terça-feira, 21 de abril de 2015

Caminhada pela Liberdade - 25 abr 2015 Cabeça Gorda


“Comboio do Cante” entre Lisboa e a Ovibeja

A 32ª Ovibeja vai ser de homenagem ao Cante Alentejano sendo que, das mais de duas mil pessoas que vêm cantar à feira, mais de 600 vão chegar no “Comboio do Cante”.

Sob o lema “O Nosso Cante” vão ocorrer várias iniciativas durante todos os dias da feira, de 29 de Abril a 3 de Maio. O ponto alto da homenagem ao Cante acontece no dia 2 de Maio, sábado, em que vão entrar na Ovibeja mais de dois mil cantadores, de 105 grupos corais, para ecoarem em uníssono 5 modas. Os cantadores provenientes da zona da grande Lisboa vem no “Comboio do Cante” que vai transportar entre Lisboa e Beja mais de seis centenas de pessoas numa parceria entre a CP – Comboios de Portugal e a Comissão Organizadora da Ovibeja. O Comboio é fretado exclusivamente para o Cante na Ovibeja e parte da primeira estação, Lisboa Oriente, às 07h50, vai parando nas várias estações e tem chegada prevista a Beja por volta das 11h00.

O cante partilhado entre todos os homens e mulheres com raízes no Alentejo acontece às 16h00, no Pavilhão Multiusos, e tem como alinhamento “Alentejo, Alentejo”; “Dá-me uma gotinha de água”, “Ao passar a ribeirinha”, “Castelo de Beja”, e “Alentejo és nossa terra”.

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A CP informa que os órgãos de comunicação social que queiram fazer a viagem do “Comboio do Cante” devem pedir autorização prévia. A pessoa de contacto é:

Ana Maria de Carvalho dos Santos
CP - Gabinete de Comunicação Institucional
Telemóvel: 919 990 505

Comemorações do 25 de Abril em Beja



Comemorações do 25 de Abril em Beringel


sexta-feira, 17 de abril de 2015

XII Aniversário - Grupo Motard Beringel 18 abr 2o15


Primavera no Campo Branco de 17 abr a 17 mai 2015

Castro Verde celebra a partir desta sexta-feira, 17 de abril, mais uma Primavera no Campo Branco, uma iniciativa que tem as suas raízes nas oportunidades que abril semeou e que continua a apelar ao acesso à cultura e à educação para todos.
Com um programa diversificado, que abrange várias áreas artísticas, a Primavera no Campo Branco arranca a partir das18h00, no Parque Infantil de Castro Verde, com um conjunto de iniciativas onde se inclui a abertura da exposição de ilustração“Cante”, da autoria de Joaquim Rosa, a apresentação da linha de merchandisingalusiva à temática do Cante, Património Cultural Imaterial da Humanidade, e a atuação dos grupos corais “Os Ganhões” de Castro Verde, “As Ceifeiras” de Entradas e “Os Carapinhas” de Castro Verde.
Nesta edição, o coletivo de artistas, artesãos e afins “A Terra Mexe” associa-se à CPCJ de Castro Verde na operação solidária “Filhos do Coração” e inspira-se na infância como temática para o desenvolver das suas criações, sensibilizando a comunidade para a importância de uma infância feliz. Também a Feira do Livro regressa ao espaço do Parque Infantil, onde permanecerá até dia 26 de abril.
À noite, a partir das 21h30, cabe ao músico Paulo Gonzo (concerto esgotado) fazer as honras de mais uma edição da Primavera no Campo Branco, com um concerto no Cineteatro Municipal de Castro Verde.
A multiplicidade de propostas segue até dia 17 de Maio, numa ação conjunta com o associativismo local, apresentando atividades pensadas para diferentes públicos e que tanto navegam pela tradição como pela contemporaneidade de estilos.
Em destaque nesta programação estão o 41º aniversário da Revolução de Abril e o Aniversário da Biblioteca Municipal Manuel da Fonseca que, vinte anos depois, continua a desenvolver um importante trabalho em prol em do combate à iliteracia através do acesso à informação, com prioridade para a promoção da leitura e do livro.
Transversal também a esta programação é o Cante Alentejano, traço maior da nossa tradição que sempre esteve bem presente na Primavera no Campo Branco, mas que nesta edição importa sublinhar como forma de celebrar a sua inscrição na lista de Bens Culturais Imateriais da Humanidade pela UNESCO.
O público infantil volta a ser alvo de uma atenção especial, beneficiando de um conjunto de atividades que apelam à criatividade, à brincadeira e à imaginação.
Uma variedade de propostas que pretende dar continuidade à pluralidade cultural que desde sempre caracteriza a Primavera no Campo Branco e cuja dinâmica se quer cada vez mais abrangente e observadora das diferentes sensibilidades.
Informe-se de tudo o que vai acontecer. Viva mais Castro Verde! 

(Site CM Castro Verde)

XVII Feira do Mel Queijo e Pão 24 a 26 de abr 2015 - Mértola

Diário do Alentejo Edição 1721

Editorial
Identidade
Paulo Barriga
A par de “território”, “identidade”
é a palavra de ordem
dos tempos que correm.
Na verdade, território e identidade
são grandezas inseparáveis,
embora nem sempre coincidentes.
Veja-se o caso de Portugal que tem
o território continental consistente
desde a Idade Média, mas que, em
termos identitários, acaba por ser
uma realidade recente, talvez nem
ainda hoje totalmente consolidada.
E essa ausência de um corpo
identitário comum, forte e abrangente,
diferenciador mas não folclórico,
é, talvez, o grande motivador
do atraso congénito de que
o País padece. O grande promotor
das assimetrias regionais insanáveis.
O grande causador da litoralização
das atividades humanas
e da desertificação dos territórios
interiores. Com facilidade se dirá
que Portugal tem língua e gramática
comuns ao seu todo geográfico
e que esse é o maior polo gerador
de identidade de um povo. É verdade!
Mas não basta. A compartilha
das ferramentas linguísticas
possibilita a comunicação. Mas se
a necessidade nos diz que podemos
comunicar, já a prática nos ensina
que o entendimento da mensagem
nem sempre acontece. É o que se
passa, por exemplo, no exercício
centralizado do poder. Os nossos
governantes aparentam saber da
existência de um País. Vemo-los
circular pelas serras e planícies
em tempo de eleições. Ouvimo-
-los prometer coisas sensatas apenas
nessas alturas. Sentimo-los
próximos e compreensivos e sensíveis
em campanha. Mas, na verdade,
toda a comunicação eleitoral
é apenas ruído. O político eleitoral,
para lá da amnésia que o toma de
forma aguda após os escrutínios,
olha mas não vê. Ouve mas não escuta.
Fala mas não diz. Finge conhecer
mas não compreende. E
não compreendendo, não dizendo,
não escutando, não vendo, o governante
pós-eleitoral, como acontece
de forma gritante quando toca ao
Alentejo, esquece. Apenas assim
se compreende o estado de abandono
a que chegou a região. Um
território pouco abonado em votos
nas urnas, é certo. Mas que hoje é
o destino turístico nacional por excelência,
cujos valores identitários
são reconhecidos internacionalmente,
cuja riqueza agrícola é incomparável,
cuja abastança mineral
é inigualável, cujo litoral junta,
harmoniosamente, o paraíso ambiental
e paisagístico com a grande
indústria marítima. O Alentejo,
porque tem uma identidade muito
própria na era do apagão global,
parece que cria urticária a quem
governa do centro para a periferia.
A quem sempre valoriza os números
por oposição à coisa humana. A
quem, em alturas bem específicas,
vem às aldeias, mas não tem capacidade
para ver as casas.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Gincana de Motorizadas - 12 abr 15 - Cabeça Gorda


Corrida e Caminhada Solidária - 12 abr 15 - Beja


Diário do Alentejo Edição 1720

Editorial
Merdonho
Paulo Barriga

Os autarcas de Almodôvar,
Odemira e Ourique foram
apanhados na curva.
Assim como quem não quer a
coisa, a Associação de Produtores
de Aguardente de Medronho do
Barlavento Algarvio, que tem sede
em Monchique, decidiu propor à
Direção-Geral de Agricultura e
Desenvolvimento Rural a criação de
uma Indicação Geográfica Protegida
(IGP) denominada “Medronho do
Algarve”. Nada de muito especial,
nesta era de plena euforia, de plena
esquizofrenia, pelas marcas, pelos registos,
pelos selos, pelas certificações,
pelos rótulos. Nada de muito especial
não se desse o caso de a pretensão algarvia
incluir oito freguesias do Baixo
Alentejo, nomeadamente aquelas
com maior mancha de medronheiros
e onde o produto destilado é, de
forma comprovada e reconhecida, de
qualidade superior. Durante décadas
se tentou legitimar a produção e o comércio
desta espirituosa tão particular
e rara. Quando, por fim, o fabrico
e o consumo lícito de aguardente de
medronho se generalizou logo caiu
nas mãos do patobravismo. Ou do
chicoespertismo, como se preferir.
Neste, como noutros casos de registo
ilegítimo de bens patrimoniais e culturais
coletivos, materiais ou imateriais,
tem de haver regulação efetiva
contra os abusos, as usurpações e os
novos pseuso-evangelistas da propriedade
comum. O que não existe.
Efetivamente. E por isso se disse que
Almodôvar, Odemira e Ourique se
deixaram enrolar nesta verdadeira
peta de mau gosto. Mas não é caso
único. Olhe-se, por exemplo, para o
cante do tipo alentejano. Durante décadas
esquecido, entregue formalmente
aos “velhos” que ainda se iam
juntando aqui e ali em ranchos, e emprestado
informalmente a uma ou
outra rodada de taberna, de repente
virou um belo negócio para os zésde-
olhão cá da terra (também os há
por estas bandas e não são poucos). É
da mais elementar falta de ética (e de
vergonha na cara) que se registem em
nome próprio, como agora acontece
com abundância, letras tradicionais
com acrescentos de insignificante
pormenor e valor. Ou melodias corais
antigas a que se junta, na precisa nota
dominante, um ou outro despropositado
acorde instrumental. Da manhã
para a tarde, o cante foi apropriado
por uma bicharada que o tomou ou
quer tomar para si, amealhando direitos
de autor indevidos com uma
prática cultural que é de todos e de
ninguém. Também aqui é necessário
abrir a pestana. Também aqui é
necessário erguer uma entidade forte
e abrangente e consensual que possa
salvaguardar este bem precioso da
saciedade dos oportunistas de pacotilha.
Daqueles que ao fim do terceiro
ou quarto copinho, com o entaramelar
da língua, começam a dizer de si
e para si mesmos: Venha lá mais um
merdonho desses bons ali do Algarve
feitos aqui mesmo no Alentejo.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

“É tão grande o Alentejo…” com mais de dois mil cantadores na Ovibeja

“Todo o Alentejo deste Mundo” é o que vai acontecer na 32ª Ovibeja com um mar de gente a confluir para o maior encontro de sempre de grupos corais alentejanos. Mais de duas mil pessoas integradas em cerca de 90 grupos corais, o dobro das expectativas da Organização, vão cantar em uníssono no dia 2 de Maio no I Grande Encontro do Cante promovido pela feira com o apoio de muitas entidades da região.



A homenagem da Ovibeja ao Cante é a homenagem à identidade das gentes do Alentejo, aos produtos da terra, ao trabalho em conjunto.

Num espaço que mantém a rusticidade e a realidade natural do cante, a Ovibeja está a criar uma exposição temática, com uma programação diária de mostras de documentários e tertúlias, num espaço onde o Cante será o mote para o convívio entre cantadores e visitantes.

O cantar Alentejo acontece ainda por via do Cante nas Escolas através da apresentação dos projectos e actuação de alunos dos agrupamentos escolares que promovem o ensino do Cante Alentejano nas escolas.

Num trabalho em conjunto que está a construir o maior Encontro do Cante de sempre, e que inclui o apoio de algumas dezenas de entidades públicas e privadas, vão unir-se na Ovibeja mais de duas mil pessoas que vão cantar, no sábado, 2 de Maio, cinco modas em conjunto. É um Hino ao Alentejo o que vai acontecer na Ovibeja, uma conjugação de vontades, uma partilha ímpar de emoções, de afectos e de sementes lançadas à terra. É tão grande o Alentejo! é uma das modas que todos os alentejanos sabem cantar “No Alentejo eu trabalho / cultivando a dura terra, / vou fumando o meu cigarro, / vou cumprindo o meu horário / lançando a semente à terra(…)Alentejo, Alentejo / Terra sagrada do pão”.

III Passeio Btt "Trilhos Terra de Pão" 12 abr 15 - SALVADA - (AGORA COM FOTO REPORTAGEM)



quinta-feira, 2 de abril de 2015

Diário do Alentejo Edição 1719

Editorial
Internacional
Paulo Barriga

É triste. É revoltante. Causa
amargura e desconsolo.
Mas é verdade: o aeroporto
de Beja transformou-se numa das
mais preciosas pérolas do anedotário
nacional. E, bem vistas as coisas,
não é para menos. A coisa começou
mal logo de início quando
se projetou para o Alentejo uma estrutura
aeroportuária sem nunca
se ter equacionado a sua rendibilidade.
É certo que o investimento de
arranque, em termos quantitativos,
é qualquer coisa de ridículo. Mas
pronto, fez-se o dito cujo, na esperança
de assim se completar uma figura
geométrica algo esotérica a que
alguns políticos gostam de chamar
“triângulo do desenvolvimento”. Os
outros vértices do trilátero seriam,
na abstração, o Alqueva, e, no concreto,
o porto de Sines. O polígono
completava-se necessariamente
com os respetivos lados, as rodovias
e a ferrovia. Os geómetras do
progresso alentejano continuam
a insistir na ideia de “triângulo”. É
uma reflexão interessante e deveras
inovadora esta, a de conceber
um triângulo sem os segmentos de
reta que deveriam unir cada um dos
vértices. Mas pronto, eles lá sabem.
O problema é que a figura começou
a ter contornos bizarros. O porto de
Sines estendeu um dos lados para
norte, deixando de fazer esquadria
com Beja. E o Alqueva, confrontado
com os preços assustadores das
operações no aeroporto, irradiou
em todos os sentidos como uma estrela
quando nasce. As estradas e
a linha de comboios estão como se
sabe. E pronto, lá ficou o aeroporto
de Beja, no meio do plano, sem lados
que o liguem a qualquer outro
ponto e sem outros pontos para
se ligar mesmo que lados lhe quisessem
delinear. Entretanto, a empresa
que gere os aeroportos nacionais,
a ANA, foi privatizada. Mas
no desenho de regra e esquadro da
operação de privatização foi esquecido,
mais uma vez, o ponto alentejano.
Sem estratégia, sem plano
definido, sem obrigações para o incremento
de negócios, lá continua
o aeroporto de Beja a ver passar os
bandos de carraceiros ao entardecer.
Mas há uns meses a esta parte
apareceu nos jornais uma boa notícia.
Supostamente. Estava a ser
criada uma rota aérea interna para
ligar Bragança a Portimão, com
descidas nos aeródromos de Vila
Real, Viseu e Cascais. Então e Beja,
pá? Perguntaria qualquer cauteleiro
das Portas de Mértola. “Beja não,
pá”, responderia o Governo, “é que
vocês têm aí um belo aeroporto internacional
e Bruxelas não deixa
que aterrem aviões de pequena dimensão
em aeroportos de alto calibre
como o vosso”. Bem vos disse
que era triste, revoltante e que causava
amargura e desconsolo. Mas
sejamos honestos: que o aeroporto
de Beja se presta a umas boas piadolas,
lá para isso presta!