quarta-feira, 30 de novembro de 2016

No Dia Em Que o Rei Fez Anos (30|11|1960)



Vieram tribos ciganas
Saltimbancos sem eira nem beira
Evitaram a estrada real
E passaram de noite a fronteira

E veio a gente da gleba
Mais a gente que vivia do mar
Para enfeitar a cidade
E abrir-lhe as portas de par em par
No dia em que o rei fez anos
Houve arraial e foguetes no ar
O vinho correu à farta
E a fanfarra não parou de tocar
E o povo saiu à rua
Com a alegria que costumava ter
Cantando se o rei faz anos
Que venha à praça, para nos conhecer
Mas nesse reino distante
Quem tinha um olho era rei
Lá vai rei morto rei posto
Levado em ombros p'la grei
E a festa continuou
Já que ninguém tinha nada a perder
Só ficou um trovador
P'ra contar o que acabava de ver.
No dia em que o rei fez anos
Houve arraial e foguetes no ar
O vinho correu à farta
E a fanfarra não parou de tocar
E o povo saiu à rua
Com a alegria que costumava ter
Cantando se o rei faz anos
Que venha à praça, para nos conhecer
No dia em que o rei fez anos
Houve arraial e foguetes no ar
O vinho correu à farta
E a fanfarra não parou de tocar
E o povo saiu à rua
Com a alegria que costumava ter
Cantando se o rei faz anos
que venha à praça, para nos conhecer

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Diário do Alentejo Edição 1805

Editorial
Encruzilhada
Paulo Barriga

Por estes dias passam dois
anos sobre a inclusão do
cante na galeria dos patrimónios
imateriais relevantes para
a Unesco. E lá para o final da semana
que vem corre o primeiro
aniversário sobre o reconhecimento
internacional do fabrico de
chocalhos como uma arte a necessitar
de salvaguarda urgente. Isto
para nem falar das variadíssimas
expressões “identitárias” que diferentes
municípios do Alentejo,
com toda a legitimidade, pretendem
mostrar ao comité de cientistas
do património imaterial.
A mais recente será o fabrico artesanal
do vinho de talha, numa
candidatura conjunta das autarquias
de Aljustrel, Cuba, Moura e
Vidigueira. Esta é a matéria noticiosa
que damos hoje em grande
destaque no “DA”. Embora na última
semana tenha corrido uma
outra notícia que, infelizmente,
este jornal não traz, ainda: a putativa
instalação em Portugal de uma
mega unidade industrial da Tesla
Motors, que é um fabricante norte-
-americano de baterias e de carros
elétricos. O periódico galego “Faro
de Vigo” dava como forte a possibilidade
deste investimento vir a
acontecer na Península Ibérica,
graças à “quantidade de horas de
sol anuais” que por cá acontecem.
A Tesla utiliza o telhado das suas
unidades fabris para instalar centrais
fotovoltaicas. Daí a suposta
preferência dos investidores por
este canto ocidental para assentar
arraiais na Europa. Embora de cariz
internacional, a notícia não deixou
de fazer furor nas redes sociais,
principalmente nas contas de
utilizadores com ligações ao Baixo
Alentejo e a Beja, mais em concreto.
Bem negociadas as coisas,
bem oleados os canais diplomáticos,
comentou-se, à Tesla poderia
ser oferecida a oportunidade de se
instalar, com assinaláveis vantagens,
no parque industrial que em
projeto está afetado ao aeroporto
de Beja. Embora não passe de uma
simples conjetura, como tantas outras
passadas e outras que virão, o
“caso Tesla” não deixa de ser interessante
para assinalar a perfeita
encruzilhada que se perspetiva
para o futuro desta região do País.
A urgência de desenvolvimento
económico e social clama pela industrialização.
Embora tenha sido
precisamente a ausência continuada
dessa mesma industrialização
que deixou o território, a sua cultura,
as suas tradições, a sua identidade,
o seu ambiente, o seu património
construído, neste estado
“pré-industrial” que tanto nos orgulha
e que tanto sucesso tem obtido
junto da Unesco. Costuma dizer-
se que é impossível arrecadar,
ao mesmo tempo, o melhor dos
dois mundos. Mas inverter essa fatalidade
será, sem dúvida, o grande
desafio do Alentejo para os tempos
mais próximos.

Vitifrades 2016 - A festa do Vinho de Talha




Nos dias 9, 10 e 11 de dezembro todos os caminhos vão dar a Vila de Frades para a Grande Festa de tributo ao vinho de talha.

Marque já na sua agenda e fique atento ao programa...

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Diário do Alentejo Edição 1804

Editorial
Bolha
Paulo Barriga

Em linha de crescimento, tal
como acontece no resto do
País, mas não com tanta vitalidade,
tal como acontece em Lisboa
e no Porto, o mercado do imobiliário
começa a reemitir sinais de vitalidade
no Alentejo. É sempre assinalável,
ou de assinalar, algum incremento
nos negócios em todo e qualquer setor
da economia, principalmente
numa região onde essa economia é
pouco sustentada e quase nada variada,
dependendo em grande parte
de um comércio de consumo primário,
que é alimentado pelo funcionalismo
público e pelos serviços em geral.
A agricultura, pelo menos o ramo
transformador, que é aquele que gera
emprego, que produz valor e que, necessariamente,
mete dinheiro na economia,
ainda não propicia grandes
sorrisos. Por outro lado, embora se notem
maiores fluxos, ainda não há turismo
em quantidade para se assinalar
um crescimento em desmedida escala
do setor hoteleiro. Obras públicas
não se veem. No entanto, o mercado
do imobiliário começa a arrebitar.
Novamente. O que é, já se disse, uma
notícia entusiasmante. E preocupante,
ao mesmo tempo. Não é de esquecer
que foram os mercados especulativos,
o financeiro/bancário e o imobiliário,
juntos, que provocaram o terramoto
sobre a economia mundial, há coisa
de uma década atrás. As ondas de choque
desse abalo e as sucessivas réplicas
ainda hoje se fazem sentir, em concreto
nas economias estruturalmente
mais débeis, como é o caso da portuguesa.
Posto isto, importa saber quem
é que está a alimentar o novo disparo
do imobiliário, com que dinheiro e de
que forma. Segundo a Associação dos
Profissionais e Empresas de Mediação
Imobiliária em Portugal, a retoma no
Alentejo está a ser feita de duas maneiras.
Por um lado, através de investidores
estrangeiros que querem ter uma
segunda habitação em regiões de sossego
ou que espreitam negócios ao nível
do turismo residencial. Por outro
lado, e em simultâneo, verifica-se um
acréscimo na transação de alojamentos
familiares. O que não deixa de levantar
algumas dúvidas, em especial
depois de tudo o que a “crise do subprime”
originou e de onde, pelos vistos,
não se estão a retirar as devidas
lições. É certo que os bancos, aos poucos,
por uma questão de sobrevivência,
estão a aligeirar os créditos à habitação.
Não apenas com o intuito de gerar
fluxos financeiros que equilibrem
as suas próprias contas, mas também
para “despachar” os milhares de casas
de habitação que lhes foram “devolvidas”
em processos de incumprimento
no pico da crise. A construção civil na
região está parada, os imóveis que estão
a ser transacionadas para venda,
e raramente para arrendamento, não
são novos e, em boa parte, são pertença
dos próprios avaliadores e financiadores,
os bancos. E como, pelo que se vê e
sabe, não há mais dinheiro na economia
do que havia no verão de 2007…
Não tarda, rebenta a bolha. Outra vez.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

CPB recebe Sporting Clube de Portugal

HÓQUEI EM PATINS
 
 
"CPB recebe Sporting Clube de Portugal”
 
É já no próximo fim de semana que o Pavilhão Municipal de Beja “João Serra Magalhães” irá ser palco de mais uma grande Jornada para o Clube de Patinagem de Beja em Hóquei em Patins.
 
Na próxima Sexta_Feira dia 18 de Novembro, pelas 21:00h, em Séniores:
 
      “CP Beja – Sporting Clube de Portugal”


No próximo Domingo dia 20 de Novembro, pelas 16:30h, em Séniores:

      “CP Beja – GD Sesimbra”

 
no escalão de sub-15, Sábado, pelas 16:00h:
       "CP Beja - Criar T"
  
A iniciativa é uma organização do Clube de Patinagem de Beja, e conta com o apoio da Câmara Municipal de Beja e do Crédito Agrícola.
 
O CPB tem o maior prazer em convidar todas as pessoas que queiram assistir a estes jogos.

Vem apoiar o CPBeja…
 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Leonard Cohen morre aos 82 anos




A morte de Leonard Cohen foi anunciada na página de Facebook oficial do músico canadiano. "É com um profundo pesar que comunicamos que o lendário poeta, compositor e artista Leonard Cohen faleceu", diz a página do músico. "Perdemos um dos visionários mais respeitados e prolíficos da música", lê-se na mensagem. Leonard Cohen tinha 82 anos

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

48 Horas Automóveis Antigos Alentejo começam já amanhã - Já pode ver algumas Fotos








F O T O S - Click na imagem










Considerada como uma das provas de regularidade histórica mais antigas realizadas em Portugal, as 48 Horas Automóveis Antigos Alentejo, organizada pelo Clube Português de Automóveis Antigos, irão levar 80 veículos a percorrer as mais mediáticas estradas do Alentejo num fim-de-semana que promete emoções várias.

sábado, 14 de maio de 2016

RAID BTT ALVALADE PORTO COVO 15 maio 2016


III Beja Romana de 20 a 22 de maio 2016

O que precisa saber!

Diário do Alentejo edição 1777


Editorial

Ideologia

Paulo Barriga

Isto não tem nada de conjugal
ou de doméstico, mas a verdade
é que os políticos defendem
as… políticas. Aliás, não há
políticos sem políticas e a única
grande certeza que norteia este
enlace é que serão as políticas
que, mais tarde ou mais cedo, poderão
tramar os políticos, produzir
desgaste, obrigar ao divórcio
ou até mesmo à desgraça. Outra
questão fundamental entre nubentes:
existem políticas mais
marafadas do que outras, mais
daninhas, mais tramadas de aturar.
A reavaliação do financiamento
do Estado aos colégios privados
está a revelar-se uma dessas
políticas verdadeiramente travessas.
Na aparência, não há quem
lhe aponte um dedo: nos locais
onde chega a rede de serviço público
de ensino, o Estado não deve
comparticipar financeiramente o
funcionamento de escolas privadas.
Por mais desatento que ande
nesta vida, qualquer ser dotado de
sensatez dirá que se trata de uma
política justa, democratizante, integradora.
Mas como as aparências
costumam iludir, é preciso ir
com mais calma, com mais moderação,
no que respeita à avaliação
do carácter desta política. Até porque
há outros políticos que acham
que a livre escolha entre o ensino
público e privado e as espectativas
que alguns pais tinham em relação
ao percurso escolar dos seus
filhos não devem ser atraiçoadas
por este tipo de políticas cegas e
meramente economicistas. Este
é o típico caso de uma só política
que é batalhada por dois pretendentes
que não se topam, nem por
nada deste mundo, nem do outro.
E, de facto, esta é uma guerra de
mundos, como há muito se não
via no território político português.
Por um lado, os políticos que
defendem um Estado maior, mais
abrangente e funcional. Por outro,
aqueles que sustentam políticas
facilitadoras da economia de mercado
pura e dura e a primazia dos
agentes privados sobre o Estado.
Bem vistos e melhor compreendidos
os interesses em jogo, a guerra
que está reavivada em torno do financiamento
dos colégios é tão-somente
a peleja fundamental entre
as duas linhagens fundadoras do
parlamentarismo político: a esquerda
e a direita e as visões mais
ou menos conservadoras que cada
uma tem sobre a função e a qualidade
do Estado. Ou seja, mesmo
sem talvez se aperceberem, os políticos
portugueses parecem estar
a regressar ao fundamental
da sua existência, à ideologia, que
é a única maneira de tornar verdadeiramente
às pessoas e evitar
que estas virem as costas às políticas
dos políticos. E nem é necessário
ser grande político nem ter
frequentado um colégio privado
para perceber o alcance da coisa,
pois não?

Clube Desportivo de Beja em ano do Centenário


Dia 14 de Maio de 2016, 18H00 
Complexo Desportivo Fernando Mamede (Relvado)
FUTEBOL - VETERANOS
Clube Desportivo de Beja - Sporting Clube de Portugal
Entradas GRÁTIS!!!



Antes, às 17h00 vai realizar-se um jogo do escalão de Benjamins, CD Beja "A" - NS Beja
Uma demonstração de Muay Thai e ainda com a presença da Banda da Capricho Bejense que irá tocar o hino do CD Beja.

Diário do Alentejo Edição 1776

Editorial   
A Europa no seu labirinto

Paulo Barriga 

A Europa está em transe e
não é preciso auscultá-la
muito profundamente para
confirmar a sua agonia. A incapacidade
para resolver e para lidar com
as crises financeiras que estalaram
nos países da periferia foi apenas
o primeiro sintoma, o primeiro sinal
de alerta, de uma enfermidade
que se julgava leve e localizada, mas
que, afinal, tinha metástases espalhadas
por boa parte do seu organismo.
Maleita que a crise dos refugiados
veio evidenciar ainda mais,
deitando por terra a maior realização
política e económica da história
da Europa no pós-guerra: a livre circulação
de pessoas, bens, serviços
e capitais num território comum.
Mas se o reerguer de fronteiras já
de si é um péssimo indício da gravidade
da doença que tolhe a União
Europeia, ainda mais aterrorizador
é a retomada de muros cautelares
que, nalguns casos, envergonhariam
as próprias SS. Ou talvez não,
uma vez que os populismos, os nacionalismos,
os segregacionismos
e a intolerância fazem hoje parte
do cardápio de vários governos europeus
e alastram como uma epidemia
descontrolada entre largas
franjas da população do velho continente,
numa onda contagiosa que
se alimenta essencialmente da austeridade,
da precaridade, da instabilidade
e do medo. Sim, do medo.
Do medo em todos os seus diferentes
valimentos. Mas especialmente
do medo de proximidade. O terror
instalou-se no coração da Europa e,
por muitas narrativas que se produzam
a este respeito, trata-se de uma
produção caseira e não de uma importação.
Não perceber esse detalhe,
ou melhor, não estudar em profundidade
as razões que levam alguns
cidadãos europeus à radicalização e
ao extremismo, é continuar a manter
a cabeça enterrada na areia dos
desertos da Babilónia. O que, mais
tarde ou mais cedo, episódio após
episódio, levará a Europa, também
ela, à radicalização, ao desespero e,
até, à desagregação. Na realidade, a
Grã-Bretanha, ao promover um arriscado
referendo sobre a sua continuidade
no projeto europeu, o
chamado “brexit”, está a dar o primeiro
passo, o primeiro empurrão
nas costas da Europa, rumo
ao precipício. Faz por estes dias 20
anos que estive pela primeira vez
em Bruxelas. Era a altura das vacas
gordas, dos alargamentos e do otimismo
europeísta. Passadas duas
décadas e muitos milhões de euros
depois, Bruxelas é uma cidade acabrunhada,
triste e numa perigosa
deriva. É o espelho da atual Europa,
no seu labirinto. O problema é que
aparenta não encontrar a ponta do
novelo que a conduza à saída. E parece
que, em vez de um, são muitos
os minotauros que lhe estão a sair
ao caminho.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Diário do Alentejo Edição 1775


Editorial

Costistão

Paulo Barriga 

Não restam dúvidas que António Costa é um político completo. Humilde nas cedências, mas imodesto no momento das colheitas. Calculista e pragmático como poucos, embora suficientemente delicodoce no trato. Perspicaz, ainda que não contemplativo. Enfim, o atual primeiro-ministro de Portugal, quer pela forma como chegou, quer pela maneira como se vai aguentando, tem-se revelado um verdeiro todo-o-terreno, capaz de descer à mais ingreme das escarpas e de superar os penedos mais inóspitos da política pátria. António Costa dá o corpo ao manifesto, é um duro, mas não deixa de ser um menino de coro à beira de Marcelo. Costa consegue fazer milagres à esquerda, mas é o Professor que abre os telejornais. Costa inverte o ciclo da austeridade, mas é com o Presidente que o pessoal pretende tirar a selfie. Costa carrega o piano às costas, mas é Marcelo que toca a marcha. E a música é sempre a mesma, inclusivamente no Alentejo, região que, nos tempos que correm, bem podia levar o epíteto de “costistão”. É que nunca, em nenhuma outra votação para a Assembleia da República, uma coligação parlamentar obteve tamanha vitória nas urnas, como esta que Costa conseguiu nas eleições do ano passado. Mais de 76 por cento dos eleitores de Beja, Évora, Portalegre e Setúbal que votaram em outubro último, fizeram-no nos partidos que suportam o Governo, o que é inaudito em Portugal. E o mais curioso, depois de observar os investimentos que o executivo tem planificados até 2020 para o País e para o Alentejo, é que parece que Costa ainda não se deu conta desse “pequeno” detalhe. Mas se Costa ainda não reparou que existe um “costistão”, Marcelo mancou-o ao longe. Vai daí, na sua primeira presidência fora de Portas, rumou ao Alentejo, a região que lhe foi eleitoralmente mais adversa, e deu um banho de política a Costa. Ao ponto de tudo o que de positivo este Governo vier a fazer pelo Alentejo se ficar a dever aos pinotes de Marcelo, ao ponto de tudo o que Costa deixar de fazer pelo Alentejo lhe poder vir a ficar marcado no cadastro como um ferrete em brasa. Como é o exemplo acabado da eletrificação da ferrovia entre Casa Branca e Beja, ligação hoje servida por uma automotora inqualificável que Marcelo quis mostrar e mostrou a Costa, num gesto que fez mais pelo futuro dos comboios na capital do Baixo Alentejo do que todas as berrarias que até aqui se tinham ouvido. António Costa é um duro, mas ainda não suficientemente duro para apanhar o comboio de Marcelo.