A InediTradição, em conjunto com o projecto Arqueologia das Cidades de Beja, realizou escavações arqueológicas na Rua da Moeda, com o objectivo de confirmar e avaliar os contextos arqueológicos do século XVI, que revelaram a existência de uma casa da moeda, concessionada a um privado por D. João III.
Levantamento de documentação histórica da Casa da Moeda (Beja)
domingo, 29 de novembro de 2015
sábado, 28 de novembro de 2015
Ai Romana ai Romana ai Romana...!
Uma gasosa, por favor
Paulo Barriga
O meu pai era um homem de tabernas. Um
homem do tempo em que as tabernas eram
a casa dos homens. Pelo menos dos homens
assalariados, tal como o meu pai o era. Dos homens
que pela tardinha exaltavam esse raro oferecimento
de ainda terem trabalho. Engolindo de uma só vez
minúsculos copos de vinho. O vinho do trabalho.
Havia qualquer coisa de digno e de solene naquele ritual
ao sol-pôr.
As tabernas que os homens como o meu pai frequentavam
eram uma espécie de abadias. Locais de
culto cuja espessa atmosfera, toldada pelos odores próprios
ao sarro e ao mosto, quase dava para retalhar com
o aço das navalhas que os homens como o meu pai
guardavam no fundo das algibeiras. As tabernas cheiravam
aos homens e os homens cheiravam a taberna.
Um novo riscar de botas na soleira. Vêm cardadas,
as botas. Para durarem. Um grito metálico que vai diminuindo
ao longo do caminho. Breve. Apenas alguns passos
sobre o soalho coberto de inúteis aparas de madeira.
Chegou mais um. E um outro. E outro depois deste e daquele.
Seres cuja singularidade se dilui imediatamente na
coletiva e indomável vozearia que os homens costumam
produzir quando se juntam assim, desta forma, encostados
a um balcão de pedra mármore.
Dedais de vidro cheios de gasosa eram dados aos
rapazes que, como eu, iam agarrados às calças dos
pais para as tabernas. Acho que era uma espécie de
rito iniciático, este. A laranjada também poderia servir
ao batismo, mas a sua cor denunciava a farsa de
forma mais efetiva.
Ainda hoje não consigo perceber como é que a
“coisa” acontecia. Não consigo perceber como, nem
exatamente quando. Esforço-me, mas nada me
ocorre. A não ser um silêncio de sepulcro, íntegro e repentino.
Apenas importunado pelo puxar de uma ou
de outra catarreira. Nada mais.
Se fechar os olhos com firmeza ainda ouço esse
silêncio tão profundo, como precário. Que se desfaz
no instante seguinte, subjugado por uma voz
funda, cheia, toante. Delicada e autoritária, ao mesmo
tempo. É a voz de um só homem que agora se impõe
à consentida mudez de todos os outros. É a voz de um
só homem, mas não é uma voz solitária. Nela parece
que cabe um povo por inteiro.
Dentro da minha cabeça permanece até hoje a
dolência desse impulso. Como se as palavras cantadas
fossem ondas e espuma e o arrastar da moda maresia.
As palavras. Mas as palavras ateimam e insistem em
falar de outro mar. Do mar de dentro. Da terra. E de
dívidas por saldar entre ambos. Entre o homem e a
terra. Durante a vida e até para lá da morte.
Como um silvo de uma locomotiva a irromper
pela imensa solidão, outra voz. Mais fina, esta, mais
atrevida. Insolente, quase. E mesmo antes que ela se
imponha, apoteótica, todas as outras, de fundo grave
e poderoso, se lhe juntam. Numa espécie de abraço
apertado. De reconciliação. A terra paga-me em vida,
eu pago à terra em morrendo.
Foi a poder de copos de gasosa que me dei conta
da religiosidade destes homens. Praticantes de um
culto tão profundo, tão genuíno, tão verdadeiro, tão
longínquo e tão identitário como a sombra de uma
azinheira. Ou como a calma no estio. Ou como uma
fonte de água fresca. Ou como uma pedra, apenas.
Não, os homens não cantavam na taberna para matar
o dia. Aquilo era um recomeço sempre inacabado de
qualquer coisa muito importante. Grande e transcendente.
Ainda hoje não sei dizer o quê. Desconfio, mas
não sei ao certo.
Ou talvez saiba. Faz agora precisamente um ano
que estive em Paris numa conferência da Unesco, enquanto
jornalista. Numa daquelas reuniões onde peritos
das sete partidas do mundo decidem quais os
“bens” que merecem constar numa lista que representa
as singularidades da Humanidade. E, entra elas,
estavam os cantares que o meu pai, e que os homens
como ele, entoavam nas tabernas, para se sentirem
verdadeiramente homens. Ao final do dia.
Percebi, afinal, que o cantar, que este nosso cantar,
detinha algo que nos excedia e ultrapassava. Que era
nosso, muito nosso, com certeza que sim, mas que não
nos pertencia em rigor. O cante estava, na verdadeira
razão da metáfora, nas mãos do mundo e o mundo
tomava-o como seu. Como se fosse uma gema muito
rara e preciosa.
A nós, que nos julgávamos proprietários unos e
indivisos do cante, restáva-nos assistir àquela examinação.
E aguardar. Em silêncio. Com aquele nó na
garganta, tão comum nas antecâmaras anexas às salas
de parto. Enquanto o mundo olhava para todas as
superfícies lapidadas que o cante tem, com um misto
de deslumbramento e de espanto. Uma sensibilidade
muito parecida àquela que nos toma quando reencontramos
alguém muito querido que não vemos há
demasiado tempo. Ou quando encalhamos no nosso
brinquedo predileto, uma vida inteira negligenciadamente
desaparecido.
Por fim, a sentença: Sim, aquilo que esta gente nos
canta, também nos pertence! Não foi bem assim, mas foi
assim mesmo que as palavras do porta-voz do mundo me
soaram, enquanto fazia embater contra o tampo da mesa
o martelo da razão. Não consegui conter as lágrimas.
Bem sei que à minha função se exige desprendimento
e sangue-frio. Confesso, nunca como no dia 27
de novembro de 2014 me senti tão comprometido. Não
apenas porque o cante acabava de ser inscrito e reconhecido
como expressão universal. Mas também porque
a sala onde o mundo inteiro se junta uma vez por
ano mergulhou, naquele preciso instante, num cavado
emudecimento perante a fortaleza intransponível das
vozes dos cantadores do rancho de Serpa.
Digo-o com sinceridade, naquele momento não
estava em Paris no auditório central da Unesco, nem
aqueles eram os cantadores da Casa do Povo de Serpa.
Estava numa qualquer taberna do Alentejo e quem se
ouvia era o meu pai e todos os homens que, como ele,
cantavam e ainda hoje cantam porque apenas dessa
forma se sentem inteiros.
Apeteceu-me beber uma gasosa.
Paulo Barriga
O meu pai era um homem de tabernas. Um
homem do tempo em que as tabernas eram
a casa dos homens. Pelo menos dos homens
assalariados, tal como o meu pai o era. Dos homens
que pela tardinha exaltavam esse raro oferecimento
de ainda terem trabalho. Engolindo de uma só vez
minúsculos copos de vinho. O vinho do trabalho.
Havia qualquer coisa de digno e de solene naquele ritual
ao sol-pôr.
As tabernas que os homens como o meu pai frequentavam
eram uma espécie de abadias. Locais de
culto cuja espessa atmosfera, toldada pelos odores próprios
ao sarro e ao mosto, quase dava para retalhar com
o aço das navalhas que os homens como o meu pai
guardavam no fundo das algibeiras. As tabernas cheiravam
aos homens e os homens cheiravam a taberna.
Um novo riscar de botas na soleira. Vêm cardadas,
as botas. Para durarem. Um grito metálico que vai diminuindo
ao longo do caminho. Breve. Apenas alguns passos
sobre o soalho coberto de inúteis aparas de madeira.
Chegou mais um. E um outro. E outro depois deste e daquele.
Seres cuja singularidade se dilui imediatamente na
coletiva e indomável vozearia que os homens costumam
produzir quando se juntam assim, desta forma, encostados
a um balcão de pedra mármore.
Dedais de vidro cheios de gasosa eram dados aos
rapazes que, como eu, iam agarrados às calças dos
pais para as tabernas. Acho que era uma espécie de
rito iniciático, este. A laranjada também poderia servir
ao batismo, mas a sua cor denunciava a farsa de
forma mais efetiva.
Ainda hoje não consigo perceber como é que a
“coisa” acontecia. Não consigo perceber como, nem
exatamente quando. Esforço-me, mas nada me
ocorre. A não ser um silêncio de sepulcro, íntegro e repentino.
Apenas importunado pelo puxar de uma ou
de outra catarreira. Nada mais.
Se fechar os olhos com firmeza ainda ouço esse
silêncio tão profundo, como precário. Que se desfaz
no instante seguinte, subjugado por uma voz
funda, cheia, toante. Delicada e autoritária, ao mesmo
tempo. É a voz de um só homem que agora se impõe
à consentida mudez de todos os outros. É a voz de um
só homem, mas não é uma voz solitária. Nela parece
que cabe um povo por inteiro.
Dentro da minha cabeça permanece até hoje a
dolência desse impulso. Como se as palavras cantadas
fossem ondas e espuma e o arrastar da moda maresia.
As palavras. Mas as palavras ateimam e insistem em
falar de outro mar. Do mar de dentro. Da terra. E de
dívidas por saldar entre ambos. Entre o homem e a
terra. Durante a vida e até para lá da morte.
Como um silvo de uma locomotiva a irromper
pela imensa solidão, outra voz. Mais fina, esta, mais
atrevida. Insolente, quase. E mesmo antes que ela se
imponha, apoteótica, todas as outras, de fundo grave
e poderoso, se lhe juntam. Numa espécie de abraço
apertado. De reconciliação. A terra paga-me em vida,
eu pago à terra em morrendo.
Foi a poder de copos de gasosa que me dei conta
da religiosidade destes homens. Praticantes de um
culto tão profundo, tão genuíno, tão verdadeiro, tão
longínquo e tão identitário como a sombra de uma
azinheira. Ou como a calma no estio. Ou como uma
fonte de água fresca. Ou como uma pedra, apenas.
Não, os homens não cantavam na taberna para matar
o dia. Aquilo era um recomeço sempre inacabado de
qualquer coisa muito importante. Grande e transcendente.
Ainda hoje não sei dizer o quê. Desconfio, mas
não sei ao certo.
Ou talvez saiba. Faz agora precisamente um ano
que estive em Paris numa conferência da Unesco, enquanto
jornalista. Numa daquelas reuniões onde peritos
das sete partidas do mundo decidem quais os
“bens” que merecem constar numa lista que representa
as singularidades da Humanidade. E, entra elas,
estavam os cantares que o meu pai, e que os homens
como ele, entoavam nas tabernas, para se sentirem
verdadeiramente homens. Ao final do dia.
Percebi, afinal, que o cantar, que este nosso cantar,
detinha algo que nos excedia e ultrapassava. Que era
nosso, muito nosso, com certeza que sim, mas que não
nos pertencia em rigor. O cante estava, na verdadeira
razão da metáfora, nas mãos do mundo e o mundo
tomava-o como seu. Como se fosse uma gema muito
rara e preciosa.
A nós, que nos julgávamos proprietários unos e
indivisos do cante, restáva-nos assistir àquela examinação.
E aguardar. Em silêncio. Com aquele nó na
garganta, tão comum nas antecâmaras anexas às salas
de parto. Enquanto o mundo olhava para todas as
superfícies lapidadas que o cante tem, com um misto
de deslumbramento e de espanto. Uma sensibilidade
muito parecida àquela que nos toma quando reencontramos
alguém muito querido que não vemos há
demasiado tempo. Ou quando encalhamos no nosso
brinquedo predileto, uma vida inteira negligenciadamente
desaparecido.
Por fim, a sentença: Sim, aquilo que esta gente nos
canta, também nos pertence! Não foi bem assim, mas foi
assim mesmo que as palavras do porta-voz do mundo me
soaram, enquanto fazia embater contra o tampo da mesa
o martelo da razão. Não consegui conter as lágrimas.
Bem sei que à minha função se exige desprendimento
e sangue-frio. Confesso, nunca como no dia 27
de novembro de 2014 me senti tão comprometido. Não
apenas porque o cante acabava de ser inscrito e reconhecido
como expressão universal. Mas também porque
a sala onde o mundo inteiro se junta uma vez por
ano mergulhou, naquele preciso instante, num cavado
emudecimento perante a fortaleza intransponível das
vozes dos cantadores do rancho de Serpa.
Digo-o com sinceridade, naquele momento não
estava em Paris no auditório central da Unesco, nem
aqueles eram os cantadores da Casa do Povo de Serpa.
Estava numa qualquer taberna do Alentejo e quem se
ouvia era o meu pai e todos os homens que, como ele,
cantavam e ainda hoje cantam porque apenas dessa
forma se sentem inteiros.
Apeteceu-me beber uma gasosa.
sexta-feira, 27 de novembro de 2015
I Grande Encontro do Cante - 32ª Ovibeja
Faz hoje um ano que o Cante foi reconhecido como Património Imaterial da Humanidade!
Diário do Alentejo Edição 1753
Editorial
Azeites
Paulo Barriga
O Alentejo está diferente. Em pouco
mais de uma década, os searões de cereal
deram lugar às florestas de oliveiras. De
celeiro da nação, o Alentejo, em especial o
território onde chega a água do Alqueva,
passou a lagar da Europa. O verde impôsse
ao amarelo doirado. Ao deserto sucedeu
o oásis. O Alentejo está diferente.
Mas será que o Alentejo da azeitona é assim
tão diferente do Alentejo do bago de
trigo? Nalgumas aspetos, sim, noutros…
É evidente que o incremento do olival
propiciou uma amável euforia ao nível
das empresas agrícolas. Obrigou a investimentos
como nunca até aqui se tinham
visto nem imaginado. E, se nalguns casos
ainda não está a ser, promete ser generoso
no retorno do empreendimento
feito. Isto em termos financeiros, claro.
Pela primeira vez Portugal é autossuficiente
nalguma coisa de real valor e essa
coisa é o azeite. O clima, a água e a qualidade
dos solos ajudam. Até os mercados
têm dado uma mãozinha. Na cor com
que se pinta, o Alentejo está realmente
diferente. A monocultura da oliveira
trouxe tonalidades pouco vistas nestes
campos ao nível da confiança, do atrevimento,
do risco, da esperança, quase da
euforia. Mas esta toada entusiástica pode
esconder, está a esconder, algumas zonas
de sombra. Uma delas é sem dúvida
a posse e o uso da terra. A quantidade e
sobretudo a qualidade extraordinária
do azeite aqui produzido têm proporcionado
boas e modernas práticas agrícolas,
mas também têm sido chamariz
para muitos aventureiros cujo objetivo
único é o lucro fácil e apressado. Em
Espanha existem exemplos pouco dignificantes
de como a soberba e o aventureirismo
podem matar em poucos anos
a galinha dos ovos de ouro. Se, por um
lado, a pressão agrícola desregrada nos
olivais pode ferir de morte o ambiente,
por outro, a pressão financeira e económica
pode abalar de forma empenhada
o tecido social. Não vale a pena continuar
a encobrir o que está à vista de todos. As
campanhas da azeitona estão a transformar-
se em autênticos mercados de escravos.
Por muito que as polícias redobrem
a atenção e intensifiquem as suas
atuações, multiplicam-se os casos de tráfico
humano nos olivais do Sul. Por esta
altura há gente aos magotes a viver em
condições desumanas, amontoada em
cubículos insalubres, subnutrida, explorada
até ao tutano. Gente que sobrevive
do rabisco não das oliveiras, mas dos
contentores do lixo dos supermercados
e das aldeias. Como é óbvio, nem todos
os produtores têm as mãos sujas. E cabe
precisamente a estes, aos que respeitam
as boas práticas ambientais e laborais,
o dever da denúncia. A subcontratação
de mão-de-obra não prova nem justifica
o desconhecimento e muito menos
o silêncio. Neste momento, podemos ter,
do ponto de vista organolético, o melhor
azeite do mundo. Mas está maculado
com trabalho escravo. Mesmo tratando-
-se de azeite, neste ponto, parece não haver
virgens e muito menos virgens-extra
quando o que escorre do aperto das
azeitonas é o néctar da desumanidade.
O Alentejo está diferente, mas se calhar
nem tanto quanto isso.
Azeites
Paulo Barriga
O Alentejo está diferente. Em pouco
mais de uma década, os searões de cereal
deram lugar às florestas de oliveiras. De
celeiro da nação, o Alentejo, em especial o
território onde chega a água do Alqueva,
passou a lagar da Europa. O verde impôsse
ao amarelo doirado. Ao deserto sucedeu
o oásis. O Alentejo está diferente.
Mas será que o Alentejo da azeitona é assim
tão diferente do Alentejo do bago de
trigo? Nalgumas aspetos, sim, noutros…
É evidente que o incremento do olival
propiciou uma amável euforia ao nível
das empresas agrícolas. Obrigou a investimentos
como nunca até aqui se tinham
visto nem imaginado. E, se nalguns casos
ainda não está a ser, promete ser generoso
no retorno do empreendimento
feito. Isto em termos financeiros, claro.
Pela primeira vez Portugal é autossuficiente
nalguma coisa de real valor e essa
coisa é o azeite. O clima, a água e a qualidade
dos solos ajudam. Até os mercados
têm dado uma mãozinha. Na cor com
que se pinta, o Alentejo está realmente
diferente. A monocultura da oliveira
trouxe tonalidades pouco vistas nestes
campos ao nível da confiança, do atrevimento,
do risco, da esperança, quase da
euforia. Mas esta toada entusiástica pode
esconder, está a esconder, algumas zonas
de sombra. Uma delas é sem dúvida
a posse e o uso da terra. A quantidade e
sobretudo a qualidade extraordinária
do azeite aqui produzido têm proporcionado
boas e modernas práticas agrícolas,
mas também têm sido chamariz
para muitos aventureiros cujo objetivo
único é o lucro fácil e apressado. Em
Espanha existem exemplos pouco dignificantes
de como a soberba e o aventureirismo
podem matar em poucos anos
a galinha dos ovos de ouro. Se, por um
lado, a pressão agrícola desregrada nos
olivais pode ferir de morte o ambiente,
por outro, a pressão financeira e económica
pode abalar de forma empenhada
o tecido social. Não vale a pena continuar
a encobrir o que está à vista de todos. As
campanhas da azeitona estão a transformar-
se em autênticos mercados de escravos.
Por muito que as polícias redobrem
a atenção e intensifiquem as suas
atuações, multiplicam-se os casos de tráfico
humano nos olivais do Sul. Por esta
altura há gente aos magotes a viver em
condições desumanas, amontoada em
cubículos insalubres, subnutrida, explorada
até ao tutano. Gente que sobrevive
do rabisco não das oliveiras, mas dos
contentores do lixo dos supermercados
e das aldeias. Como é óbvio, nem todos
os produtores têm as mãos sujas. E cabe
precisamente a estes, aos que respeitam
as boas práticas ambientais e laborais,
o dever da denúncia. A subcontratação
de mão-de-obra não prova nem justifica
o desconhecimento e muito menos
o silêncio. Neste momento, podemos ter,
do ponto de vista organolético, o melhor
azeite do mundo. Mas está maculado
com trabalho escravo. Mesmo tratando-
-se de azeite, neste ponto, parece não haver
virgens e muito menos virgens-extra
quando o que escorre do aperto das
azeitonas é o néctar da desumanidade.
O Alentejo está diferente, mas se calhar
nem tanto quanto isso.
terça-feira, 24 de novembro de 2015
1º aniversário da classificação do cante alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade - BEJA
A Câmara Municipal de Beja comemora o primeiro ano da classificação do cante alentejano como Património Imaterial da Humanidade nesta sexta-feira, dia 27.
A Câmara Municipal de Beja preparou para o primeiro aniversário da classificação do cante alentejano como Património Cultural Imaterial da Humanidade, que se assinala nesta sexta-feira, um conjunto de iniciativas que pretendem recordar esta data emblemática para a cultura alentejana.
Levar o cante às pessoas e constituir um incentivo de promoção turística são os objetivos da autarquia que preparou para este dia algumas surpresas. Estão previstas atuações inesperadas nas escolas, mas também em alguns espaços comerciais no centro histórico da cidade e uma instalação artística de fotografia “Retratos do Cante”, que estará patente na Praça da República, bem como exposições espalhadas pelos restaurantes do Centro Histórico.
Recorde-se que o cante alentejano, canto coletivo sem recurso a instrumentos, foi classificado a 27 de novembro de 2014, como Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Fonte :- RVP
segunda-feira, 23 de novembro de 2015
Festival da Batata-Doce de Aljezur 27, 28 e 29 de Novembro
Aljezur celebra, durante 3 dias, a melhor batata-doce do mundo, variedade lira, com indicação geográfica protegida.
A animação, o artesanato, a doçaria, a restauração, as combinações mais improváveis deste nobre produto, receitas únicas, elaboradas por conceituados chefes, confeções ao vivo, entre outros, são motivo bastante para visitar Aljezur, o Coração da Costa Vicentina, nos próximos dias 27, 28 e 29.
X MARATONA BTT TERRAS DO MONTADO - PORTEL 2015
A X MARATONA BTT TERRAS DO MONTADO - PORTEL 2015, já tem data marcada:
29 DE NOVEMBRO DE 2015 (Domingo)
As inscrições podem ser efectuadas na nossa página: http:// www.terrasdomontado.com/ até ao dia 27 de Novembro 2015.
Informação útil:
Meia-Maratona - aproximadamente 45 Kms dificuldade Média
Maratona - aproximadamente 65 kms dificuldade Média-Alta
Valores da Inscrição :
Homens - 20,00€ com almoço (inclui Seguro, Peq. Almoço, Abastecimentos, Almoço, Lavagem de bicicletas, Banhos, Lembranças )
Senhoras - 15,00€ com almoço (inclui Seguro, Peq. Almoço, Abastecimentos, Almoço, Lavagem de bicicletas, Banhos, Lembranças )
Homens e Senhoras - 10,00€ sem almoço (inclui Seguro, Peq. Almoço, Abastecimentos, Lavagem de bicicletas, Banhos, Lembranças )
Acompanhantes (Almoço) - 10,00 €
Inscrições limitadas a 300 atletas
Secretariado - À semelhança dos anos anteriores, o Secretariado funcionará no Pavilhão da escola E.B. 2, 3 D. João de Portel.
Contactos:
966622259 - Carlos Esturra
925898939 – Joaquim Alegria
Toda a informação útil, será colocada, logo que disponivel, no nosso site.
Sem mais assunto
Boas Pedaladas
29 DE NOVEMBRO DE 2015 (Domingo)
As inscrições podem ser efectuadas na nossa página: http://
Informação útil:
Meia-Maratona - aproximadamente 45 Kms dificuldade Média
Maratona - aproximadamente 65 kms dificuldade Média-Alta
Valores da Inscrição :
Homens - 20,00€ com almoço (inclui Seguro, Peq. Almoço, Abastecimentos, Almoço, Lavagem de bicicletas, Banhos, Lembranças )
Senhoras - 15,00€ com almoço (inclui Seguro, Peq. Almoço, Abastecimentos, Almoço, Lavagem de bicicletas, Banhos, Lembranças )
Homens e Senhoras - 10,00€ sem almoço (inclui Seguro, Peq. Almoço, Abastecimentos, Lavagem de bicicletas, Banhos, Lembranças )
Acompanhantes (Almoço) - 10,00 €
Inscrições limitadas a 300 atletas
Secretariado - À semelhança dos anos anteriores, o Secretariado funcionará no Pavilhão da escola E.B. 2, 3 D. João de Portel.
Contactos:
966622259 - Carlos Esturra
925898939 – Joaquim Alegria
Toda a informação útil, será colocada, logo que disponivel, no nosso site.
Sem mais assunto
Boas Pedaladas
quinta-feira, 19 de novembro de 2015
Diário do Alentejo Edição 1752
Editorial
Declaração
Paulo Barriga
Portugal está de luto. A sua segunda
maior cidade, Paris, foi
atingida pela ignomínia, mais
uma vez. Não, não vale a pena retomar
o discurso da amenização e do tempero.
Não vale a pela redizer que o islão não se
revê nesta barbárie, nesta cobardia. Não
vale a pena relembrar que um bom muçulmano
não ata à cintura uma carga de
explosivos para se fazer explodir no meio
de inocentes. De uma vez por todas: o
que aconteceu em Paris, em Londres,
em Boston, em Madrid, em Nova Iorque
nada tem a ver com o domínio religioso.
“Deus não tem misericórdia daquele
que não tem misericórdia dos outros”.
As palavras que ficaram atrás foram reveladas
pelo Arcanjo Gabriel ao profeta
Maomé. E são tão válidas na Europa ou
nos Estados Unidos, como em Beirute,
Alepo, Bagdade, Ancara ou Nairobi. É
um erro crasso tomar estes atos terroristas
como episódios de uma suposta
guerra santa que tende a alastrar às sete
partidas do mundo. A guerra existe, é
inegável, e está a revelar contornos de
perfeita insanidade. Mas tem tanto de
santa como a bomba de Hiroxima ou
o campo de Birkenau. Esta guerra, que
a tempos faz voar estilhaços sobre o
Ocidente, é uma guerra de nervos. Mas
não deixa de ser uma guerra convencional,
territorial, geopolítica, embora com
requintes de crueldade, não se dirá inéditos,
mas antes algo anacrónicos. Quem
imaginaria que, chegada a Humanidade
ao século XXI, se assistiria ao continuado
espetáculo ritualista de decapitações
sumárias, de apedrejamentos capitais,
de defenestrações impiedosas? Ao
rapto massivo e à escravização sexual de
crianças? À implosão festiva de joias patrimoniais
únicas? Ao ódio sem quartel
e sem qualquer ponta de afeto pela própria
vida? Sim, estamos em guerra. Mas
esta guerra, ao contrário do que veicula a
propaganda do agressor, tem um rosto: o
Estado Islâmico. Que quando há quatro
anos se autoproclamou não era estado,
nem islâmico. E que hoje prossegue sem
ser islâmico, embora talvez estado. Uma
vez que domina um território, tem governo
e exército próprio, cobra impostos,
financia-se e desenvolveu ordenamento
jurídico. O que é difícil de entender, ou
talvez nem por isso, é por que razão não
assume o Ocidente, de facto e no terreno,
a guerra que existe, que é cruel como
poucas, e que até nos é servida por estafetas
ao domicílio? Nenhuma outra
guerra recente o exigira tanto como esta.
Nunca, em nenhuma das outras, como
nesta guerra que ninguém quer pegar
pelos cornos, o negócio subterrâneo das
armas, do petróleo e das antiguidades foi
tão florescente. Sigam-se as enlameadas
pegadas do dinheiro e depressa se chegará
a Paris, a Beirute, a Nova Iorque e a
todos os locais onde a infâmia tem afrontado
a nossa maneira de ser, os nossos valores
fundamentais, a nossa civilização.
E assim talvez se perceba de vez que o
verdadeiro inimigo não está entre as hordas
de refugiados e nem sequer nos bairros
radicalizados das grandes metrópoles
europeias. Hoje os sinos dobram por
Paris. Amanhã por quem dobrarão?
Declaração
Paulo Barriga
Portugal está de luto. A sua segunda
maior cidade, Paris, foi
atingida pela ignomínia, mais
uma vez. Não, não vale a pena retomar
o discurso da amenização e do tempero.
Não vale a pela redizer que o islão não se
revê nesta barbárie, nesta cobardia. Não
vale a pena relembrar que um bom muçulmano
não ata à cintura uma carga de
explosivos para se fazer explodir no meio
de inocentes. De uma vez por todas: o
que aconteceu em Paris, em Londres,
em Boston, em Madrid, em Nova Iorque
nada tem a ver com o domínio religioso.
“Deus não tem misericórdia daquele
que não tem misericórdia dos outros”.
As palavras que ficaram atrás foram reveladas
pelo Arcanjo Gabriel ao profeta
Maomé. E são tão válidas na Europa ou
nos Estados Unidos, como em Beirute,
Alepo, Bagdade, Ancara ou Nairobi. É
um erro crasso tomar estes atos terroristas
como episódios de uma suposta
guerra santa que tende a alastrar às sete
partidas do mundo. A guerra existe, é
inegável, e está a revelar contornos de
perfeita insanidade. Mas tem tanto de
santa como a bomba de Hiroxima ou
o campo de Birkenau. Esta guerra, que
a tempos faz voar estilhaços sobre o
Ocidente, é uma guerra de nervos. Mas
não deixa de ser uma guerra convencional,
territorial, geopolítica, embora com
requintes de crueldade, não se dirá inéditos,
mas antes algo anacrónicos. Quem
imaginaria que, chegada a Humanidade
ao século XXI, se assistiria ao continuado
espetáculo ritualista de decapitações
sumárias, de apedrejamentos capitais,
de defenestrações impiedosas? Ao
rapto massivo e à escravização sexual de
crianças? À implosão festiva de joias patrimoniais
únicas? Ao ódio sem quartel
e sem qualquer ponta de afeto pela própria
vida? Sim, estamos em guerra. Mas
esta guerra, ao contrário do que veicula a
propaganda do agressor, tem um rosto: o
Estado Islâmico. Que quando há quatro
anos se autoproclamou não era estado,
nem islâmico. E que hoje prossegue sem
ser islâmico, embora talvez estado. Uma
vez que domina um território, tem governo
e exército próprio, cobra impostos,
financia-se e desenvolveu ordenamento
jurídico. O que é difícil de entender, ou
talvez nem por isso, é por que razão não
assume o Ocidente, de facto e no terreno,
a guerra que existe, que é cruel como
poucas, e que até nos é servida por estafetas
ao domicílio? Nenhuma outra
guerra recente o exigira tanto como esta.
Nunca, em nenhuma das outras, como
nesta guerra que ninguém quer pegar
pelos cornos, o negócio subterrâneo das
armas, do petróleo e das antiguidades foi
tão florescente. Sigam-se as enlameadas
pegadas do dinheiro e depressa se chegará
a Paris, a Beirute, a Nova Iorque e a
todos os locais onde a infâmia tem afrontado
a nossa maneira de ser, os nossos valores
fundamentais, a nossa civilização.
E assim talvez se perceba de vez que o
verdadeiro inimigo não está entre as hordas
de refugiados e nem sequer nos bairros
radicalizados das grandes metrópoles
europeias. Hoje os sinos dobram por
Paris. Amanhã por quem dobrarão?
quarta-feira, 18 de novembro de 2015
Moços da Aldêa - Inauguram sede dia 22|nov|15
Dia 22 Iremos ter a inauguração da nossa sede e Rota das tabernas com os nossos companheiros de Cante - Grupo Coral Os Boinas - Grupo Coral Os Mainantes - Grupo Coral Cantadores de Beringel - Grupo Coral Bafos de Baco....
sexta-feira, 13 de novembro de 2015
Diário do Alentejo Edição 1751
Editorial
Namíbia
Paulo Barriga
Esta semana caiu mais uma
boa notícia para o Alentejo
no que toca ao reconhecimento
dos seus valores culturais
por parte da Unesco. Os peritos
do Comité Intergovernamental
para a Salvaguarda do Património
Cultural Imaterial, cuja décima
sessão se realiza no final do mês
na capital da Namíbia, recomendaram
a inscrição da “arte chocalheira”,
cujo epicentro é a vila de
Alcáçovas, na lista representativa
dos “bens” com necessidade de salvaguarda
urgente. Embora não seja
um parecer vinculativo, sempre
que tal acontece, o Comité acaba
por acatar a opinião dos expertos
na matéria. Tudo indica, por conseguinte,
que daqui a duas semanas,
Portugal e o Alentejo, venham
a ter mais uma expressão artística
reconhecida como Património da
Humanidade. O que faz desta região
um verdadeiro caso de estudo
no que toca à sua herança imaterial.
Para se ter uma ideia da real dimensão
deste fenómeno basta lembrar
que, incluindo antecipadamente
o fabrico de chocalhos, Portugal
tem quatro expressões reconhecidas
pela Unesco: o fado, o cante e
a dieta mediterrânica, esta última
em conjunto com outros seis países.
Destas, duas apontam imediatamente
para o Alentejo e outra, a
dieta mediterrânica, não lhe é de
forma alguma indiferente. E não se
pense que se trata de uma incidência
recorrente. Em toda a Europa
apenas existem 21 “bens” reconhecidos
e, para fechar o foco de comparação,
em Espanha somente dois.
O mais curioso é que, no território
histórico do Alentejo, existe ainda
uma boa mancheia de expressões
culturais que podem, nos próximos
tempos, vir a ser inscritas na lista
representativa do património universal
e coletivo. É o caso das tapeçarias
de Arraiolos e de Portalegre,
das Festas do Povo de Campo Maior
ou das jangadas de canas de São
Torpes. Por cá, há quem sustente
que se está a banalizar esta importante
ferramenta internacional.
Argumentam os detratores que a
proliferação de candidaturas vulgariza
a verdadeira essência da lista da
Unesco: a excelência. Não é impróprio
reconhecer alguma razão nesta
crítica. Nem todo o bicho careto
tem espessura para ser patrimoniável.
Mas, aí, cabe aos detentores e às
instituições de proximidade, nomeadamente
as autarquias, promover
a autocrítica. Agora, o que parece
importante realçar é que o Alentejo,
na sua diversidade, é possuidor de
um conjunto de manifestações, de
artes e de práticas culturais que são
manifestamente diferenciadoras. E
é dessa variedade e da sacralização
desses mesmos bens, que emana
esta coisa tão própria, tão vincada
e tão difícil de definir que é o “ser
alentejano”. O Alentejo não tem
“patrimónios” a mais. O Alentejo é
em si património da humanidade.
Namíbia
Paulo Barriga
Esta semana caiu mais uma
boa notícia para o Alentejo
no que toca ao reconhecimento
dos seus valores culturais
por parte da Unesco. Os peritos
do Comité Intergovernamental
para a Salvaguarda do Património
Cultural Imaterial, cuja décima
sessão se realiza no final do mês
na capital da Namíbia, recomendaram
a inscrição da “arte chocalheira”,
cujo epicentro é a vila de
Alcáçovas, na lista representativa
dos “bens” com necessidade de salvaguarda
urgente. Embora não seja
um parecer vinculativo, sempre
que tal acontece, o Comité acaba
por acatar a opinião dos expertos
na matéria. Tudo indica, por conseguinte,
que daqui a duas semanas,
Portugal e o Alentejo, venham
a ter mais uma expressão artística
reconhecida como Património da
Humanidade. O que faz desta região
um verdadeiro caso de estudo
no que toca à sua herança imaterial.
Para se ter uma ideia da real dimensão
deste fenómeno basta lembrar
que, incluindo antecipadamente
o fabrico de chocalhos, Portugal
tem quatro expressões reconhecidas
pela Unesco: o fado, o cante e
a dieta mediterrânica, esta última
em conjunto com outros seis países.
Destas, duas apontam imediatamente
para o Alentejo e outra, a
dieta mediterrânica, não lhe é de
forma alguma indiferente. E não se
pense que se trata de uma incidência
recorrente. Em toda a Europa
apenas existem 21 “bens” reconhecidos
e, para fechar o foco de comparação,
em Espanha somente dois.
O mais curioso é que, no território
histórico do Alentejo, existe ainda
uma boa mancheia de expressões
culturais que podem, nos próximos
tempos, vir a ser inscritas na lista
representativa do património universal
e coletivo. É o caso das tapeçarias
de Arraiolos e de Portalegre,
das Festas do Povo de Campo Maior
ou das jangadas de canas de São
Torpes. Por cá, há quem sustente
que se está a banalizar esta importante
ferramenta internacional.
Argumentam os detratores que a
proliferação de candidaturas vulgariza
a verdadeira essência da lista da
Unesco: a excelência. Não é impróprio
reconhecer alguma razão nesta
crítica. Nem todo o bicho careto
tem espessura para ser patrimoniável.
Mas, aí, cabe aos detentores e às
instituições de proximidade, nomeadamente
as autarquias, promover
a autocrítica. Agora, o que parece
importante realçar é que o Alentejo,
na sua diversidade, é possuidor de
um conjunto de manifestações, de
artes e de práticas culturais que são
manifestamente diferenciadoras. E
é dessa variedade e da sacralização
desses mesmos bens, que emana
esta coisa tão própria, tão vincada
e tão difícil de definir que é o “ser
alentejano”. O Alentejo não tem
“patrimónios” a mais. O Alentejo é
em si património da humanidade.
quinta-feira, 12 de novembro de 2015
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