sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Taberna do Arrufa comemora 4º Aniversário - Buba Espinho e Convidados vão animar a festa


Diário do Alentejo Edição 1815

Editorial
Semanário
Paulo Barriga

É provável que a esmagadora
maioria dos leitores
do “Diário do Alentejo”
disso já não tenha memória ou
que, ainda mais provável, nunca
se tenha apercebido sequer dessa
pequena, embora grande, iniciativa.
Em janeiro de 2011, com direito
a nota editorial e tudo, tomámos
a liberdade de retirar do
cabeçalho do nosso jornal a legenda
“Semanário Regionalista
Independente”, que lá esteve desde
os anos 1980. Na ocasião, algumas
pessoas, não muitas, classificaram
o ato de provocatório e até
houve quem o considerasse inadmissível,
porque em contradição
com o próprio código genético do
jornal. No entanto, foi nosso entendimento
que, àquela data, não
éramos merecedores dos títulos
que exibíamos na primeira página.
Achámos que era enganador
andarmos a autorrotular-nos
de “regionalistas”, quando o jornal
já pouco ou nada espreitava
para lá da praça central da cidade
de Beja. E que era muito pouco
ético, para não dizer herético, ostentar
o título de “independente”,
quando eram recorrentes e públicos
os combates políticos pelo
seu controlo e quando as tentativas
(algumas delas conseguidas)
de manipulação dos seus conteúdos
se sucediam. Mas abolir,
ainda que temporariamente, a legenda
“Semanário Regionalista
Independente”, não resultou apenas
numa ação repositória da decência
jornalística e da verdade
perante os nossos leitores. Foi, antes
de tudo, uma espécie de programa
ou de manifesto editorial
que assumimos nos seis anos que
se seguiram. Até hoje. Um caminho
considerável, ao longo do qual
estabelecemos o compromisso de
regressarmos para junto das pessoas,
de defendermos a nossa cultura
na sua multiplicidade, de
promovermos o mérito em vez
da desgraça, de darmos voz a este
território, na integra. Nesta caminhada,
movida nem sempre
em terrenos planos, somos chegados
à altura em que decidimos
republicar a legenda “Semanário
Regionalista Independente”. Não
apenas porque hoje nos achamos,
por fim, no pleno direito do seu
usufruto, mas também porque os
tempos assim o exigem. Numa altura
em que se avizinham eleições
para os órgãos locais e a tentação
se agudiza e num quadro político-
-governamental em que o dossiê
das regiões administrativas foi de
novo lançado para a valeta, nada
como reerguer as bandeiras da independência
e da regionalização.
Principalmente nas páginas deste
que é o dos poucos diários do
mundo que, afinal, é semanário.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Diário do Alentejo Edição 1814

Editorial
Ilusionismos
Paulo Barriga

É difícil a qualquer utente
do comboio, que compre
bilhete entre Beja e Casa
Branca, não ficar assanhado com
tudo o que envolve o próprio
comboio. A começar pela constatação
de que comprou bilhete
para o comboio mas que, afinal
de contas, não há comboio nenhum.
Há um veículo automotorizado
que circula, quando está
em condições de circular, pelos
mesmos carris onde poderia
circular o comboio para o qual
comprou bilhete mas que, bem
vistas as coisas, não existe. De
facto. Não existe o comboio, nem
existe a menor pinga de dignidade
naquilo que é oferecido pela
empresa dos comboios em troca
do dinheiro do bilhete do comboio
que não existe. Aliás, a CP
- Comboios de Portugal, na relação
que estabelece com os utentes
que compram bilhete entre
Beja e Casa Branca, revela não
ser exatamente uma empresa de
prestação de serviços de transporte,
mas antes um circo que
funciona apenas com palhaços
e ilusionistas. Sendo que os palhaços,
os utentes que compram
o bilhete de comboio entre Beja
e Casa Branca, já não riem nem
fazem rir, e os ilusionistas, invariavelmente
vestidos de cinzento,
cada vez têm mais dificuldades
em transformar a lata
com rodas de ferro no comboio
rápido Intercidades que é anunciado
no bilhete dos utentes que
o compram em qualquer estação
entre Beja e Casa Branca. A ilusão
da automotora nunca funcionou.
E, repetida à exaustão,
apenas acentua a tristeza do espetáculo
que continua a ser vendido
com letras douradas nas bilheteiras
do comboio entre Beja e
Casa Branca. Na passada terça-
-feira, 24, o “Jornal de Notícias”
oferecia a quem o comprou a seguinte
manchete: “Quatro autoestradas
fazem disparar custos
com as PPP”. Por assinalável
falta de assunto, as televisões, todas
elas, replicaram a notícia, assegurando
que as concessões das
autoestradas do Douro Interior,
Transmontana, Litoral Oeste
e Baixo Alentejo vão sugar em
2017 perto de 203 milhões de euros
aos cofres do Estado, em virtude
de quatro ruinosas parcerias
público-privadas. Caído em
desuso e tapado de ridículo, há
muito que o truque da autoestrada
não saía da cartola. A autoestrada
do Baixo Alentejo apenas
está a dar cabo das contas públicas
porque o Governo ainda lá
não mandou colocar portagens.
Ou melhor, porque ainda nem sequer
foi construída. Daí o belo e
surpreendente momento de ilusionismo
que a autoestrada voltou
a proporcionar. Nem dá para
acreditar, pois não?

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Diário do Alentejo Edição 1813

Editorial
Henrique Ferra
Paulo Barriga

Encerrou no passado domingo
em Lisboa o 4.º Congresso
dos Jornalistas Portugueses.
O encontro decorreu no Cinema São
Jorge que fica, por ironia ou por fatalidade,
na avenida da Liberdade. Não
acontecerá, mas ironia e fatalidade
são palavras que se poderiam repetir
por aqui abaixo. Uma e outra vez.
Há quase 19 anos que os jornalistas
de Portugal não arranjavam vagar
para se reunir. No entanto, o maior
problema que acomete a profissão,
segundo os próprios, é o tempo. O
tempo que falta para mediar a realidade
na sangrenta luta de audiências.
O tempo que é pouco para conferir
a veracidade dos factos, avaliar
a idoneidade das fontes, suster os
avanços matreiros dos poderes ocultos.
O tempo de crescimento que não
é dado aos jovens profissionais, cujo
primeiro mergulho nas redações é
logo para dentro do tanque dos tubarões.
O tempo em que a precariedade
se sobrepõe ao rigor e em que
as incertezas alastram sobre a isenção
e a independência. O tempo, ou
a falta dele, dizem os jornalistas,
“está a condicionar o direito constitucional
à informação”. Um direito
que, à porta do cinema que exibiu
a tragédia do jornalismo português
contemporâneo, foi reclamado por
manifestantes da extrema-direita.
Episódio caricato que, como é evidente,
teve as suas repercussões no
conclave, onde se partilhou de forma
genérica a ideia de que o jornalismo
tem de se constituir também como
uma espécie de travão a todo e qualquer
tipo de fascismo, totalitarismo,
discricionarismo. Os profissionais
reconheceram, na generalidade, que
uma das funções primordiais do jornalismo
livre é precisamente a de regar
o pé à própria liberdade. E, por
isso mesmo, se optou por deixar os
militantes do PNR a falar para o boneco.
Para o último painel do congresso
tinha a comissão organizadora,
num gesto inédito de abertura
e inclusão, convidado os patrões dos
jornalistas. Curiosamente, ou nem
por isso, boa parte daqueles que com
maior ferocidade tinha exibido a sua
imaculada militância antifascista,
tentaram a todo o custo censurar
os participantes da sessão de encerramento,
onde se incluía inclusive o
ministro da tutela. Por muito que os
jornalistas de Portugal tentem imputar
a agentes externos todos os
males que assistem à profissão, é no
interior da classe que os fantasmas
continuam a habitar. E só um regresso
imediato ao jornalismo dos
valores, próximo dos cidadãos, com
ética e com humanidade, evitará,
por exemplo, que Henrique Ferra,
um hispano-brasileiro de 84 anos,
antigo delegado de propaganda médica
caído em desgraça, prossiga
sem ser notícia. O Congresso dos
Jornalistas ocupou o São Jorge por
quatro dias, este sem-abrigo dorme
lá à porta há seis anos. Na avenida da
Liberdade…

sábado, 7 de janeiro de 2017

Diário do Alentejo Edição 1811

Editorial
Credo
Paulo Barriga

O ministro do Planeamento
e das Infraestruturas,
Pedro
Marques, deverá pronunciar-
-se por estes dias em relação
ao futuro a dar ao aeroporto
de Lisboa. Ou melhor, deverá
anunciar muito em breve qual
o desfecho para o aclamado
modelo Portela+1, uma solução
que passa pela manutenção
das companhias de bandeira
no atual Aeroporto Humberto
Delgado, desviando para uma
aerogare de apoio as operadoras
low cost. A ideia de “deslocalizar”
parte da operação do aeroporto
de Lisboa para a Margem
Sul não é nova. E teve em José
Sócrates um acérrimo adepto.
Aliás, o antigo primeiro-ministro
socialista propunha inclusivamente
a construção de
um aeroporto de raiz algures
entre as matas de sobreiros
e azinheiras do Montijo ou de
Alcochete. Sobre o assunto, o
atual Governo parece ter uma
leitura mais frugal, uma vez
que tudo indica que a solução a
anunciar passa pela utilização
partilhada para fins militares e
civis da base aérea n.º 6, localizada
no Montijo. Dá-se, no entanto,
o caso de a tropa não estar
para aí virada. No Montijo
tem a Força Aérea um dos seus
principais assentamentos, onde
estaciona quatro esquadras
operacionais: Falcon, C-130,
C-295 e helicópteros EH-101.
O que gera tráfego aéreo com
fartura e incompatibilidades a
mais com os cerca de 15 movimentos
por hora que as companhias
de baixo custo estimam
ali realizar. Mas como tudo na
vida tem um preço e como mais
tarde ou mais cedo alguém se
predispõe a pagá-lo, a retirada
dos militares do Montijo deverá
custar ao Estado qualquer
coisa a rondar os 500 milhões
de euros. Isto apenas para realizar
a deslocalização completa
daquela unidade militar. A este
gentil pecúlio se juntará verba
em quantidade necessária para
erguer um terminal de passageiros.
O que, olhando aos hábitos
e requintes de quem costuma
governar este País, não
se deverá deixar ficar por menos
de outro tanto. Uma pipa de
massa que custeará não apenas
o modelo Portela+1, como também
pagará o enterro definitivo
da vertente comercial/passageiros
no aeroporto de Beja. Uma
infraestrutura que está pronta
e a funcionar, operacional, que
pouco custou aos contribuintes
e que, por acaso, até partilha a
pista com uma unidade militar
aérea... Ops, é melhor não dar
ideias. Cruzes credo, lagarto-
-lagarto-lagarto.

Hoje há hoquei em Beja

Estão todos convidados a vir apoiar os nossos jovens, para esta dupla jornada que poderá permitir que pela primeira vez o CPBEJA possa assegurar lugar no Nacional nestes dois escalões.
Como podem ver na sinopse, vão ser dois jogos muito complicados, por isso a presença e apoio de todos é fundamental.

Pedro Barahona é o novo Comandante dos Bombeiros Voluntários de Beja

Pedro Barahona tomou posse, ontem à noite, como Comandante dos Bombeiros Voluntários de Beja substituindo no cargo Manuel Baganha.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Diário do Alentejo Edição 1810

Editorial
2017
Paulo Barriga

Ao contrário deste que
está a acabar, 2017 tem
tudo para ser o mais
quente dos últimos anos, no que
diz respeito à política de proximidade.
No final de setembro
conclui-se mais um ciclo autárquico.
E é elevada a curiosidade
para ver como se vão posicionar
no terreno da querela de vizinhança
os dois partidos que,
na atualidade, repartem as câmaras
do Baixo Alentejo. Todas
elas. Aliás, CDU e PS não apenas
dividem entre si os diferentes
executivos municipais da
região, como os disputam eleitoralmente
palmo-a-palmo. Ao
contrário deste que está a acabar,
onde se observou o milagre
da pacificação das esquerdas,
2017 tem tudo para ser bastante
mais agreste no que toca a namoricos
e a entendimentos. Isto
apesar de se soprar à boca pequena
que o acordo de governação
conseguido entre socialistas
e comunistas vai muito para
lá daquilo que consta no papel. E
que a estabilidade governativa e
a anuência orçamental também
passam pela mútua não-agressão
a nível das governanças locais.
É certo que as lideranças
partidárias regionais, de forma
mais ou menos explicita, já por
mais de uma vez negaram qualquer
tipo de concertação entre
PS e CDU a este propósito.
Já a política do real, no terreno,
aponta invariavelmente em sentido
oposto. Nas câmaras mais
expostas à mudança, que são
aquelas onde os atuais presidentes
atingiram o limite legal
de mandatos, não se vislumbra
“ainda” qualquer tipo de escaramuça
que se possa assinalar ou
considerar. E o “ainda” tem aqui
um peso determinante, uma vez
que uma campanha de sucesso
a nível local necessita de tempo
para estabelecer o cerco, para o
apertar e para o tornar num garrote
eficaz. Mesmo que Marcelo
marque as eleições para outubro,
o tempo certo para produzir
“eficácia eleitoral” se não se esgotou
já, para lá de forma veloz
caminha. Pelo que, nesta altura,
a ausência de verdadeiras candidaturas
de oposição denunciam
uma de duas coisas. Ou pouca
ambição e nenhuma estratégia
no patamar das estruturas partidárias
locais. Ou muita visão
e imenso taticismo nas cúpulas
das duas forças políticas para
aqui chamadas. Ou ainda, sendo
o mais certo, as duas coisas ao
mesmo tempo. 2017, ao contrário
deste que está a acabar, tem
tudo para ser um ano político
animadote. Ou muito pelo contrário.
Persistindo a dúvida, um
muito bom ano para todos os colaboradores,
leitores e assinantes
do “Diário do Alentejo”, com
saúde e outras coisas boas.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Foto Reportagem Passagem de Ano 2016|2017 - Beja


Veja todas as fotos aqui

Última hora - Fogo em Beja às primeiras horas do Ano







Segundo informações recolhidas no local, deflagrou às primeiras horas do dia, numa moradia da Rua da Barreira/Rua Infante D. Henrique  em Beja, um incêndio, não tendo resultado qualquer vitima, para além da residente que foi conduzida ao hospital.
Desconhece-se a origem do mesmo.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Desfado - Ana Moura





Quer o destino que eu não creia no destino
E o meu fado é nem ter fado nenhum
Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido
Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum
Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente
Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém
Que aqui está e não existe
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste
Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentasse não ter mais nenhum lamento
Talvez ouvisse no silêncio que fizesse
Uma voz que fosse minha cantar alguém cá dentro
Ai que desgraça esta sorte que me assiste
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada
Na incerteza que nada mais certo existe
Além da grande certeza de não estar certa de nada

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Happy Christmas

Diário do Alentejo Edição 1809


Editorial
Rabanadas
Paulo Barriga

“Antes assim do que
para pior”. Esta não é
a mensagem de Natal
do “Diário da Alentejo”, da direção
do jornal, da equipa redatorial,
dos seus colaboradores.
Não, bem sabemos que a resignação
é um dos apanágios do nosso
povo. Mas a nós, enquanto artífices
do jornal com maior expressão
nesta região, não nos compete
baixar os braços, deixar correr
as coisas, desistir. “Saúde, sorte e
pão na arca” não nos chega. Para
a nossa região, para os nossos leitores,
para os nossos assinantes,
para os nossos anunciantes queremos
tudo isso e desejamos muito
mais do que isso tudo. Queremos
e desejamos aquilo a que temos
direito e também aquilo que nos
tem sido negado ao longo de décadas.
Quando aqui, nestas páginas,
repetida e exaustivamente,
reforçamos esta ideia de que nos
estão sempre a fazer embarcar na
carruagem da terceira classe, não
o fazemos por pieguice, nem por
embirração. Fazemo-lo com convicção,
acreditando que pertencemos
à mais bela e preciosa região
deste País, que apenas não
segue no vagão da frente porque
o abandono a que tem sido votada
o impede. E não, isto não é uma
questão de cores, de clubes, de
tendências. É uma questão de regime.
Ou de regimes. Com a arma
da fome, no “outro tempo”, esvaziou-
se um terço do território nacional.
Depois de Abril, as coisas
mudaram. E muito. Mas nunca
nos “novos tempos”, em verdade,
se quis inverter algo a que
em Lisboa chamam “fatalidade”,
mas que na pele, por cá, sentimos
como “indiferença”. Continuamos
a ser poucos, valemos poucos votos
e dificilmente nos safaremos
enquanto não formos nós a decidir
o nosso próprio futuro. O
Alentejo está condenado ao sucesso
e isso é algo que está a irritar
muita gente. O Alqueva está a
desequilibrar para o nosso lado a
balança comercial agrícola. Sines
já não é apenas o maior porto de
comércio português, é um dos
maiores da Europa. As reservas
de minerais no pedaço nacional
da faixa piritosa deixa-nos de descanso
para as próximas décadas.
De anedota, a indústria aeronáutica
passou a caso sério. Tudo isto
mantendo uma região ecológica
e culturalmente salvaguardada,
com diferentes bens inscritos na
Unesco e outros a caminho disso
e onde o turismo de qualidade,
sustentado, é reconhecido e recomendado
nas sete paragens do
mundo. Podem muito bem continuar
a tentar adiar o inevitável
mas, algum dia, teremos no sapatinho
tudo aquilo a que temos
direito e também aquilo que nos
tem sido negado. E isto é tão certo
como o bacalhau e as rabanadas
na Consoada.