segunda-feira, 14 de maio de 2007

QUINTA-FEIRA DA ASCENÇÃO OU DIA DA ESPIGA


Na sua dualidade religiosa e pagã, foi festividade adoptada pelo povo de Beja para celebrar a fertilidade dos seus campos.
A Festa litúrgica da Ascensão teve origem em Jerusalém e celebrava-se, a principio, no mesmo dia que o de Pentecostes.
O hábito de fazer da ascensão uma festa especial, começou no séc. IV e o objectivo desta solenidade era honrar o termo da missão do Redentor na terra e a sua entrada na glória do Céu. Outrora, a liturgia deste dia, era revestida de grande significado: benziam-se os primeiros frutos e fazia-se uma procissão com tochas e estandartes.
A Ascensão é uma festa de preceito, celebrando-se à quinta-feira, passando a ter um cunho popular, quando o povo, na sua humildade, pretendia prestar homenagem a Jesus Cristo, com os símbolos da fertilidade nos primeiros frutos, representados na espiga simbólica que durante o ano inteiro, ficava em sinal de respeito e fé, dependurada numa parede de casa, até à sua renovação no ano seguinte.
Nos dias de hoje, e segundo a tradição, a população vai ao campo apanhar a espiga e outras flores campestres. Com estas, formam um ramo composto por: espigas de trigo, folhas de oliveira, malmequeres e papoilas.
Cada elemento simboliza um desejo:
A espiga significa que haja pão isto é, que nunca falte comida, que haja abundância em cada lar;
O ramo de folhas de oliveira, que haja paz e também que nunca falte a luz divina;
As flores (malmequeres, papoilas, alecrim, etc.), que haja alegria, simbolizada pela cor das flores – o malmequer ainda traz ouro e prata, a papoila traz amor e vida e o alecrim saúde e força.
Existe quem defenda que este costume vem de antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora que aconteciam por esta altura e que se mantêm ligadas à tradição dos Maios e das Maias.

Sem comentários: