terça-feira, 28 de Outubro de 2014

Peritos da Unesco dão parecer positivo à candidatura do cante alentejano a património da humanidade

O secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, congratulou-se esta terça-feira com o parecer positivo atribuído por uma comissão internacional de especialistas da Unesco à candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade.
O processo, cuja "decisão final está prevista para final de Novembro", está a ser "acompanhado de perto" pela Direcção Regional de Cultura do Alentejo, disse o secretário de Estado à Lusa.
 
"O parecer diz que a candidatura reúne todas as condições", explicou segunda-feira à Lusa o coordenador do processo, Paulo Lima, pelo que "temos fundadas esperanças de que o cante alentejano seja inscrito na lista representativa do Património Cultural Imaterial da Humanidade" pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).
 
Segundo o mesmo responsável, também director da Casa do Cante, em Serpa, o parecer deste grupo de especialistas costuma ser "bastante vinculativo para a decisão final" do Comité Internacional da Unesco, que se reúne entre os dias 24 e 28 de Novembro, em Paris.
A candidatura do cante alentejano foi entregue à Unesco em Março de 2013, depois de, em 2012, o Ministério dos Negócios Estrangeiros ter decidido adiar a sua apresentação por considerar que o processo não reunia condições para ser aceite. Paulo Lima sublinhou ainda que o processo percorreu "várias as etapas" e que, em Fevereiro, foi entregue um conjunto de novas informações sobre este bem cultural imaterial.

O autarca de Serpa, Tomé Pires, classificou este parecer como uma "pré-avaliação positiva", antecipando que a aprovação está "muito próxima".
"Este é mesmo o último passo, esta pré-avaliação é muito importante. A Câmara de Serpa é co-promotora e patrocinadora da candidatura do Cante Alentejano e o autarca sublinhou: "Estamos mesmo muito perto de atingir o nosso objectivo. Ao dia de hoje, não podemos dizer a 100% que o Cante irá fazer parte desta lista da Unesco, mas, se calhar, podemos falar em 99% de certeza", argumentou.
Neste parecer da comissão internacional de especialistas, o Cante Alentejano é referido como integrando "um grupo de cinco candidaturas [as outras quatro são de vários países] considerado exemplar", detalhou ainda Tomé Pires.
Segundo Tomé Pires, todo o processo que envolveu a candidatura já suscitou "uma grande dinâmica" em torno desta expressão cultural, dando como exemplo o facto de, nos últimos anos, terem nascido "vários grupos corais jovens um pouco por todos os municípios" do Alentejo.
"Após a inscrição na lista da Unesco, que acreditamos que vá acontecer, queremos que esta dinâmica continue a crescer, através do plano de salvaguarda do Cante que está incluído na candidatura e também trazendo mais pessoas a este mundo", frisou, realçando ainda a necessidade de surgirem "projectos criativos" que contribuam para o desenvolvimento da região.
Também o presidente do Turismo do Alentejo e Ribatejo considerou esta terça-feira "fantástica" a notícia do parecer positivo, com Ceia da Silva a considerar que se trata de "uma notícia muito positiva e fantástica para o Alentejo e para Portugal".
"É uma decisão técnica dos órgãos consultivos do comité da Unesco para o Património Imaterial da Humanidade, mas a indicação positiva e favorável já de si é para nós uma vitória", declarou. Ceia da Silva considerou que todo o processo da candidatura foi "difícil" e "complexo", mas que "atingiu finalmente" a expectativa que a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo tinha em seu redor.
"Temos de ter alguma serenidade e aguardar com tranquilidade pela decisão que só será tomada pelo órgão executivo, institucional e político no final de Novembro. Portanto, alguma calma neste momento também será de salientar", disse. 

"In Público"

Raid BTT - 02|NOV|14 - Beringel


Passeio TT - Cabeça Gorda - 01|Nov|14


sábado, 25 de Outubro de 2014

Domingo é dia de atrasar relógios - Chega a hora de inverno


Na madrugada de domingo, os relógios atrasam 60 minutos, às 02:00, no continente e na Região Autónoma da Madeira, e atrasam o mesmo tempo, mas à 01:00, nos Açores. Portugal passa a estar alinhado com o tempo universal (tempo médio de Greenwich, TMG), conforme informação do Observatório Astronómico de Lisboa.

"À conversa com... o Professor Máximo Ferreira" - Vila de Frades


FEIRA DOS SANTOS E FRUTOS SECOS ALVITO 2014

A Mostra de Produtos e Serviços Locais e Regionais vai na 19ª edição, cuja abertura oficial acontecerá no dia 31 de Outubro, às 19.30h.



O programa cultural da edição de 2014 é muito variado e tem início hoje; Exposições, Concertos, Teatro, Cinema, um Colóquio, um Workshop e um Concurso à volta dos Frutos Secos, um Sarau Musical são os destaques do programa

Passeio a Cavalo - 26|out|14 - Viana do Alentejo


sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Diário do Alentejo Edição 1696

Editorial
Especial
Paulo Barriga

Nem sempre ser-se especial
é assim tão extraordinário
quanto isso.
Especial é daqueles adjetivos tramados.
Daqueles adjetivos que depende
muito de quem os toma. De
quem os fala. De quem os articula.
Especial é um adjetivo tão amplo,
tão aberto e, ao mesmo tempo, tão
impeditivo que é de trazer as lágrimas
aos olhos. É muito sadio
ser-se especial como treinador de
futebol num banco de suplentes
ingleses. É muito pouco salutar
ser-se especial como criança no
banco de uma escola de Portugal.
O nosso sistema de ensino é moderno.
Pelo menos do ponto de
vista teórico e legislativo. A escola
reconhece a existência de
meninos especiais. Já não é mau.
Especial, no que toca ao ensino,
é o adjetivo usado burocraticamente
para substituir outros adjetivos
tipo: estranho. Diferente.
Invulgar. Incapaz. Inferior.
Imperfeito. Deficiente, até. A escola
reconhece, de facto, a existência
de meninos especiais. Mas
reconhece-os na sua essência menor.
Ser-se especial é uma chatice.
E ainda por cima é uma chatice
que sai cara. Tanto faz que o especial
decorra de uma mera confusão
ao nível da hiperatividade. Ou
de uma doença raríssima, pouco
conhecida, sem diagnóstico. Em
todo o mundo civilizado, há dezenas
de décadas a esta parte, se
chegou à conclusão que as crianças
ditas especiais, com necessidades
educativas especiais, deveriam
ser integradas, sempre que
possível, no ensino regular. É a
tão pomposamente proclamada
educação inclusiva. Uma educação
humanista com recurso a técnicas
e materiais próprios. Com
integração de professores especialistas
e de terapeutas, quando necessários.
Com turmas pequenas,
adequadas a cada situação. Em
suma: uma educação especial para
as crianças ditas especiais. Mas o
que acontece, de facto, é que, nas
escolas cá do sítio, não há terapeutas
em quantidade suficiente,
as turmas excedem em muito o
número de alunos, há falta de especialistas
e de auxiliares. E, especialidade
das especialidades, o
próprio Ministério da Educação
e Ciência, à laia da burra, atribui
uma espécie de quotas em número
e género miseráveis a cada menino
especial, no que toca à carga
horária distintiva que cada um
deve ter para crescer em harmonia
com os demais. Tudo isto em
nome do bom uso dos dinheiros
públicos, da igualdade de oportunidades,
do Portugal moderno
e inclusivo. Tudo isto numa qualquer
escola ao virar da esquina. Se
isto é o ensino especial, imagine-
-se o que vai no ensino, diria, trivial.

XI Festival Internacional de Tunas Universitárias - Beja 2014

Mais uma edição do "Terras de Cante" que irá ocorrer nos dias 31 de Outubro e 1 de Novembro de 2014, que terá a participação de 4 Tunas a concurso, sendo 3 portuguesas e 1 espanhola. 

No dia 31 irá ser realizada Noite de Serenatas, na Igreja de Misericórdia (Praça da Republica).

No dia 1 o Festival irá ser realizado no PAX JULIA - Teatro Municipal. 



Tunas participantes:

- Tuna de Medicina da Univ. de Coimbra
- Tuna de Derecho de Albacete - Espanha
- Luz & Tuna - Tuna da Univ. Lusíada de Lisboa
- Versus Tuna - Tuna Académica da Univ. do Algarve

- Grupo convidado a anunciar

Organização - Tuna Universitária de Beja / Associação Trovadores de Beja

COMEMORAÇÕES DO DIA DO EXÉRCITO - BEJA 2014 - Agora com fotos!

O Dia do Exército comemora-se a 24 de outubro, data em que se celebra a tomada de Lisboa, em 1147, pelas tropas de D. Afonso Henriques (D.A.H), Patrono do Exército Português.




"Hierarquias Militares no Exército Português" -  Depois de 3 dias a trabalhar com militares aqui fica para que não haja dúvidas!





Este ano as comemorações do Dia do Exército serão centradas na cidade de BEJA e o seu início será marcado com um concerto pela Banda do Exército, pelas 21h30, no Teatro Municipal Pax Julia. Entre o dia 24 e 26, a população em geral, poderá visitar a Exposição de Equipamentos e Materiais e assistir a Demonstrações de Capacidades e Meios do Exército. No dia 25 realizam-se as Jornadas Académicas subordinadas ao Tema” Gestão de Segurança da Informação e de Sistemas de Informação: Planeamento Defensivo vs Ofensivo”, no Auditório do IPB;

 O ponto alto destas comemorações, a Cerimónia Militar, está marcado para as 12h00 do dia 26 na Avenida do Brasil.


 programa completo das Atividades Militares Complementares (AMC):

       240900OUT14 – Balão – Voo Cativo (2 horas)
       241000OUT14 – Inauguração das AMC pelo Exmo TGen VCEME
       241000OUT14 – Torre Multiatividades  (2 horas)
       241130OUT14 – Passeio de Pandur (1 hora)
       241500OUT14 – Torre Multiatividades (3 horas)
       241530OUT14 – Passeio de Pandur (1 hora)
       241700OUT14 – Demonstração Gímnica do IPE
       241730OUT14 – Balão – Voo Cativo (2 horas)
       251000OUT14 – Torre Multiatividades (2 horas)
       251000OUT14 – Balão - Voo livre sobre Cidade de Beja (2 horas)
       251130OUT14 – Passeio de Pandur (1 hora)
       251200OUT14 – Demonstração Cinotécnica - Visita de SExa o Gen CEME e comitiva
       251500OUT14 – Torre Multiatividades (2 horas)
       251530OUT14 – Passeio de Pandur (1 hora)
       251700OUT14 – Demonstração Gímnica do CM - Visita de SExa o Gen CEME e comitiva
       251730OUT14 – Balão – Voo Cativo (2 horas)
       261000OUT14 – Balão - Voo livre sobre Cidade de Beja (2 horas)
       261500OUT14 – Demonstração Cinotécnica
       261500OUT14 – Torre Multiatividades (2 horas)
       261800OUT14 – Atuação da OLE
       261730OUT14 – Balão – Voo Cativo (2 horas)
       262000OUT14 – Encerramento da AMC

sábado, 18 de Outubro de 2014

Diário do Alentejo Edição 1695

Editorial
Fartura
Paulo Barriga

Havia um tipo de
Beringel, bêbedo, miserável,
pai de um rebanho
de moços pequenos,
esfomeados e sempre agarrados
às suas pernas, esmolando
qualquer coisinha, a quem a
plebe atribuía a seguinte frase:
“A minha é uma casa farta”!
Dito, assim, ao balcão de uma
taberna ou no encosto de uma
parede do largo, a coisa descambava
logo para a paródia.
O homem habitava uma decrépita
barraca zincada e sumida
nos subúrbios da vila,
mas não se fartava de gracejar
com a situação: “A minha
é uma casa farta”! Como assim?
“Eu estou farto de passar
fome, a minha mulher está
farta das minhas bebedeiras,
os moços estão fartos de mim
e da minha mulher… A minha
é uma casa farta!”. O povo
tem esta elasticidade formidável
para lidar com a desgraça.
Tem aquele jeitinho filosófico,
muito natural ou sobrenatural,
para segurar de frente o desconsolo.
“Não há fome que não
dê em fartura”, diz com a certeza
da fome e com a rara hipótese
da fartura. Este fim de semana,
o distrito de Beja é uma
casa farta e com fartura. Com
fartura de coisas para a alma e
para o espírito. Que é a forma
mais abonecada de falar em
feiras e festas e romarias e arraiais
e afins. Tão antigo como
a fome que dá em fartura é o
aproveitamento do terceiro
fim de semana de outubro para
cravar no chão de Castro Verde
as estacas da feira. É o tempo,
há séculos ininterrompido, de
os campaniços descerem à vila
com as romãs inchadas de mel,
com as balsas rebentando de
frutos secos, com as mantas
de lã pelos ombros e os varapaus
apertados nas mãos para
o que der-e-vier. Mas por estes
dias, a celebração festiva da
ruralidade deixou de ser coisa
exclusiva de Castro. Em Beja,
neste mesmo fim de semana,
o campo é outro. É a terra fértil,
a água, a nova agricultura,
as culturas emergentes, a modernidade
de mãos dadas com
as sabedorias antigas. E tudo o
que diga respeito ao campo e à
festa e que, ainda assim, falte
na Feira de Castro e na Rural
Beja, talvez possa ser encontrado
em Mértola. Nos pavilhões
da Feira da Caça. As feiras
no Alentejo estão como o
tempo no Alentejo costuma
estar. Pode levar um porradão
de tempo sem chover que
a água há de acabar por chegar
aos cântaros. De uma só vez. À
farta. Será que é por isso que se
chama fartura ao malacueco?

sábado, 11 de Outubro de 2014

Volta Solidária Alqueva 18|out|14- Penedo Gordo

A EDIA em parceria com a Caixa de Crédito Agrícola de Beja e Mértola e demais empresas locais e regionais e com o apoio da Câmara Municipal de Beja, da União de Freguesias Santiago Maior e São João Baptista e da Associação de Atletismo de Beja organiza a primeira edição da Volta Solidária de Alqueva.
No dia 18 de outubro, haverá uma corrida e uma caminhada, com partida e chegada na aldeia do Penedo Gordo, com passagem pela barragem de Cinco-Reis.
Queremos dar a conhecer a todos, de uma forma alegre, divertida e saudável, os cantinhos do nosso território Alqueva.
Com esta iniciativa pretendemos abrir as nossas portas à população da cidade e concelhos vizinhos, promovendo boas práticas e o espírito de partilha.
As receitas desta iniciativa reverterão integralmente para apoiar a Associação Sementes de Vida, de Beja.
As inscrições devem ser efetuadas no site da EDIA, até ao dia 15 de outubro.
Estão garantidos excelentes prémios e a realização de diversos sorteios.

Diário do Alentejo Edição 1694


Editorial
Implosão
Paulo Barriga

Afinal ele faz falta. O 5 de
Outubro faz a falta que
sempre fez. A celebração
da República faz falta. Pelo menos
a recordação dos seus ideais
mais íntimos e, reconheça-se,
nunca verdadeiramente exibidos
em Portugal. E isto não é apenas
uma questão de mendigar mais
um dia de folga. Mais um feriado
lampeiro. Nada disso. O 5
de Outubro faz tanta falta à política
pátria, como tanta falta faz
uma pinguinha de dignidade
à própria política pátria. Uma
pontinha de decoro. Um poucochinho
de vergonha na cara.
Ou seja: tudo aquilo que faltou
ao discurso de Cavaco Silva. No
dia 5 de Outubro. Esse dia que
tanta falta afinal faz. Num eficaz
golpe de ilusionismo, ou de
escapismo, disse o Presidente
que o sistema partidário corre o
risco de implodir. Melhor: disse
que os políticos constroem a
vida no carreirismo e que esse
oportunismo é fundado no interior
dos próprios partidos.
Ainda melhor: disse que os políticos
incumprem por sistema
as suas promessas e que a coisa
pública está a descambar para a
demagogia e para o populismo.
O que Cavaco Silva não disse ou
não se lembrou de dizer ou não
quis dizer de todo foi a responsabilidade
que o próprio tem no
estado implosivo a que isto chegou.
Carreirismo. Oportunismo.
Demagogia. Populismo. É à escolha
do freguês. Nem por
acaso, a 5 de Outubro deu-se
a fundação de um novo partido.
O Partido Democrático
Republicano. Cujo preceptor, o
talvez eurodeputado Marinho
e Pinto, repetiu com abastada
coincidência as palavras demolidoras
de Cavaco Silva. Disse o
ex-bastonário que não larga o
bastão, como se Cavaco o fosse
e dissesse, que estamos a trilhar
o caminho do suicídio coletivo.
Que os políticos estão ao serviço
das suas clientelas. Que os partidos
são parasitários por definição.
Não deixando, no entanto,
de formar mais um partidozeco.
Igualzinho a todos os outros.
Com os mesmos explosivos
e detonadores atados à cintura,
segundo a definição de Cavaco
Silva. Deram-se estes casos a 5
de Outubro. Um dia que tanta
falta faz. Nem que seja, por estes
tempos, para alegrar a malta a
toque da caixa da hipocrisia e da
tuba da sonsice. Já agora que a
banda fanfa da política vai a passar
na rua: quando se lembrarem
de implodir a coisa, de vez, rijamente,
avisem. E não se esqueçam
de estar dentro do edifício
que vai abaixo. Como verdadeiros
mártires. O povo aludirá às
vossas memórias. Nem que seja
numa boa piada. Talvez de alentejanos.
Talvez…

sexta-feira, 3 de Outubro de 2014

Diário do Alentejo Edição 1693

Editorial
Comissário
Paulo Barriga

Carlos Moedas foi mostrar
o que valia como pessoa,
como técnico, como político,
como europeísta, aos indagadores
do Parlamento Europeu. Foi e de
lá veio como uma ovação de regalar
o olho. Não precisei de lá estar
para perceber a abada que Moedas
deve ter dado àquela malta. Uma
abada por certo igual às que dava
à nossa malta, quando estudávamos
no Liceu de Beja. Na turma
de Artes Visuais. Precisamente a
única cadeira, a par da desastrosa
Educação Física, onde qualquer um
lhe conseguia pedir meças. Quanto
ao resto, abadas. Abadas a torto e a
direito. Carlos Moedas é um estudioso.
Daqueles seres atentos e cultos
que sabe dar uso, uso verdadeiro,
ao estudo e à aprendizagem.
Dizer que Moedas é apenas um bom
aluno, como agora o demonstrou no
Parlamento Europeu, é tão redutor
como dizer que Amália era somente
uma grande fadista. Não, não é verdade.
Moedas é das poucas pessoas
que conheci que, sendo bom aluno
(o melhor, porventura), era muito
mais do que bom aluno. Talvez
isto não seja lá muito fácil de explicar,
mas numa vida inteira não nos
passam todos os dias pela carteira
do lado tipos como este. Brilhante.
Uma mente brilhante. É o que ele é.
É a que ele tem. Seria desonesto para
comigo e para consigo não demonstrar
aqui algum orgulho por ter convivido
com Carlos Moedas. Por tê-
-lo conhecido tão bem e tão de perto.
Por termos rido juntos e até feito algumas
parvoíces. E também por vê-
-lo agora com uma pasta de comissário
europeu debaixo do braço.
Sim, sinto orgulho, profundo até,
por este bejense. Que não deixou de
exibir, certamente também com orgulho,
as suas origens aos deputados
que o quiseram escutar. Penso
que desde os tempos do Infantando
que Beja não gerava um quadro político
de tão elevado reconhecimento.
Valor. Mérito. Mas também seria desonesto
para comigo e para consigo
se não recordasse aqui, nesta euforia
contida, o papel que Carlos Moedas
teve no atual Governo português,
no apadrinhamento sorridente da
troika e no consequente afundamento
dos pobres do País. No consequente
afundamento do próprio
País. É certo que os homens se medem
pelo resultado, sempre variável
e indomesticável, do somatório entre
a sua “consciência” e o “meio” que
os rodeia. Nestes três anos de resto
zero, o “meio” sobrepôs-se sempre e
em todas as circunstâncias à “consciência”
de Carlos Moedas. Talvez
seja esta a hora de inverter o resultado
desta delicada operação aritmética.
Não é fácil. Isso é coisa apenas
dada a seres verdadeiramente
inteligentes. Não é fácil, mas talvez
seja esta a hora. A hora de tornar
a rir e de fazer algumas parvoíces.
Com o Carlos Moedas. Com o
tal que eu conheci nos bancos da escola.
Orgulhosamente.

segunda-feira, 29 de Setembro de 2014

“A Abetarda” anima centro histórico de Beja - 4|out|14


Sábado, 4 de outubro, 21h00
Igreja da Misericórdia, Praça da República, Rua dos Infantes e Largo da Conceição, terminando na lateral do Museu Regional

“A Abetarda" é o primeiro projeto que resulta da parceria estabelecida entre o Município de Castro Verde e o Teatro da Terra, e o único que junta o cante alentejano e o teatro de rua a partir de um texto original. O autor João Monge escreve uma procissão pagã habilmente tecida nas malhas da teologia cristã, elevando a Abetarda, símbolo de Castro Verde, a um estatuto mitológico/ dramático.




BA11 Comemora 62º Aniversário



Veja o programa aqui!