sexta-feira, 10 de maio de 2013

Diário do Alentejo Edição 1620



Editorial
Normalidade
Paulo Barriga

Já cheira. E não é pouco.
Estamos em ano de
Autárquicas, pelo que já vagueia
pelo ar o pólen da política
de vizinhança. Muitos dos candidatos
aos órgãos autárquicos
do Alentejo já são conhecidos,
especialmente os nomes do cimo
das listas. Por estratégia ou por
falta de alternativas, outros tantos
se mantêm por revelar. Estão
no terreiro os primeiros tabus e
as primeiras escaramuças pelo
poder. Tudo normal, por conseguinte.
Tudo normal, não se
desse o caso de alguns dos pretendentes
anunciados estarem
abrangidos pela dita lei da limitação
de mandatos. Não se desse
o caso de as próprias eleições decorrem
num território não totalmente
definido em função
da lei que extingue e agrega freguesias.
Não se desse o caso de
boa parte das competências autárquicas
passarem agora para
a duvidosa esfera das comunidades
intermunicipais. Não se
desse o caso de os orçamentos e
as receitas municipais estarem
cada vez mais na penúria. Não
se desse o caso de as responsabilidades
dos eleitos serem cada
vez maiores e sobre eles, pessoalmente,
recaírem. Não se desse
o caso deste país estar completamente
às avessas. À deriva.
Falido. Refém da ganância de alguns
e da incompetência de outros.
Não se desse o caos e tudo
estaria normal. Inclusivamente
as pressões e as arranhadelas
que determinados agentes políticos
nos começaram já a fazer e
a dar. Mas por aí, tudo normal.
Efetivamente. Há alguns meses
a esta parte que o “Diário do
Alentejo” mantém uma página
de entrevista com os atuais autarcas.
Comentado por um painel
plural, o tema central da conversa.
Foi uma decisão editorial,
como outra qualquer. É nosso
entendimento que, em abono
da boa escolha, os nossos leitores
devam conhecer o estado em
que se encontra cada município.
E o trabalho aí desenvolvido. Até
porque foram estes homens e
esta mulher que levaram, a meio
do exercício das suas funções,
com a bomba alemã. Mais para
diante – os andores ainda estão
no interior da igreja – outros
protagonistas subirão à nossa
tribuna. Sendo que, para todo e
qualquer efeito, seremos sempre
nós a ditar as regras do jogo dos
três “is”: independência, isenção,
imparcialidade. É normal
que apareça gente que não ache
os nossos critérios normais. Mas
não deixaremos de ser apenas
um jornal, como normalmente
gostamos de ser. E somos.

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