beja
O Núcleo de Árbitros de Futebol Armando Nascimento - Beja organiza neste próximo sábado, dia 19 de Setembro, um Torneio de Futsal.
Participarão as seguintes equipas:
- Despertar SC
- ACD Luzerna
- NS Moura
- Ourique DC
Meias Finais às 15h e 17h.
19h00 - Demonstração de Muay Thai
20h00 - Jogo 3º/4º Lugar
22h00 - Final
sexta-feira, 11 de setembro de 2015
Diário do Alentejo Edição 1742
Editorial
11/9
Paulo Barriga
Há 14 anos, por volta da hora a
que passam os telejornais do almoço
em Portugal, espatifou-
-se contra a torre norte do World Trade
Center, em Nova Iorque, o primeiro dos
quatro aviões comerciais desviados por
comandos suicidas da Al-Qaeda. Um
atentado terrorista sem precedentes que
não apenas chocou o mundo, como lhe
mudou em definitivo a própria face. A
11 de setembro de 2001 a Humanidade
inaugurou uma nova era: a era do medo
global. De forma tardia, num sobressalto,
o Ocidente percebeu por fim que a violência
extrema e o terrorismo não eram coisas
exclusivas da indústria cinematográfica.
E que, tal como os hambúrgueres ou
como os dispositivos eletrónicos, o terror
também tinha acedido aos canais da
globalização. Como se veio a comprovar
mais tarde em Londres, Madrid, Paris
ou Boston. A guerra é a guerra. Embora
nenhum arsenal militar seja suficientemente
letal para combater um inimigo
invisível. Imprevisível. Cuja base de comando
ocupa um território interior: o
território do rancor. De um rancor que
vai muito para lá da aversão, que vai
muito para lá da compreensão, que vai
muito além da própria vida enquanto valor
fundamental. E, neste aspeto, a reação
dos EUA aos crimes do 11 de Setembro,
foi também ela um atentado. Em meia-
-dúzia de dias se fez aprovar o chamado
Ato Patriótico, cujo articulado antiterrorista
lançou as bases da “guerra ao terror”.
Na Casa Branca, a cara pintada
no centro do alvo era a de Ossama Bin
Laden, o líder da Al-Qaeda, então refugiado
no Afeganistão dos talibãs. George
Bush, enfatizando um discurso religioso
ultraconservador, mostrava-se ao
mundo como o novo cruzado contra o
“eixo do mal”. A guerra no Afeganistão,
lançada pouco mais de um mês após o 11
de Setembro e cujo prazo era de dois dias,
ainda hoje perdura. O Iraque de Saddam
Hussein era o segundo prato do cardápio
do presidente norte-americano, cuja
máquina de guerra se instala no pó do
deserto em março de 2003. Uma ofensiva
que não deixará pedra sobre pedra.
E que vai mostrando ao mundo os equívocos
quanto às motivações que presidiram
àquela campanha, as modernas formas
de tortura e a grande inovação para
presos alegadamente terroristas, detidos
arbitrariamente e sem direito a julgamento
mas com estadia garantida na
ilha caribenha de Cuba, de fronte para a
baía de Guantanamo. A ideia peregrina
da administração Bush de “aniquilar”
o terrorismo mundial deu no que deu.
Estilhaçaram-se os equilíbrios políticos,
étnicos, tribais e religiosos em boa parte
do mundo islâmico. Multiplicaram-se os
conflitos civis armados. Fundaram-se
aberrações transfronteiriças como o
Estado Islâmico. E inaugurou-se a maior
vaga de refugiados de que há memória
desde o tempo das SS. Faz hoje 14
anos que os piratas do ar levaram os aviões
para cima das Torres Gémeas e do
Pentágono. Mas o 11 de Setembro continua
a perdurar no que resta da cidade
histórica de Palmira, numa barcaça sobrelotada
em pleno Mediterrâneo, numa
estação de comboios de Budapeste… Ou
simplesmente numa amarga fotografia
obtida numa praia da Turquia.
11/9
Paulo Barriga
Há 14 anos, por volta da hora a
que passam os telejornais do almoço
em Portugal, espatifou-
-se contra a torre norte do World Trade
Center, em Nova Iorque, o primeiro dos
quatro aviões comerciais desviados por
comandos suicidas da Al-Qaeda. Um
atentado terrorista sem precedentes que
não apenas chocou o mundo, como lhe
mudou em definitivo a própria face. A
11 de setembro de 2001 a Humanidade
inaugurou uma nova era: a era do medo
global. De forma tardia, num sobressalto,
o Ocidente percebeu por fim que a violência
extrema e o terrorismo não eram coisas
exclusivas da indústria cinematográfica.
E que, tal como os hambúrgueres ou
como os dispositivos eletrónicos, o terror
também tinha acedido aos canais da
globalização. Como se veio a comprovar
mais tarde em Londres, Madrid, Paris
ou Boston. A guerra é a guerra. Embora
nenhum arsenal militar seja suficientemente
letal para combater um inimigo
invisível. Imprevisível. Cuja base de comando
ocupa um território interior: o
território do rancor. De um rancor que
vai muito para lá da aversão, que vai
muito para lá da compreensão, que vai
muito além da própria vida enquanto valor
fundamental. E, neste aspeto, a reação
dos EUA aos crimes do 11 de Setembro,
foi também ela um atentado. Em meia-
-dúzia de dias se fez aprovar o chamado
Ato Patriótico, cujo articulado antiterrorista
lançou as bases da “guerra ao terror”.
Na Casa Branca, a cara pintada
no centro do alvo era a de Ossama Bin
Laden, o líder da Al-Qaeda, então refugiado
no Afeganistão dos talibãs. George
Bush, enfatizando um discurso religioso
ultraconservador, mostrava-se ao
mundo como o novo cruzado contra o
“eixo do mal”. A guerra no Afeganistão,
lançada pouco mais de um mês após o 11
de Setembro e cujo prazo era de dois dias,
ainda hoje perdura. O Iraque de Saddam
Hussein era o segundo prato do cardápio
do presidente norte-americano, cuja
máquina de guerra se instala no pó do
deserto em março de 2003. Uma ofensiva
que não deixará pedra sobre pedra.
E que vai mostrando ao mundo os equívocos
quanto às motivações que presidiram
àquela campanha, as modernas formas
de tortura e a grande inovação para
presos alegadamente terroristas, detidos
arbitrariamente e sem direito a julgamento
mas com estadia garantida na
ilha caribenha de Cuba, de fronte para a
baía de Guantanamo. A ideia peregrina
da administração Bush de “aniquilar”
o terrorismo mundial deu no que deu.
Estilhaçaram-se os equilíbrios políticos,
étnicos, tribais e religiosos em boa parte
do mundo islâmico. Multiplicaram-se os
conflitos civis armados. Fundaram-se
aberrações transfronteiriças como o
Estado Islâmico. E inaugurou-se a maior
vaga de refugiados de que há memória
desde o tempo das SS. Faz hoje 14
anos que os piratas do ar levaram os aviões
para cima das Torres Gémeas e do
Pentágono. Mas o 11 de Setembro continua
a perdurar no que resta da cidade
histórica de Palmira, numa barcaça sobrelotada
em pleno Mediterrâneo, numa
estação de comboios de Budapeste… Ou
simplesmente numa amarga fotografia
obtida numa praia da Turquia.
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